Da horta para a mesa – com a cesta da Dona Maricota
Juliana Mazetto Antonello Nodari
Marinês Jucelia Becker Lanzarin
Taysa Delarcos de Oliveira
RESUMO
O projeto “Da Horta para a Mesa – com a Cesta da Dona Maricota”, desenvolvido com estudantes do 1º ano do Ensino Fundamental, teve como propósito promover aprendizagens significativas relacionadas à alimentação saudável, ao cultivo de alimentos, ao cuidado com a natureza e à participação da família. A proposta teve como obra norteadora A Cesta da Dona Maricota e articulou atividades de leitura, escrita, matemática, ciências, educação alimentar, expressão artística e socialização. Ao longo de aproximadamente quatro semanas, os estudantes participaram de momentos de contação de história, observação e classificação de frutas, verduras e legumes, investigação sobre a origem dos alimentos, criação e acompanhamento de uma pequena horta escolar, registros no “Diário da Nossa Horta”, plantio em casa e preparação coletiva de uma receita saudável. As ações buscaram aproximar os conteúdos escolares das experiências cotidianas das crianças e fortalecer a parceria entre escola e família. Como culminância, foi proposta a realização de uma exposição “Da Horta para a Mesa”, reunindo produções dos estudantes, registros da horta, receitas, gráficos e experiências familiares. A avaliação considerou a participação, o desenvolvimento da oralidade, leitura e escrita, as aprendizagens matemáticas, a autonomia, a responsabilidade e o envolvimento nas atividades.
Palavras-chave: Alimentação saudável. Horta escolar. Literatura infantil. Família. Aprendizagem significativa. Interdisciplinaridade.
1 INTRODUÇÃO
A alimentação está presente no cotidiano das crianças e constitui uma possibilidade concreta para o desenvolvimento de aprendizagens relacionadas à saúde, à natureza, à cultura, à linguagem e às relações sociais. A escola, enquanto espaço de convivência, interação e compartilhamento de experiências, pode contribuir para que os hábitos e conhecimentos relacionados à alimentação sejam também incorporados ao contexto familiar. Nesse sentido, a alimentação oferecida no ambiente escolar exerce papel importante na promoção de hábitos alimentares adequados. Uma escola comprometida com a promoção da saúde busca, por meio do programa de alimentação escolar, incentivar práticas alimentares equilibradas e conscientes, contribuindo para que estudantes e suas famílias desenvolvam escolhas mais saudáveis e sustentáveis (ABERC, 2008). Nesse contexto, a escola pode contribuir para que os estudantes ampliem seus conhecimentos sobre os alimentos, compreendam sua origem e desenvolvam atitudes de cuidado consigo, com o outro e com o ambiente.
A Escola Municipal Professor Marcelino Espíndola Dutra propôs o projeto “Da Horta para a Mesa – com a Cesta da Dona Maricota”, tendo como obra norteadora A Cesta da Dona Maricota. A partir da literatura infantil, os estudantes foram envolvidos em situações de observação, pesquisa, leitura, escrita, classificação, contagem, plantio, acompanhamento do crescimento das plantas e degustação de alimentos.
A proposta buscou tornar a aprendizagem contextualizada e significativa, aproximando os conteúdos escolares de situações presentes na vida das crianças. O percurso partiu da história e dos alimentos presentes na cesta, avançou para a investigação sobre sua origem e chegou à experiência prática da horta, estabelecendo o caminho da semente à planta, da horta à colheita e da cozinha à mesa.
2 JUSTIFICATIVA
O projeto foi elaborado com a finalidade de favorecer a construção de conhecimentos e atitudes relacionados à alimentação saudável, incentivando o consumo de frutas, verduras e legumes e o cuidado com a natureza. A literatura infantil foi utilizada como elemento mobilizador para despertar a curiosidade e criar situações de aprendizagem que integrassem diferentes áreas do conhecimento.
A construção de uma pequena horta escolar ampliou as possibilidades de aprendizagem ao permitir que as crianças acompanhassem, de maneira concreta, o desenvolvimento das plantas, participando, de acordo com suas possibilidades, do preparo da terra, plantio, rega e observação. Paralelamente, a participação das famílias possibilitou que os aprendizados ultrapassassem o espaço escolar, valorizando saberes, costumes e experiências alimentares de cada grupo familiar.
3 OBJETIVOS
3.1 Objetivo geral
Desenvolver nas crianças conhecimentos e atitudes relacionados à alimentação saudável, incentivando o consumo de frutas, verduras e legumes, o cuidado com a natureza e a participação da família na construção de hábitos alimentares mais saudáveis.
3.2 Objetivos específicos
Conhecer e apreciar a história A Cesta da Dona Maricota; identificar diferentes frutas, verduras, legumes, raízes e tubérculos; reconhecer a importância de uma alimentação variada e equilibrada; compreender a origem de alguns alimentos e as etapas básicas de seu cultivo; criar e cuidar de uma pequena horta na escola; desenvolver atitudes de cuidado com o meio ambiente; estimular o consumo de alimentos naturais; ampliar o vocabulário e desenvolver habilidades de leitura e escrita a partir do tema; trabalhar cores, formas, tamanhos, quantidades e classificação dos alimentos; estimular a autonomia, a curiosidade, a observação e a investigação; promover interação, cooperação e socialização; e incentivar a participação das famílias, valorizando seus conhecimentos e costumes alimentares.
4 METODOLOGIA
O projeto foi desenvolvido de forma interdisciplinar, envolvendo atividades de linguagem, matemática, ciências, educação alimentar, expressão artística e convivência. Inicialmente, foi realizada a contação da história A Cesta da Dona Maricota, seguida de roda de conversa sobre a personagem, os alimentos presentes na cesta, as preferências das crianças e a origem dos alimentos. Como registro, cada estudante pôde produzir sua própria “Cesta da Dona Maricota”, desenhando ou selecionando alimentos considerados saudáveis.
Em seguida, foi organizada uma exposição de frutas, verduras e legumes para observação de cores, formatos, tamanhos, texturas, cheiros e nomes. Foram desenvolvidas atividades de classificação por categorias, cor, tamanho e formato, além do jogo “Quem sou eu?”, no qual as crianças identificaram alimentos a partir de pistas.
Outra etapa foi dedicada à investigação sobre a origem dos alimentos. A partir de perguntas como “Será que a cenoura nasce no supermercado?”, os estudantes foram conduzidos a compreender o percurso semente → planta → horta → colheita → cozinha → mesa. Cada criança pôde representar esse caminho por meio de desenho.
A horta escolar foi utilizada como espaço de aprendizagem prática. Entre as sugestões de cultivo estiveram alface, cebolinha, couve, salsa, cenoura, tomate-cereja e temperos, utilizando vasos, garrafas recicláveis, caixas ou outro espaço disponível. Os estudantes participaram do plantio, da rega e da observação do crescimento das plantas.
Para acompanhar esse processo, foi elaborado o “Diário da Nossa Horta”, com registros sobre a data do plantio, o que foi plantado, o aparecimento da primeira folha, o crescimento da planta e o momento previsto para a colheita. Os registros puderam ser feitos por desenhos, palavras, números ou pequenas frases.
A participação da família ocorreu por meio da proposta “Minha família também planta”, na qual cada família pôde plantar uma semente ou muda em casa, utilizando vaso ou recipiente reaproveitado. A criança acompanhou o crescimento e registrou a experiência por desenho, fotografia, anotações ou medida do crescimento da planta, compartilhando posteriormente a experiência com os colegas.
Também foi realizada uma receita saudável coletiva, como salada de frutas, salada colorida, sanduíche natural, suco natural, espetinho de frutas ou salada de verduras. Durante a atividade foram trabalhados higiene das mãos, cuidados com os alimentos, quantidade, sequência da receita e origem dos ingredientes, respeitando possíveis alergias, restrições alimentares e orientações da escola e das famílias.
O projeto integrou ainda situações de matemática e língua portuguesa. Foram propostas contagens, comparações de quantidades, organização por tamanho e cor, gráficos das frutas preferidas e pequenas situações-problema. Na linguagem, foi criado um Banco de Palavras da Dona Maricota, com atividades de leitura, identificação da letra inicial, formação de palavras com letras móveis, separação oral de sílabas, listas, frases e registros dos nomes dos alimentos.
5 DESENVOLVIMENTO INTERDISCIPLINAR
A proposta possibilitou o desenvolvimento da oralidade, da escuta e compreensão de histórias, da ampliação do vocabulário, da leitura e escrita, da produção de listas e frases e do relato de experiências. Em matemática, favoreceu a contagem, a correspondência entre número e quantidade, a comparação, a classificação, a organização e a interpretação de gráficos.
No campo das ciências e da educação alimentar, permitiu reconhecer diferentes tipos de alimentos, identificar sua origem, compreender etapas básicas do cultivo, desenvolver hábitos de higiene e perceber a importância de uma alimentação variada. No desenvolvimento socioemocional, estimulou autonomia, cooperação, responsabilidade, respeito às diferenças e participação em atividades coletivas.
6 ENVOLVIMENTO DA FAMÍLIA
A família foi convidada a participar de diferentes momentos do projeto, contribuindo com sementes e mudas, materiais recicláveis para a horta, receitas saudáveis, relatos sobre hábitos alimentares, experiências de plantio em casa e registros das atividades. A proposta considerou a alimentação saudável como uma construção conjunta entre criança, família e comunidade.
Outra atividade foi o desafio “Um alimento, uma história”, no qual cada família pôde escolher um alimento presente em sua rotina e compartilhar informações sobre quem costuma prepará-lo, como é preparado, de onde vem e por que a família gosta dele. A ação valorizou a cultura alimentar e os saberes familiares.
7 AVALIAÇÃO
A avaliação foi realizada de forma contínua e processual, considerando a participação e o desenvolvimento das crianças ao longo das etapas. Foram observados o envolvimento nas rodas de conversa e atividades, o desenvolvimento da oralidade, os avanços na leitura e escrita, a capacidade de classificar e quantificar, a compreensão sobre alimentação saudável, a participação nos cuidados com a horta, a autonomia, a responsabilidade, a interação com os colegas e a participação da família.
8 RESULTADOS ESPERADOS
Espera-se que os estudantes ampliem seus conhecimentos sobre frutas, verduras e legumes, reconheçam a origem de alguns alimentos e compreendam etapas básicas do cultivo das plantas. Pretende-se também favorecer o desenvolvimento de habilidades de leitura, escrita, oralidade e matemática, bem como atitudes de cuidado com a saúde, a natureza e o ambiente escolar.
Espera-se ainda fortalecer a autonomia, a cooperação, a responsabilidade e o respeito aos diferentes hábitos e costumes alimentares, além de ampliar a participação das famílias no processo educativo. Como produto final, a turma poderá produzir coletivamente o “Livro da Nossa Cesta Saudável”, reunindo desenhos, receitas, registros da horta, textos das crianças e experiências realizadas com as famílias.
9 CULMINÂNCIA
A culminância foi planejada com a realização da exposição “Da Horta para a Mesa”, envolvendo a comunidade escolar. Poderão ser apresentados a horta, desenhos dos alimentos, cestas saudáveis, produções relacionadas à história, Banco de Palavras, gráficos das frutas preferidas, registros das famílias, Diário da Horta e receitas saudáveis. Também poderá ser realizada uma “Feirinha da Dona Maricota”, na qual as crianças apresentarão os alimentos e os conhecimentos construídos ao longo do projeto.
10 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O projeto “Da Horta para a Mesa – com a Cesta da Dona Maricota” apresenta uma proposta de aprendizagem contextualizada, na qual a literatura infantil, a horta, a alimentação e a participação da família se articulam para aproximar os conteúdos escolares das experiências cotidianas das crianças. Ao vivenciar o percurso do alimento, da semente à mesa, os estudantes têm a oportunidade de observar, questionar, registrar, criar, compartilhar e construir conhecimentos.
A proposta reforça a importância de práticas pedagógicas que valorizem a participação ativa dos estudantes e a parceria entre escola e família. Dessa forma, a horta e a cesta deixam de ser apenas elementos do projeto e passam a constituir recursos para o desenvolvimento de aprendizagens, hábitos e valores relacionados ao cuidado com a alimentação, com a natureza e com a vida.
“Da horta para a mesa, aprendemos que cuidar da alimentação é cuidar da vida!”
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS EMPRESAS DE REFEIÇÕES COLETIVAS-ABERC. 2008. Anais do IV Forum Nacional de Merenda Escolar, São Paulo, Brasil.


