Acolher para adaptar: vínculo afetivo, rotina e objetos transicionais no ingresso de bebês e crianças bem pequenas na creche
Sâmela Siqueira Oliveira
Letícia Carvalho Silva Marques
RESUMO
O ingresso de bebês e crianças bem pequenas na creche representa um momento delicado, marcado por mudanças na rotina, separação temporária da família e construção de novos vínculos afetivos. Este artigo tem como objetivo refletir sobre a importância do acolhimento, do vínculo afetivo, da rotina e dos objetos transicionais no processo de adaptação de bebês e crianças bem pequenas à Educação Infantil, especialmente na fase creche. Trata-se de um estudo de natureza bibliográfica, fundamentado em autores que discutem a adaptação à creche, a teoria do apego, a relação entre cuidar e educar e o uso de objetos de transição como elementos de segurança emocional. A discussão aponta que a adaptação não deve ser compreendida como um processo mecânico, limitado aos primeiros dias de frequência escolar, mas como uma experiência subjetiva, afetiva e relacional, que envolve criança, família e professora. Conclui-se que práticas pedagógicas sensíveis, como a escuta do choro, o respeito ao tempo de cada criança, a comunicação com as famílias, a organização de uma rotina acolhedora e a permissão do uso de objetos transicionais, contribuem para uma adaptação mais humanizada e segura.
Palavras-chave: Educação Infantil. Creche. Adaptação. Vínculo afetivo. Objetos transicionais.
1 Introdução
A Educação Infantil, especialmente na fase creche, constitui uma etapa fundamental no desenvolvimento dos bebês e das crianças bem pequenas. Nesse período, o cuidar e o educar acontecem de forma integrada, pois as experiências vividas nos primeiros anos de vida influenciam diretamente a construção da identidade, da autonomia, da linguagem, da socialização e da segurança emocional.
O ingresso na creche, no entanto, nem sempre acontece de maneira tranquila. Para muitos bebês e crianças bem pequenas, esse momento representa a primeira separação mais prolongada da família e o primeiro contato diário com um ambiente coletivo, composto por novos adultos, outras crianças, novos sons, horários, cheiros, regras e formas de cuidado. Por isso, o período de adaptação exige atenção, planejamento e sensibilidade por parte da instituição e dos profissionais que atuam com a primeira infância.
Durante muito tempo, a creche foi vista apenas como um espaço de assistência, destinado a cuidar das crianças enquanto suas famílias trabalhavam. Com os avanços legais e pedagógicos, essa visão foi sendo superada, e a creche passou a ser reconhecida como espaço educativo, de direito da criança e de responsabilidade compartilhada entre Estado, escola e família. Nesse contexto, a adaptação deixa de ser entendida como simples “costume” da criança ao ambiente escolar e passa a ser compreendida como um processo de construção de vínculos, pertencimento e segurança.
Diante disso, este artigo tem como problema de pesquisa a seguinte questão: de que maneira o acolhimento, a rotina e os objetos transicionais podem contribuir para o processo de adaptação de bebês e crianças bem pequenas à creche?
O objetivo geral é refletir sobre a importância do vínculo afetivo, da rotina e dos objetos transicionais no processo de adaptação de bebês e crianças bem pequenas à creche. Como objetivos específicos, busca-se compreender a adaptação como processo afetivo e pedagógico; discutir o papel da professora na construção de segurança emocional; analisar a importância da parceria entre família e escola; e destacar o uso dos objetos transicionais como recurso de apoio à criança na fase creche.
A justificativa deste estudo está relacionada à prática cotidiana de professoras da Educação Infantil, que convivem diariamente com situações de choro, insegurança, recusa alimentar, dificuldade no sono e necessidade de colo durante o período de adaptação. Tais manifestações não devem ser vistas como birra ou resistência sem sentido, mas como formas de expressão da criança diante de uma mudança significativa em sua vida. Assim, discutir esse tema contribui para uma prática pedagógica mais humana, acolhedora e respeitosa.
2 A creche como espaço de cuidado, educação e vínculo
A creche é um espaço educativo destinado aos bebês e às crianças bem pequenas, no qual as experiências de cuidado, interação e aprendizagem se articulam de maneira inseparável. Nessa etapa, não é possível separar o ato de cuidar do ato de educar, pois alimentar, acolher, trocar, cantar, brincar, colocar para dormir, conversar e consolar também são práticas pedagógicas.
A criança aprende por meio das relações que estabelece com os adultos, com outras crianças, com os objetos e com o espaço. Por isso, a creche precisa ser organizada de modo a favorecer o desenvolvimento integral, considerando aspectos físicos, emocionais, sociais, cognitivos e afetivos. Nesse sentido, a professora não é apenas alguém que supervisiona ou executa cuidados básicos, mas uma mediadora de experiências, uma referência afetiva e uma presença segura.
O processo de adaptação evidencia ainda mais essa dimensão relacional da creche. Quando o bebê ou a criança bem pequena chega ao ambiente escolar, precisa se familiarizar com uma nova rotina e confiar em pessoas que, inicialmente, são desconhecidas. Essa confiança não nasce de forma imediata. Ela é construída diariamente por meio do olhar, da voz, do colo, da previsibilidade da rotina, da atenção aos sinais da criança e do respeito ao seu tempo.
Nesse sentido, a creche deve ser pensada como um ambiente de acolhimento. Acolher não significa apenas receber a criança na porta da sala, mas reconhecer suas emoções, compreender suas manifestações e criar condições para que ela se sinta pertencente ao grupo. A criança que chora, que se agarra à família, que busca um objeto de casa ou que recusa participar de alguma atividade está comunicando algo. Cabe ao adulto interpretar essas manifestações com sensibilidade.
3 O período de adaptação: uma experiência da criança, da família e da professora
O período de adaptação não envolve apenas a criança. Ele também mobiliza a família e a professora. Para o bebê e a criança bem pequena, representa a entrada em um ambiente novo. Para a família, pode significar insegurança, culpa, medo ou preocupação. Para a professora, exige disponibilidade emocional, organização pedagógica e capacidade de acolher diferentes reações ao mesmo tempo.
Muitas vezes, o processo de adaptação é reduzido a poucos dias, seguindo uma lógica institucional rígida. No entanto, cada criança possui um ritmo próprio. Algumas demonstram tranquilidade nos primeiros dias e apresentam insegurança depois. Outras choram intensamente no início, mas aos poucos constroem vínculos. Há ainda aquelas que não choram, mas se mostram quietas, isoladas ou resistentes à alimentação e ao sono. Por isso, a ausência de choro não significa, necessariamente, que a criança já esteja adaptada.
A adaptação deve ser compreendida como um processo gradual. Sempre que possível, é importante que a criança permaneça inicialmente por períodos menores na creche, aumentando o tempo de permanência de acordo com sua segurança e com a organização da instituição. A presença da família nos primeiros momentos, a conversa prévia com os responsáveis e o conhecimento da rotina da criança em casa são estratégias importantes para reduzir a ruptura entre o ambiente familiar e o ambiente escolar.
Outro ponto fundamental é evitar separações bruscas. Quando a criança é retirada rapidamente dos braços da família sem explicação, seu sentimento de insegurança pode aumentar. O ideal é que a despedida seja clara, breve e afetiva, transmitindo confiança. A família também precisa ser orientada, pois sua ansiedade pode influenciar a criança. Quando os responsáveis confiam na professora e na instituição, essa confiança tende a favorecer o processo de adaptação.
A professora, por sua vez, precisa observar atentamente cada criança. O choro, o silêncio, a recusa do alimento, o apego a um brinquedo, a busca pelo colo ou a dificuldade para dormir são sinais que ajudam a compreender como a criança está vivendo esse processo. A escuta sensível permite que o adulto responda de maneira mais adequada às necessidades infantis.
4 Vínculo afetivo e segurança emocional na creche
O vínculo afetivo é um dos elementos centrais no processo de adaptação. Bebês e crianças bem pequenas precisam sentir que há um adulto disponível, atento e confiável no ambiente escolar. Esse adulto não substitui a família, mas torna-se uma referência de cuidado e segurança durante o período em que a criança está na creche.
A teoria do apego, associada aos estudos de John Bowlby, contribui para compreender a importância das relações estáveis na primeira infância. A criança pequena busca proximidade com figuras de referência, especialmente em situações de medo, cansaço, insegurança ou separação. Quando encontra um adulto responsivo, que acolhe suas necessidades, tende a sentir-se mais segura para explorar o ambiente, interagir com outras crianças e participar da rotina.
Na prática da Educação Infantil, isso significa que a professora precisa construir uma relação de confiança com a criança. Essa construção ocorre em pequenos gestos: chamar pelo nome, olhar nos olhos, respeitar o tempo de aproximação, oferecer colo quando necessário, cantar uma música conhecida, manter uma rotina previsível, conversar com calma e reconhecer os sentimentos da criança.
É importante destacar que acolher não significa impedir que a criança enfrente desafios. Acolher significa oferecer base emocional para que ela consiga enfrentá-los. A criança que se sente segura tende a explorar mais, brincar mais, comunicar-se melhor e participar com mais confiança da vida coletiva.
O vínculo também favorece a autonomia. Quando a criança percebe que pode contar com a professora, ela gradualmente se arrisca a permanecer mais tempo longe do colo, explorar os brinquedos, aproximar-se dos colegas e participar das propostas pedagógicas. Assim, a dependência inicial não deve ser vista como problema, mas como parte do caminho para a construção da autonomia.
5 A rotina como elemento de previsibilidade e acolhimento
A rotina é um aspecto essencial na creche. Para bebês e crianças bem pequenas, saber o que acontece ao longo do dia ajuda a construir segurança. A previsibilidade permite que a criança antecipe os momentos: chegada, roda, alimentação, higiene, brincadeira, descanso e saída. Quando a rotina é organizada de forma afetiva, a criança passa a compreender que a família vai, mas retorna; que há momentos de brincar, comer, dormir e reencontrar seus responsáveis.
Durante a adaptação, a rotina precisa ser apresentada de maneira gradual. Músicas, combinados simples, objetos conhecidos, organização do espaço e repetição de algumas ações ajudam a criança a compreender o funcionamento da creche. A repetição, nesse caso, não é pobreza pedagógica, mas segurança emocional.
O momento da sesta, por exemplo, costuma ser delicado para muitas crianças. Dormir em um espaço diferente, sem a presença da família, pode gerar insegurança. Por isso, a professora deve preparar esse momento com tranquilidade, diminuindo os estímulos, usando tom de voz calmo, oferecendo carinho e permitindo que a criança tenha por perto um objeto que lhe transmita conforto.
A alimentação também pode ser afetada durante a adaptação. Algumas crianças comem menos ou recusam determinados alimentos nos primeiros dias. Essa reação deve ser acolhida com paciência, sem pressão excessiva. Aos poucos, ao sentir confiança no ambiente e nos adultos, a criança tende a aceitar melhor a rotina alimentar.
Portanto, a rotina não deve ser rígida a ponto de ignorar as necessidades individuais, nem desorganizada a ponto de gerar insegurança. Ela precisa equilibrar previsibilidade e flexibilidade, respeitando o grupo e, ao mesmo tempo, reconhecendo cada criança em sua singularidade.
6 Objetos transicionais: pontes afetivas entre casa e creche
Os objetos transicionais, também chamados de objetos de apego ou objetos de transição, são elementos importantes no processo de adaptação de bebês e crianças bem pequenas. Podem ser paninhos, fraldas, chupetas, bichinhos de pelúcia, bonecas, carrinhos, cobertores ou outros objetos escolhidos pela própria criança. Seu valor não está no preço ou na aparência, mas no significado afetivo que possuem.
Esses objetos funcionam como uma ponte simbólica entre a casa e a creche. Eles carregam cheiros, memórias e sensações ligadas ao ambiente familiar, oferecendo conforto em momentos de separação, sono, choro ou insegurança. Para a criança que ainda está desenvolvendo a linguagem oral e a capacidade de expressar sentimentos com palavras, o objeto pode representar segurança e continuidade.
Permitir que a criança utilize seu objeto de transição durante a adaptação não significa prejudicar sua autonomia. Pelo contrário, pode ajudá-la a enfrentar a separação de forma mais tranquila. A autonomia não nasce da retirada brusca daquilo que conforta a criança, mas da segurança progressiva que ela constrói ao perceber que pode confiar no ambiente e nos adultos.
Na creche, muitas crianças recorrem a esses objetos principalmente na chegada, no momento do sono, em situações de choro ou quando se sentem cansadas. A professora deve observar como cada criança se relaciona com seu objeto e evitar retirá-lo de forma punitiva ou apressada. Com o tempo, à medida que a criança se sente pertencente ao grupo, tende a utilizar o objeto com menor frequência.
É importante que a instituição tenha uma postura respeitosa em relação a esses objetos. Quando necessário, pode-se combinar com a família cuidados de higiene, identificação e uso. Entretanto, a regra não deve ser mais importante que a necessidade emocional da criança. O objeto transicional deve ser visto como recurso pedagógico de acolhimento, e não como obstáculo à adaptação.
7 A parceria entre família e escola no processo de adaptação
A adaptação torna-se mais segura quando família e escola caminham juntas. A família conhece a história, os hábitos, os medos, os gostos e as formas de comunicação da criança. A professora, por sua vez, conhece o cotidiano coletivo da creche e pode ajudar a criança a inserir-se nesse novo espaço. Quando há diálogo entre esses dois contextos, a criança se beneficia.
Antes do início da adaptação, é importante que a escola converse com os responsáveis sobre a rotina da criança: horários de sono, alimentação, objetos preferidos, formas de consolo, palavras usadas em casa, medos e preferências. Essas informações ajudam a professora a acolher a criança de maneira mais individualizada.
A comunicação diária também é essencial. Relatar como a criança ficou, se comeu, se dormiu, se chorou, se brincou ou se buscou colo ajuda a família a acompanhar o processo. Da mesma forma, a família pode informar se a criança apresentou mudanças em casa, como alteração no sono, irritação, maior apego ou recusa em ir à creche. Essas trocas permitem ajustes nas estratégias.
É necessário, ainda, acolher os sentimentos da família. Muitos responsáveis sofrem ao deixar a criança na creche, especialmente nos primeiros dias. A professora pode orientar com tranquilidade, explicando que o choro é uma manifestação comum e que a adaptação acontece de forma gradual. Quando a família percebe que a criança é cuidada com respeito e afeto, tende a sentir-se mais segura.
A parceria entre família e escola não deve ser baseada em julgamentos. Não se trata de culpar a família pelo choro da criança, nem de responsabilizar a professora pelas dificuldades da adaptação. Trata-se de compreender que todos estão participando de um processo novo, que exige confiança, diálogo e corresponsabilidade.
8 O papel da professora: escuta sensível e prática humanizada
A professora da creche ocupa papel fundamental na adaptação de bebês e crianças bem pequenas. Sua atuação exige muito mais do que gostar de crianças. Exige conhecimento sobre desenvolvimento infantil, sensibilidade para interpretar sinais não verbais, paciência diante do choro, organização da rotina e disponibilidade afetiva.
A escuta sensível é uma competência essencial. Bebês e crianças bem pequenas nem sempre conseguem explicar com palavras o que sentem. Muitas vezes, comunicam-se pelo corpo, pelo olhar, pelo choro, pelo silêncio, pelo gesto de se afastar ou se aproximar. A professora precisa observar esses sinais e responder de forma respeitosa.
Uma prática humanizada considera que a adaptação não deve ser apressada para atender apenas à lógica da instituição. Embora a escola tenha horários, turmas e demandas, o tempo da criança precisa ser considerado. Algumas estratégias podem contribuir para esse processo, como receber a criança com calma, permitir a permanência de objetos de apego, organizar espaços acolhedores, manter comunicação com a família, oferecer colo quando necessário e criar rituais de chegada e despedida.
Também é importante que a professora não interprete o choro como fracasso. O choro faz parte do processo e pode indicar que a criança está expressando sua insegurança diante de uma situação nova. O objetivo não é simplesmente fazer a criança parar de chorar a qualquer custo, mas ajudá-la a sentir-se segura, compreendida e amparada.
Dessa forma, a professora atua como mediadora entre a criança, a família e a instituição. Seu olhar atento pode transformar a adaptação em uma experiência menos dolorosa e mais significativa.
9 Considerações finais
O processo de adaptação de bebês e crianças bem pequenas à creche é uma experiência complexa, que envolve dimensões emocionais, sociais, pedagógicas e familiares. Não se trata apenas de acostumar a criança a um novo espaço, mas de construir condições para que ela se sinta segura, acolhida e pertencente.
Os estudos analisados permitem compreender que a adaptação exige planejamento, flexibilidade e sensibilidade. Bebês e crianças bem pequenas precisam de tempo para conhecer o ambiente, confiar nos adultos, interagir com os colegas e compreender a nova rotina. Nesse percurso, o vínculo afetivo com a professora, a parceria com a família, a organização de uma rotina previsível e o uso de objetos transicionais constituem estratégias importantes.
Os objetos transicionais merecem destaque por sua função de conforto e segurança. Ao permitir que a criança leve para a creche um objeto significativo, a escola reconhece sua história afetiva e respeita sua forma de enfrentar a separação. Esses objetos não substituem o acolhimento humano, mas podem favorecer a transição entre o ambiente familiar e o escolar.
Conclui-se que uma adaptação humanizada depende de uma postura pedagógica que respeite a infância, compreenda o choro como linguagem, valorize os vínculos e reconheça a criança como sujeito de direitos, emoções e necessidades próprias. Para a professora da Educação Infantil, acolher é também educar. E, na fase creche, educar começa pelo cuidado sensível, pela presença afetiva e pela construção diária de confiança.
Referências
BOWLBY, John. Apego e perda: apego. São Paulo: Martins Fontes, 1990.
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: Ministério da Educação, 2018.
DIAS, Isabel Simões; CONCEIÇÃO, Sónia. O objeto de transição: um estudo em contexto de creche. Zero-a-Seis, Florianópolis, v. 16, n. 30, p. 203-216, jul./dez. 2014.
RAPOPORT, Andrea; PICCININI, Cesar Augusto. O ingresso e adaptação de bebês e crianças pequenas à creche: alguns aspectos críticos. Psicologia: Reflexão e Crítica, v. 14, n. 1, 2001. DOI: 10.1590/S0102-79722001000100007.
SOUZA, Pedro Fernandez de; NEDER, Kaira. Privação, separação e angústia? Notas sobre as concepções de Freud e de Bowlby a respeito da primeira infância, educação e cuidado materno. Educação e Filosofia, Uberlândia, v. 39, art. 75341, p. 1-42, 2025.
VERCELLI, Ligia de Carvalho Abões; NEGRÃO, Tatiane Peres Alves. Um olhar sobre o período de adaptação de crianças pequenas a um Centro de Educação Infantil e o uso de objetos transicionais.
WINNICOTT, Donald Woods. O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago, 1975.
YUSTE, Eva Maria Lopez. Adaptação de crianças à creche: uma comparação entre diferentes estratégias. Monografia. Centro Universitário de Brasília, Faculdade de Ciências da Saúde, Curso de Psicologia, Brasília, 2007.
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Inclusão do autista na Educação Infantil
Jessica da Silva Moreira
RESUMO
A inclusão de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na Educação Infantil é um tema de grande relevância no contexto educacional atual. A escola desempenha um papel fundamental no desenvolvimento social, emocional e cognitivo dessas crianças, proporcionando oportunidades de aprendizagem e convivência com outras crianças. Este artigo tem como objetivo destacar a importância da inclusão escolar de alunos com autismo na Educação Infantil, bem como os desafios e benefícios desse processo.
Palavras-chave: Inclusão escolar. Educação Infantil. Transtorno do Espectro Autista (TEA).
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por dificuldades na comunicação, interação social e comportamentos repetitivos. Cada criança apresenta características próprias, tornando necessário um atendimento educacional que respeite suas particularidades e potencialidades. O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por dificuldades na comunicação, interação social e comportamentos repetitivos. Cada criança apresenta características próprias, tornando necessário um atendimento educacional que respeite suas particularidades e potencialidades. O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por dificuldades na comunicação, interação social e comportamentos repetitivos. Cada criança apresenta características próprias, tornando necessário um atendimento educacional que respeite suas particularidades e potencialidades.
A Educação Infantil representa uma fase essencial para o desenvolvimento da criança, pois é nesse período que são construídas habilidades cognitivas, afetivas e sociais. A inclusão de crianças com TEA nesse ambiente favorece a interação com os colegas, o desenvolvimento da linguagem, da autonomia e da participação em atividades coletivas. A Educação Infantil representa uma fase essencial para o desenvolvimento da criança, pois é nesse período que são construídas habilidades cognitivas, afetivas e sociais. A inclusão de crianças com TEA nesse ambiente favorece a interação com os colegas, o desenvolvimento da linguagem, da autonomia e da participação em atividades coletivas. A Educação Infantil representa uma fase essencial para o desenvolvimento da criança, pois é nesse período que são construídas habilidades cognitivas, afetivas e sociais. A inclusão de crianças com TEA nesse ambiente favorece a interação com os colegas, o desenvolvimento da linguagem, da autonomia e da participação em atividades coletivas.
Para que a inclusão aconteça de forma efetiva, é fundamental que os professores estejam preparados para utilizar estratégias pedagógicas adequadas, como o uso de recursos visuais, atividades lúdicas, rotinas organizadas e adaptações curriculares quando necessário. Além disso, a parceria entre escola, família e profissionais especializados contribui significativamente para o desenvolvimento da criança. Para que a inclusão aconteça de forma efetiva, é fundamental que os professores estejam preparados para utilizar estratégias pedagógicas adequadas, como o uso de recursos visuais, atividades lúdicas, rotinas organizadas e adaptações curriculares quando necessário. Além disso, a parceria entre escola, família e profissionais especializados contribui significativamente para o desenvolvimento da criança. Para que a inclusão aconteça de forma efetiva, é fundamental que os professores estejam preparados para utilizar estratégias pedagógicas adequadas, como o uso de recursos visuais, atividades lúdicas, rotinas organizadas e adaptações curriculares quando necessário. Além disso, a parceria entre escola, família e profissionais especializados contribui significativamente para o desenvolvimento da criança.
A legislação brasileira garante o direito à educação inclusiva por meio da Constituição Federal, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e da Lei nº 12.764/2012, que assegura os direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista. Dessa forma, as instituições de ensino devem promover condições que favoreçam a aprendizagem e a participação de todos os alunos. A legislação brasileira garante o direito à educação inclusiva por meio da Constituição Federal, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e da Lei nº 12.764/2012, que assegura os direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista. Dessa forma, as instituições de ensino devem promover condições que favoreçam a aprendizagem e a participação de todos os alunos. A legislação brasileira garante o direito à educação inclusiva por meio da Constituição Federal, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e da Lei nº 12.764/2012, que assegura os direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista. Dessa forma, as instituições de ensino devem promover condições que favoreçam a aprendizagem e a participação de todos os alunos.
Referências
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília: Senado Federal, 1988.
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, DF, 1996.
BRASIL. Lei nº 12.764, de 27 de dezembro de 2012. Institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. Brasília, DF, 2012.
CUNHA, Eugênio. Autismo e Inclusão: Psicopedagogia e Práticas Educativas na Escola e na Família. 10. ed. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2023.
MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão Escolar: O que é? Por quê? Como fazer? São Paulo: Summus, 2015.
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Educação Infantil e desenvolvimento cognitivo
Jessica da Silva Moreira
RESUMO
Escolhi o tema Educação Infantil e Desenvolvimento Cognitivo por acreditar que os primeiros anos de vida são fundamentais para a formação da criança. Durante essa fase, a criança desenvolve habilidades importantes relacionadas ao pensamento, à linguagem, à criatividade e à interação social. Por isso, considero que a Educação Infantil tem um papel essencial no processo de aprendizagem e no desenvolvimento integral dos alunos.
Palavras-chave: Educação Infantil; Desenvolvimento Cognitivo; Aprendizagem; Desenvolvimento Infantil; Práticas Pedagógicas.
Desenvolvimento:
Escolhi o tema Educação Infantil e Desenvolvimento Cognitivo por acreditar que os primeiros anos de vida são fundamentais para a formação da criança.
Durante essa fase, a criança desenvolve habilidades importantes relacionadas ao pensamento, à linguagem, à criatividade e à interação social. Por isso, considero que a Educação Infantil tem um papel essencial no processo de aprendizagem e no desenvolvimento integral dos alunos.
Escolhi o tema Educação Infantil e Desenvolvimento Cognitivo por acreditar que os primeiros anos de vida são fundamentais para a formação da criança. Durante essa fase, a criança desenvolve habilidades importantes relacionadas ao pensamento, à linguagem, à criatividade e à interação social. Por isso, considero que a Educação Infantil tem um papel essencial no processo de aprendizagem e no desenvolvimento integral dos alunos.
Escolhi o tema Educação Infantil e Desenvolvimento Cognitivo por acreditar que os primeiros anos de vida são fundamentais para a formação da criança. Durante essa fase, a criança desenvolve habilidades importantes relacionadas ao pensamento, à linguagem, à criatividade e à interação social. Por isso, considero que a Educação Infantil tem um papel essencial no processo de aprendizagem e no desenvolvimento integral dos alunos.
Pretendo abordar neste artigo a importância das práticas pedagógicas no estímulo ao desenvolvimento cognitivo das crianças, destacando como as brincadeiras, os jogos e as atividades lúdicas contribuem para a construção do conhecimento. Além disso, buscarei compreender como o professor pode atuar como mediador da aprendizagem, proporcionando experiências significativas que favoreçam o desenvolvimento das capacidades cognitivas.
Pretendo abordar neste artigo a importância das práticas pedagógicas no estímulo ao desenvolvimento cognitivo das crianças, destacando como as brincadeiras, os jogos e as atividades lúdicas contribuem para a construção do conhecimento. Além disso, buscarei compreender como o professor pode atuar como mediador da aprendizagem, proporcionando experiências significativas que favoreçam o desenvolvimento das capacidades cognitivas.
Pretendo abordar neste artigo a importância das práticas pedagógicas no estímulo ao desenvolvimento cognitivo das crianças, destacando como as brincadeiras, os jogos e as atividades lúdicas contribuem para a construção do conhecimento. Além disso, buscarei compreender como o professor pode atuar como mediador da aprendizagem, proporcionando experiências significativas que favoreçam o desenvolvimento das capacidades cognitivas.
A escolha desse tema também está relacionada ao meu interesse pela área da Educação Infantil e à compreensão de que uma educação de qualidade nos primeiros anos pode influenciar positivamente toda a trajetória escolar da criança. Dessa forma, o estudo pretende refletir sobre a importância do ambiente escolar e das práticas educativas para o desenvolvimento cognitivo infantil.
A escolha desse tema também está relacionada ao meu interesse pela área da Educação Infantil e à compreensão de que uma educação de qualidade nos primeiros anos pode influenciar positivamente toda a trajetória escolar da criança. Dessa forma, o estudo pretende refletir sobre a importância do ambiente escolar e das práticas educativas para o desenvolvimento cognitivo infantil.
A escolha desse tema também está relacionada ao meu interesse pela área da Educação Infantil e à compreensão de que uma educação de qualidade nos primeiros anos pode influenciar positivamente toda a trajetória escolar da criança. Dessa forma, o estudo pretende refletir sobre a importância do ambiente escolar e das práticas educativas para o desenvolvimento cognitivo infantil.
Referência Bibliográfica
CUNHA, Maria Isabel da. Reflexões e práticas em pedagogia universitária. 1. ed. Campinas: Papirus, 2012.
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Autismo na Educação Infantil nos Anos Iniciais: desafios e possibilidades da inclusão escolar
Jessica da Silva Moreira
RESUMO
O artigo aborda a inclusão de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na educação infantil, destacando desafios dos profissionais e benefícios de práticas pedagógicas inclusivas. Com base em pesquisa bibliográfica, aponta que a inclusão escolar favorece o desenvolvimento cognitivo, social e emocional, desde que haja formação adequada dos professores, adaptação curricular e apoio institucional, concluindo que a educação inclusiva promove igualdade de oportunidades e respeito à diversidade.
Palavras-chave: Autismo. Educação Infantil. Inclusão Escolar. Aprendizagem. Desenvolvimento Infantil.
Desenvolvimento
O presente artigo aborda a inclusão de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na educação infantil nos anos iniciais, destacando os desafios enfrentados pelos profissionais da educação e as possibilidades de desenvolvimento proporcionadas por práticas pedagógicas inclusivas. O presente artigo aborda a inclusão de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na educação infantil nos anos iniciais, destacando os desafios enfrentados pelos profissionais da educação e as possibilidades de desenvolvimento proporcionadas por práticas pedagógicas inclusivas.
O presente artigo aborda a inclusão de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na educação infantil nos anos iniciais, destacando os desafios enfrentados pelos profissionais da educação e as possibilidades de desenvolvimento proporcionadas por práticas pedagógicas inclusivas.
O objetivo deste estudo é analisar a importância da inclusão escolar para o desenvolvimento cognitivo, social e emocional das crianças com autismo, bem como identificar estratégias pedagógicas que favoreçam sua aprendizagem. O objetivo deste estudo é analisar a importância da inclusão escolar para o desenvolvimento cognitivo, social e emocional das crianças com autismo, bem como identificar estratégias pedagógicas que favoreçam sua aprendizagem. O objetivo deste estudo é analisar a importância da inclusão escolar para o desenvolvimento cognitivo, social e emocional das crianças com autismo, bem como identificar estratégias pedagógicas que favoreçam sua aprendizagem. A metodologia utilizada consiste em uma pesquisa bibliográfica, fundamentada em livros, artigos científicos e documentos legais relacionados à educação inclusiva. A metodologia utilizada consiste em uma pesquisa bibliográfica, fundamentada em livros, artigos científicos e documentos legais relacionados à educação inclusiva.
A metodologia utilizada consiste em uma pesquisa bibliográfica, fundamentada em livros, artigos científicos e documentos legais relacionados à educação inclusiva. Os resultados apontam que a inclusão escolar contribui significativamente para o desenvolvimento integral da criança, desde que haja formação adequada dos professores, adaptação curricular e apoio institucional.
Os resultados apontam que a inclusão escolar contribui significativamente para o desenvolvimento integral da criança, desde que haja formação adequada dos professores, adaptação curricular e apoio institucional.
Os resultados apontam que a inclusão escolar contribui significativamente para o desenvolvimento integral da criança, desde que haja formação adequada dos professores, adaptação curricular e apoio institucional. Conclui-se que a educação inclusiva representa um importante instrumento para a promoção da igualdade de oportunidades e do respeito à diversidade no ambiente escolar.
Conclui-se que a educação inclusiva representa um importante instrumento para a promoção da igualdade de oportunidades e do respeito à diversidade no ambiente escolar. Conclui-se que a educação inclusiva representa um importante instrumento para a promoção da igualdade de oportunidades e do respeito à diversidade no ambiente escolar.
Referências
APA. American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5-TR. Porto Alegre: Artmed, 2023.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília: Senado Federal, 1988.
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, DF, 1996.
BRASIL. Lei nº 12.764, de 27 de dezembro de 2012. Institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. Brasília, DF, 2012.
SASSAKI, Romeu Kazumi. Inclusão: Construindo uma Sociedade para Todos. 9. ed. Rio de Janeiro: WVA, 2010.
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Entrelaçando diferentes linguagens no processo de ensino e aprendizagem de crianças de 0 a 3 anos
Eliane Denise Müller Barboza[1]
RESUMO
O presente artigo aborda o projeto das múltiplas linguagens no processo de ensino e aprendizagem de crianças de 0 a 3 anos na Educação Infantil. A proposta pedagógica aplicada a turma do maternal matutino destaca como as experiências envolvendo linguagem oral, corporal, musical, visual, artística e sensorial contribuem para o desenvolvimento integral das crianças pequenas, favorecendo sua autonomia, comunicação, expressão, criatividade, interação social e construção de conhecimentos. A aplicação dessa experiência fundamenta-se em autores como Lev Vygotsky, além dos documentos norteadores da Educação Infantil, como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a Matriz Curricular da Educação Infantil – Rede Municipal de Ensino de Araquari. e as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI). A proposta teve abordagem qualitativa, refletindo sobre práticas pedagógicas desenvolvidas no cotidiano da Educação Infantil e sobre o papel do professor como mediador das experiências e interações infantis. Conclui-se que o entrelaçamento das diferentes linguagens potencializa aprendizagens significativas e fortalece o protagonismo infantil, contribuindo para o desenvolvimento cognitivo, afetivo, social e motor das crianças bem pequenas.
Palavras-chave: Educação Infantil. Diferentes Linguagens. Ensino e Aprendizagem.
INTRODUÇÃO
No CEI Heley de Abreu Silva Batista, na turma do maternal matutino, as diferentes linguagens fazem parte da experiência diária da criança da Educação Infantil e são primordiais na formação cognitiva da criança como agente da aprendizagem. Ao discorrer sobre o assunto, percebe-se que as crianças possuem características próprias, como a imaginação, o lúdico e a comunicação. Para iniciar o processo educativo, é necessário partir da zona de desenvolvimento real da criança, ou seja, daquilo que ela já sabe, considerando que cada uma traz consigo conhecimentos e experiências adquiridos no ambiente familiar e social.
As diferentes linguagens representam possibilidades que o educador pode utilizar para tornar a aprendizagem mais significativa, como a contação de histórias, a arte, a música, a dança e experiências que desenvolvam a oralidade e a psicomotricidade, incluindo coordenação motora fina, global e óculo-manual. Todas as formas de linguagem — verbal, não verbal, formal, informal, falada, gesticulada, musical ou visual — possuem relevância para a construção de uma educação de qualidade.
Ao observar uma criança brincando, percebe-se que o faz de conta está constantemente presente. Uma colher e um pote transformam-se em refeição; uma caixa de papelão pode tornar-se um avião ou um carro. As brincadeiras contribuem para o desenvolvimento infantil, favorecendo experiências de vida e a construção da linguagem. A criança também constrói conhecimento por meio da observação e da imitação de atitudes cotidianas. A dança e a música representam importantes estímulos à criança, desenvolvendo sensibilidade, criatividade, coordenação motora e emoções. A manipulação de objetos e materiais artísticos favorece a criatividade e a expressividade, ampliando possibilidades de comunicação e aprendizagem.
Segundo Vygotsky, “por volta dos dois anos de idade, o percurso do pensamento encontra- se com o da linguagem e inicia uma nova forma de funcionamento psicológico”. Dessa forma, o desenvolvimento da linguagem oral ocorre por meio das interações sociais e da mediação do outro.
Tomando como referência as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (Brasil, 2009) e a Base Nacional Comum Curricular (Brasil, 2017), compreende- se que as práticas pedagógicas devem acontecer com intencionalidade, valorizando experiências, interações e brincadeiras como eixos estruturantes do desenvolvimento infantil. Numa proposta de educação que busca valorizar o protagonismo infantil, todas as formas de interação da criança com o mundo precisam ser reconhecidas e valorizadas, garantindo espaços de expressão, criatividade e construção de aprendizagens significativas.
PROBLEMA DE PESQUISA
De que forma as experiências com múltiplas linguagens favorecem o desenvolvimento integral das crianças bem pequenas?
OBJETIVO GERAL
Trabalhar as diferentes linguagens, estimulando a criança a brincar, conviver, a explorar, se comunicar, se expressar e participar.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Identificar as diferentes linguagens presentes no cotidiano da Educação Infantil;
Compreender a importância das interações e brincadeiras no desenvolvimento infantil;
Refletir sobre práticas pedagógicas que valorizem experiências sensoriais, corporais, musicais, visuais e orais;
Promover aprendizagens significativas por meio das múltiplas linguagens, contribuindo para o processo de ensino e aprendizagem das crianças bem pequenas.
REFERENCIAL TEÓRICO
A criança pequena comunica-se com o mundo por meio de diferentes formas de expressão. Antes mesmo da linguagem oral estar plenamente desenvolvida, utiliza o corpo, os gestos, os sons, os olhares e os movimentos para interagir e expressar sentimentos e necessidades.
O projeto das diferentes linguagens, partindo-se da premissa de que a criança desenvolve suas aprendizagens a partir de todas as possibilidades que lhe são ofertadas, certamente é uma das maneiras mais eficazes de favorecer e potencializar esses aprendizados. Enfatiza- se a importância de se proporcionar espaços nos quais diferentes linguagens expressivas sejam vivenciadas, quando corpo, mente e emoção possibilitem ao educando(a) construir sua própria forma de expressão de linguagem, dando sentido a si mesmo(a) e a tudo que possa vir a criar, ampliando assim sua leitura do mundo provocando a participação e instiguem as crianças a despertarem para diferentes linguagens. Na Educação Infantil é fundamental, para as aprendizagens e o desenvolvimento de habilidades, que as crianças tenham oportunidades de ricas e diversificadas experiências que lhes possibilitem construir, ampliar e utilizar conhecimentos e potencializar os seus canais criativos.
Segundo Loris Malaguzzi, (2006) a criança possui “cem linguagens”, ou seja, inúmeras formas de pensar, sentir, comunicar-se e aprender. Nesse sentido, a Educação Infantil deve proporcionar experiências diversificadas que valorizem o protagonismo da criança e respeitem suas singularidades e com isso cada criança tem seu tempo para se desenvolver e aprender.
As práticas pedagógicas desenvolvidas na Educação Infantil possibilitam experiências significativas por meio da música, da dança, das artes, da oralidade, das brincadeiras e das interações sociais. Essas experiências favorecem a autonomia, o desenvolvimento cognitivo, afetivo, motor e social das crianças.
De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (Brasil, 2017), as interações e as brincadeiras constituem os eixos estruturantes das práticas pedagógicas na Educação Infantil. A BNCC também destaca os direitos de aprendizagem das crianças: conviver, brincar, participar, explorar, expressar-se e conhecer-se.
O professor exerce papel fundamental no desenvolvimento das múltiplas linguagens na Educação Infantil, sendo responsável pela mediação das experiências e pela organização de ambientes acolhedores, investigativos e ricos em possibilidades de aprendizagem. Conforme aponta Lev Vygotsky (1998), a aprendizagem acontece por meio das interações sociais e da mediação realizada pelo outro. Assim, cabe ao educador promover experiências em que a criança possa explorar, experimentar, criar, imaginar, brincar e comunicar-se de diferentes maneiras.
METODOLOGIA
O projeto foi desenvolvido durante o segundo e o terceiro trimestre de 2024, com crianças de 0 a 3 anos na turma do maternal matutino. A metodologia baseou-se nas propostas pedagógicas de abordagem qualitativa, trazendo vivências e experiências de campo, também fundamentada em autores que discutem o desenvolvimento infantil e nas bases curriculares que norteiam as múltiplas linguagens e as práticas pedagógicas na Educação Infantil. O autor Lev Vygotsky, discute a importância da mediação e da linguagem no desenvolvimento infantil.
A pesquisa considera ainda as práticas pedagógicas desenvolvidas no cotidiano da Educação Infantil, envolvendo experiências com música, contação de histórias, brincadeiras, dança, artes visuais, exploração sensorial e interações sociais, reconhecendo a criança como sujeito ativo na construção de suas aprendizagens.
A aplicação da metodologia foi realizada através das observações do cotidiano pedagógico (rotina), do conhecimento prévio e capacidade do desenvolvimento e coordenação motora das crianças da turma do maternal matutino do CEI Heley de Abreu Silva Batista, localizado no município de Araquari, Santa Catarina.
DESCRIÇÃO DA EXPERIÊNCIA
As experiências realizadas em sala e nos espaços organizados dentro do ambiente institucional são de suma importância, pois, desenvolvem a linguagem, promovem a imaginação, ampliam o repertório cultural das crianças e auxiliam na construção de saberes.
Diariamente foram proporcionados momentos de diálogos, rodas de conversa, musicalidade, contação de histórias incentivando a oralidade e atenção quando ela se comunica, lembrando que se ela repetir palavras e sons é normal para seu desenvolvimento. Ensinar às crianças a contar histórias, utilizando livros, imagens e desenhos cria relações entre palavras, objetos e ideias. Na rotina são exploradas diferentes linguagens, desde o acolhimento, nas brincadeiras no parque, nos momentos de alimentação e higiene como espaços de linguagem e interação. Durante as brincadeiras simbólicas, o faz de conta esteve presente de maneira significativa, evidenciando a capacidade imaginativa das crianças e a construção de aprendizagens por meio das interações e da reprodução de situações do cotidiano.
A utilização de diferentes palavras em várias situações dentro e fora da sala (ampliando o vocabulário) sempre deixando ela se expressar, seja através de gestos, mímicas, pinturas, silêncio como atividade de estátua e sons sonoros barulhos com instrumentos e objetos. Nas propostas de musicalização, as crianças demonstravam entusiasmo ao cantar, dançar e reproduzir movimentos corporais, favorecendo o desenvolvimento da oralidade, da coordenação motora e da interação social. As experiências com pintura, exploração sensorial e manipulação de diferentes materiais despertaram curiosidade, criatividade e participação ativa nas propostas.
A Prática de jogos com cartões e adivinhar as imagens, falar e sentir os objetos na caixa sensorial, imagens (foto da criança) em crachás que incentivam a interação social e a autonomia. Ao observar as imagens elas se reconhecem e conhecem o outro.
Por meio deste projeto outro avanço no aprendizado das crianças foi criar vínculos afetivos e parceria entre escola e família, envolvendo os pais e a criança, com a experiência da Maleta Viajante, onde semanalmente era enviado um livro infantil dentro de uma pasta juntamente com um caderno para a família relatar essa experiência. Escrevendo como foi o momento de contação de história em família, relatando e desenhando juntamente com a criança, assim comunicando desejos, sentimentos e experiências vividas no ambiente familiar. Também teve famílias que compartilharam esse momento com o envio do registro fotográfico ao WhatsApp do CEI.
RESULTADO E DISCUSSÃO
As experiências desenvolvidas na turma do maternal matutino do CEI Heley de Abreu Silva Batista possibilitaram observar que as múltiplas linguagens estão presentes de forma significativa no cotidiano das crianças pequenas, contribuindo diretamente para seu desenvolvimento integral e para a construção das aprendizagens.
Durante as práticas pedagógicas, percebeu-se que as crianças se expressavam por meio de diferentes formas de comunicação, utilizando gestos, movimentos, sons, expressões faciais, brincadeiras, desenhos, músicas e a oralidade para interagir com os colegas, professores e com o ambiente ao seu redor. Essas manifestações demonstraram que a criança aprende e se comunica muito além da linguagem verbal, utilizando diferentes recursos para expressar sentimentos, desejos, emoções e descobertas.
Nas experiências com musicalização, as crianças participaram com entusiasmo das propostas envolvendo cantigas infantis e de roda, movimentos corporais e exploração de sons e instrumentos musicais como violão e Ukulele levado pelas professoras. Observou- se que a música favoreceu a interação social, a oralidade, a coordenação motora e a participação coletiva, além de proporcionar momentos de prazer e envolvimento com as experiências propostas.
A contação de histórias desperta a atenção, a imaginação e a participação das crianças, que demonstravam curiosidade diante das narrativas, personagens e ilustrações, momentos esses em que as crianças passaram a reproduzir falas, gestos e situações observadas nas histórias em suas brincadeiras simbólicas, fortalecendo o desenvolvimento da linguagem oral e da imaginação. Se envolveram tanto na história dos Três Porquinhos, que apresentamos com as crianças a peça na semana da Educação Infantil, caracterizando-as com os personagens Lobo Mau e os Três Porquinhos e as casinhas feitas de papelão.
As brincadeiras de faz de conta também estiveram muito presentes no cotidiano da turma, evidenciando a capacidade criativa das crianças e a construção de conhecimentos por meio da imitação e das interações sociais. Ao brincar de cozinhar, cuidar de bonecas, dirigir carros ou reproduzir situações familiares, as crianças demonstravam compreender e ressignificar experiências vividas em seu contexto social.
As propostas envolvendo pintura, desenho, exploração sensorial e manipulação de diferentes materiais possibilitaram o desenvolvimento da criatividade, da coordenação motora fina e da expressividade infantil. As crianças demonstraram interesse em explorar texturas, cores, sons e movimentos, participando ativamente das experiências oferecidas. Ex: materiais estruturados, materiais recicláveis, elementos da natureza e etc.
Nesse contexto, a prática pedagógica do professor como mediador das aprendizagens, organizando ambientes, proporcionando experiências significativas e valorizando as diferentes formas de expressão infantil, além da escuta sensível e o olhar atento do educador favoreceram a participação, a autonomia e o protagonismo das crianças durante as propostas pedagógicas.
O projeto entrelaçamento das diferentes linguagens mostrou-se essencial para promover experiências significativas, fortalecer vínculos afetivos e ampliar as possibilidades de desenvolvimento das crianças, os resultados evidenciaram a relevância da mediação docente para o desenvolvimento integral e para a ampliação das aprendizagens das crianças bem pequenas.
CONCLUSÃO
Conclui-se que o entrelaçamento das diferentes linguagens no processo de ensino e aprendizagem de crianças de 0 a 3 anos possui grande relevância para o desenvolvimento integral infantil. As experiências vivenciadas por meio da música, da dança, das artes, das brincadeiras, da oralidade e das interações sociais favorecem a construção de conhecimentos, da expressão de sentimentos, da criatividade e da comunicação das crianças.
As múltiplas linguagens permitem que as crianças explorem o mundo de forma significativa, desenvolvendo habilidades cognitivas, sociais, emocionais e motoras. Nesse contexto, a Educação Infantil deve garantir práticas pedagógicas que valorizem o protagonismo infantil e respeitem as diferentes formas de expressão da criança.
O professor, enquanto mediador do processo educativo, possui importante papel na organização de experiências que estimulem a curiosidade, a imaginação, a participação e a sua autonomia. Assim, compreender e valorizar as múltiplas linguagens significa reconhecer a criança como sujeito ativo e capaz de construir aprendizagens significativas desde os primeiros anos de vida.
REFERÊNCIAS
ARAQUARI. MATRIZ CURRICULAR DE ENSINO DE ARAQUARI. Secretária de Educação, 2020.
BRASIL. Ministério da Educação. Temas Contemporâneos Transversais na BNCC. Brasília, DF: MEC,2019.
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2017.
BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Brasília: MEC, 2009.
KOHL, Marta Oliveira. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento: um processo sócio- histórico. São Paulo: Scipione, 1995.
VYGOTSKY, Lev Semionovich. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
MALAGUZZI, Loris. A criança tem cem linguagens. In: EDWARDS, Carolyn; GANDINI, Leila; FORMAN, Georg. As cem linguagens da criança. Porto Alegre: Artes Médicas, 2006.
https://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=9769- diretrizescurriculares-2012&category_slug=janeiro-2012-pdf&Itemid=30192, acesso em 04 de abril de 2024. https://blog-educacao.sesirs.org.br/a-bncc-e-os-campos-de-experiencias/, acesso em 04 de abril de 2024.
https://www.isciweb.com.br/revista/1033-as-diferentes-linguagens-na-educacao- infantil#:~:text=Existem%20v%C3%A1rios%20tipos%20de%20linguagens,sua%20contribui%C3%A7%C3%A3o%20na%20educa%C3%A7%C3%A3o%20infantil, acesso em 08 de abril de 2024.
https://dialogosviagenspedagogicas.com.br/blog/as-multiplas-linguagens-na-educacao- infantil/, acesso em 04 de abril de 2024.
file:///C:/Users/Cpu/Downloads/katiagostinho,+Cristiane+e+D%C3%83%C2%A9bora.p df, acesso em 08 de abril de 2024.
[1] CEI Prof° Heley de Abreu Silva Batista – Araquari/SC
Formação: Pós-graduação em Educação Infantil, Inclusiva e Séries Iniciais Pós-graduação em Orientação, Supervisão e Gestão Escolar Democrática
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