A importância do ensino de Ciências no Ensino Fundamental
Antônio Carlos de Lima Oliveira
Andréa Bezerra Ferreira
Flávia Michelle Ferreira Oliveira
Lígia Mara Ormond
Maria José Nunes Mota
RESUMO
O ensino de Ciências no Ensino Fundamental é muito importante para a formação dos estudantes, contribuindo para a compreensão dos fenômenos naturais, sociais e tecnológicos e para o desenvolvimento do pensamento crítico e científico. Este estudo teve como objetivo analisar a importância do ensino de Ciências no Ensino Fundamental, destacando suas contribuições para a formação científica, crítica e participativa dos estudantes. A pesquisa se caracteriza como bibliográfica, desenvolvida a partir da análise de artigos científicos e documentos relacionados ao ensino de Ciências, à alfabetização científica, ao ensino por investigação e às diferentes estratégias pedagógicas utilizadas no contexto escolar. A análise evidenciou que práticas investigativas, atividades experimentais, jogos didáticos, recursos lúdicos, laboratórios escolares e questões sociocientíficas podem favorecer maior participação dos estudantes e aproximar os conteúdos científicos de situações presentes em seu cotidiano. Constatou-se também que a diversificação das práticas pedagógicas contribui para superar metodologias centradas exclusivamente na transmissão e memorização de conteúdos. Conclui-se que o ensino de Ciências, quando desenvolvido de maneira contextualizada, investigativa e participativa, favorece a formação de estudantes mais autônomos, críticos e capazes de utilizar conhecimentos científicos na compreensão e interpretação da realidade.
Palavras-chave: Ensino de Ciências. Ensino Fundamental. Alfabetização científica. ensino por investigação. Estratégias pedagógicas.
1 INTRODUÇÃO
O ensino de Ciências no Ensino Fundamental desempenha papel relevante na formação dos estudantes, uma vez que possibilita a compreensão de fenômenos naturais, sociais, tecnológicos e ambientais presentes no cotidiano. Mais do que transmitir conceitos científicos, essa área do conhecimento pode contribuir para o desenvolvimento da curiosidade, da capacidade de investigação, da argumentação e do pensamento crítico. Nesse sentido, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) destaca que o ensino de Ciências deve favorecer o desenvolvimento do letramento científico, permitindo que os estudantes compreendam, interpretem e transformem o mundo com base nos conhecimentos e procedimentos próprios das Ciências da Natureza (Brasil, 2018).
A importância dessa área se mostra importante quando se considera que o contato com o conhecimento científico desde os primeiros anos da escolarização pode contribuir para a construção de uma postura investigativa diante da realidade. Brito e Fireman (2016) defendem que o ensino de Ciências por investigação representa uma possibilidade pedagógica relevante para a promoção da alfabetização científica nos primeiros anos do Ensino Fundamental, pois permite que os estudantes participem ativamente da construção do conhecimento. Dessa maneira, o ensino deixa de se limitar à memorização de conteúdos e passa a envolver questionamentos, levantamento de hipóteses, observação, discussão e busca de explicações para diferentes fenômenos.
Entretanto, a efetivação de um ensino de Ciências significativo ainda envolve diferentes desafios no contexto escolar. Daher e Machado (2016), ao analisarem as concepções de professores sobre o ensino de Ciências nos anos iniciais, evidenciam a importância da atuação docente e das escolhas metodológicas realizadas durante o processo educativo. Além disso, Silva, Ferreira e Viera (2017) apontam a necessidade de uma perspectiva de ensino capaz de ultrapassar práticas meramente transmissivas, contribuindo para uma educação transformadora e para a formação de sujeitos mais críticos e participativos. Diante disso, torna-se necessário compreender de que maneira diferentes estratégias pedagógicas podem favorecer a aprendizagem e ampliar o interesse dos estudantes pela área científica.
Nesse contexto, práticas como a experimentação, as atividades investigativas, os jogos didáticos, o uso do lúdico e a abordagem de questões sociocientíficas apresentam-se como possibilidades para aproximar os conteúdos científicos da realidade dos estudantes. Coelho e Malheiro (2019) ressaltam a experimentação como uma possibilidade didática importante para o ensino de Ciências nos anos iniciais, enquanto Taha et al. (2016) destacam seu potencial como ferramenta pedagógica no processo de ensino e aprendizagem. Da mesma forma, Gonzaga et al. (2017), Melo, Ávila e Santos (2017) e Pinheiro e Cardoso (2020) demonstram que recursos lúdicos e jogos didáticos podem favorecer a participação dos estudantes e contribuir para a construção dos conhecimentos científicos.
A partir dessas considerações, estabelece-se como problema de pesquisa a seguinte questão: qual é a importância do ensino de Ciências no Ensino Fundamental e de que maneira diferentes estratégias pedagógicas podem contribuir para uma aprendizagem científica mais significativa nesse nível de ensino? A investigação desse problema mostra-se pertinente diante da necessidade de compreender o ensino de Ciências não apenas como componente curricular, mas como elemento essencial para a formação de estudantes capazes de analisar situações cotidianas, posicionar-se criticamente e utilizar conhecimentos científicos na compreensão da sociedade.
O objetivo geral deste artigo é analisar a importância do ensino de Ciências no Ensino Fundamental, destacando suas contribuições para a formação científica, crítica e participativa dos estudantes. Como objetivos específicos, busca-se: compreender o papel do ensino de Ciências na formação dos estudantes do Ensino Fundamental; discutir a importância da alfabetização científica e do ensino por investigação no processo educativo; e identificar estratégias pedagógicas que possam favorecer uma aprendizagem mais dinâmica e significativa, com destaque para a experimentação, o lúdico, os jogos didáticos, os laboratórios escolares e as questões sociocientíficas. Tais estratégias podem proporcionar maior aproximação entre conhecimentos científicos e situações vivenciadas pelos estudantes, estimulando sua participação no processo de aprendizagem (Santana et al., 2019; Genovese; Genovese; Carvalho, 2019).
Quanto aos procedimentos metodológicos, o estudo caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica, realizada a partir da análise de publicações científicas e documentos relacionados ao ensino de Ciências no Ensino Fundamental. Foram utilizados como fontes artigos científicos que discutem alfabetização científica, ensino investigativo, experimentação, jogos didáticos, atividades lúdicas, laboratórios escolares e questões sociocientíficas, além da BNCC (Brasil, 2018). A pesquisa bibliográfica possibilita reunir e relacionar diferentes perspectivas teóricas sobre a temática, permitindo a construção de uma análise fundamentada acerca da relevância do ensino de Ciências e das práticas pedagógicas empregadas nesse componente curricular.
Para a organização da discussão, além desta introdução, o desenvolvimento do artigo encontra-se estruturado em três subtítulos. O primeiro, “A importância do ensino de Ciências na formação dos estudantes do Ensino Fundamental”, discute as contribuições dessa área para a compreensão da realidade e para o desenvolvimento do pensamento crítico e científico. O segundo, “Alfabetização científica e ensino de Ciências por investigação”, aborda a participação ativa dos estudantes na construção do conhecimento e a relevância das práticas investigativas no processo de aprendizagem. O terceiro, “Estratégias pedagógicas para o ensino de Ciências no Ensino Fundamental”, apresenta possibilidades como experimentação, atividades lúdicas, jogos didáticos, laboratórios escolares e abordagem de questões sociocientíficas. Por fim, a conclusão retoma os principais aspectos discutidos e apresenta as considerações decorrentes da pesquisa bibliográfica realizada.
2 DESENVOLVIMENTO
O ensino de Ciências no Ensino Fundamental é muito importante para a formação dos estudantes, pois favorece a compreensão dos fenômenos presentes no cotidiano e possibilita a construção de conhecimentos relacionados à natureza, à sociedade, à saúde, ao ambiente e às tecnologias. Conforme a BNCC, o ensino de Ciências deve contribuir para o desenvolvimento do letramento científico, permitindo que os estudantes compreendam e interpretem o mundo a partir de conhecimentos científicos (Brasil, 2018).
Nesse processo, é importante que as práticas pedagógicas ultrapassem a simples transmissão de conteúdos e promovam a participação ativa dos estudantes por meio da investigação, da experimentação, da problematização e de recursos diversificados. Brito e Fireman (2016) destacam que o ensino por investigação pode favorecer a alfabetização científica, enquanto Coelho e Malheiro (2019) apontam a experimentação como uma possibilidade didática capaz de aproximar os conhecimentos científicos da realidade dos estudantes. Dessa forma, compreender a importância do ensino de Ciências exige discutir tanto suas contribuições para a formação dos estudantes quanto as metodologias que podem tornar a aprendizagem mais significativa.
2.1 A importância do ensino de Ciências na formação dos estudantes do Ensino Fundamental
O ensino de Ciências no Ensino Fundamental possui papel fundamental na formação dos estudantes, pois contribui para que eles compreendam melhor os fenômenos naturais, sociais e tecnológicos presentes em seu cotidiano. Desde os primeiros anos da escolarização, o contato com conhecimentos científicos favorece o desenvolvimento da curiosidade, da capacidade de observar, questionar, comparar informações e buscar explicações para diferentes situações. A BNCC destaca que o ensino de Ciências deve possibilitar aos estudantes o desenvolvimento do letramento científico, entendido como a capacidade de compreender e interpretar o mundo, além de transformá-lo com base nos conhecimentos científicos (Brasil, 2018).
Nesse sentido, o ensino de Ciências deve ser compreendido como um processo que contribui para a formação integral do estudante. Silva, Ferreira e Viera (2017) ressaltam que o ensino de Ciências pode assumir uma perspectiva transformadora quando favorece a reflexão sobre a realidade e estimula o estudante a participar de forma crítica na sociedade. Assim, aprender Ciências significa desenvolver condições para analisar problemas, interpretar informações e tomar decisões relacionadas a situações que envolvem saúde, ambiente, tecnologia e qualidade de vida.
A presença das Ciências no Ensino Fundamental também é importante porque muitas das questões enfrentadas pelos estudantes em seu dia a dia possuem relação direta com conhecimentos científicos. Temas como alimentação, preservação ambiental, uso da água, doenças, tecnologias, consumo de energia e transformações da natureza podem ser discutidos no ambiente escolar de forma contextualizada. Genovese, Genovese e Carvalho (2019) destacam que a abordagem de questões sociocientíficas no ensino pode favorecer discussões que articulam ciência e sociedade, possibilitando ao estudante compreender que o conhecimento científico está relacionado a diferentes aspectos da vida social.
Outro aspecto relevante está relacionado ao desenvolvimento da autonomia intelectual dos estudantes. Quando o ensino de Ciências estimula a formulação de perguntas, o levantamento de hipóteses e a busca por respostas, o estudante deixa de ocupar uma posição exclusivamente passiva e passa a participar de maneira mais efetiva da construção de seu conhecimento. Brito e Fireman (2016) destacam que práticas investigativas nos primeiros anos do Ensino Fundamental podem contribuir significativamente para a alfabetização científica, pois aproximam os estudantes dos processos utilizados na construção do conhecimento científico e favorecem uma aprendizagem baseada na investigação e na resolução de problemas.
Entretanto, para que essas contribuições sejam efetivamente alcançadas, a forma como o ensino de Ciências é desenvolvido em sala de aula torna-se decisiva. Daher e Machado (2016) apontam que as concepções dos professores acerca do ensino de Ciências influenciam diretamente as práticas pedagógicas desenvolvidas nos anos iniciais. Dessa maneira, práticas restritas à leitura do livro didático, à cópia de conteúdos e à memorização de conceitos podem limitar a participação dos estudantes. Em contrapartida, propostas que valorizam a observação, o diálogo, a investigação e a relação entre teoria e cotidiano podem ampliar o interesse e a compreensão dos estudantes sobre os conteúdos científicos.
Dessa forma, a importância do ensino de Ciências no Ensino Fundamental está relacionada não apenas à aquisição de conhecimentos específicos da área, mas também à formação de sujeitos capazes de compreender e interpretar criticamente a realidade. Ao promover oportunidades de questionamento, investigação e reflexão, o ensino de Ciências contribui para o desenvolvimento de competências que podem ser utilizadas em diferentes situações da vida escolar e social. Conforme estabelecido pela BNCC, essa formação deve possibilitar aos estudantes compreenderem conceitos e processos científicos e utilizá-los na análise de questões presentes em seu cotidiano (Brasil, 2018). Assim, fortalecer o ensino de Ciências desde o Ensino Fundamental representa uma contribuição importante para a formação de cidadãos mais críticos, participativos e conscientes.
2.2 Alfabetização científica e ensino de Ciências por investigação
A alfabetização científica constitui um dos aspectos centrais do ensino de Ciências no Ensino Fundamental, pois está relacionada à capacidade dos estudantes de compreender conceitos, processos e fenômenos científicos e utilizá-los na interpretação de situações presentes em sua realidade. A BNCC ressalta que o ensino de Ciências deve promover o letramento científico, possibilitando aos estudantes compreender e interpretar o mundo natural, social e tecnológico, bem como transformá-lo com base nos conhecimentos das Ciências da Natureza (Brasil, 2018). Dessa maneira, a aprendizagem científica não deve se restringir à assimilação de informações, mas contribuir para que os estudantes desenvolvam formas mais críticas e fundamentadas de compreender o mundo.
Nesse processo, o ensino por investigação apresenta-se como uma estratégia pedagógica capaz de favorecer a alfabetização científica, uma vez que coloca o estudante em uma posição mais ativa durante a aprendizagem. Brito e Fireman (2016) destacam que a abordagem investigativa nos primeiros anos do Ensino Fundamental permite desenvolver atividades nas quais os estudantes são incentivados a observar situações, formular questionamentos, levantar hipóteses, buscar evidências e construir explicações. Essas ações possibilitam uma aproximação com características próprias da produção do conhecimento científico, ao mesmo tempo em que respeitam as possibilidades de aprendizagem das crianças.
O caráter investigativo do ensino de Ciências também contribui para superar práticas pedagógicas centradas exclusivamente na exposição de conteúdos e na memorização de respostas prontas. Nessa perspectiva, o professor não deixa de desempenhar uma função essencial, mas passa a atuar como mediador do processo de aprendizagem, criando situações que despertem a curiosidade e estimulem a participação dos estudantes. Segundo Brito e Fireman (2016), o ensino por investigação permite que os estudantes desenvolvam conhecimentos científicos a partir da resolução de problemas e da discussão das ideias construídas durante as atividades, favorecendo uma aprendizagem na qual a participação e a argumentação ocupam espaço significativo.
A investigação pode ser favorecida ainda pela utilização de atividades experimentais, principalmente quando estas não são realizadas apenas para demonstrar conteúdos previamente apresentados pelo professor. Taha et al. (2016) destacam que a experimentação pode assumir diferentes funções no ensino de Ciências, sendo importante que sua utilização esteja vinculada aos objetivos de aprendizagem e possibilite reflexão sobre os fenômenos observados. Coelho e Malheiro (2019) também ressaltam a experimentação como uma possibilidade didática para os anos iniciais do Ensino Fundamental, especialmente quando permite aos estudantes participar da construção dos conhecimentos e estabelecer relações entre as atividades desenvolvidas e os conceitos científicos.
Outro aspecto relevante para a alfabetização científica é a possibilidade de relacionar os conhecimentos trabalhados na escola às questões presentes na sociedade. Genovese, Genovese e Carvalho (2019) apontam que as questões sociocientíficas podem ser abordadas desde os anos iniciais do Ensino Fundamental, contribuindo para discussões que envolvem ciência, tecnologia e sociedade. Essa perspectiva amplia as possibilidades do ensino investigativo, pois permite que os estudantes analisem problemas que não possuem apenas uma dimensão científica, mas também apresentam implicações sociais, ambientais, culturais e éticas. Assim, o conhecimento científico pode ser utilizado como instrumento para compreender situações concretas e fundamentar posicionamentos.
Portanto, a alfabetização científica e o ensino por investigação apresentam estreita relação com uma concepção de ensino de Ciências voltada para a formação de estudantes participativos, curiosos e capazes de construir explicações fundamentadas. Ao proporcionar situações de questionamento, observação, investigação, experimentação e discussão, a escola amplia as possibilidades de desenvolvimento do pensamento científico e crítico. Conforme as orientações da BNCC, esse processo deve possibilitar aos estudantes não apenas conhecer conceitos científicos, mas desenvolver procedimentos e atitudes necessários para investigar problemas e participar de discussões relacionadas à ciência e às suas aplicações na sociedade (Brasil, 2018). Desse modo, o ensino investigativo constitui uma importante possibilidade para tornar a aprendizagem científica mais significativa ao longo do Ensino Fundamental.
2.3 Estratégias pedagógicas para o ensino de Ciências no Ensino Fundamental
A utilização de diferentes estratégias pedagógicas no ensino de Ciências pode favorecer uma aprendizagem mais dinâmica, participativa e significativa no Ensino Fundamental. Quando o professor diversifica as metodologias utilizadas em sala de aula, amplia as possibilidades de envolvimento dos estudantes e facilita a compreensão de conteúdos que, muitas vezes, podem ser considerados abstratos ou distantes da realidade. Nesse sentido, atividades experimentais, jogos didáticos, práticas lúdicas, uso de laboratórios e abordagem de questões sociocientíficas constituem recursos capazes de aproximar os conhecimentos científicos das experiências cotidianas dos estudantes e estimular maior participação durante o processo educativo (Coelho; Malheiro, 2019; Gonzaga et al., 2017).
Entre essas possibilidades, a experimentação apresenta destaque no ensino de Ciências, uma vez que possibilita observar fenômenos, levantar hipóteses, analisar resultados e estabelecer relações entre conhecimentos teóricos e situações concretas. Coelho e Malheiro (2019) afirmam que a experimentação pode representar uma possibilidade didática importante para os anos iniciais do Ensino Fundamental, especialmente quando favorece a participação do estudante na construção do conhecimento. Taha et al. (2016) também ressaltam que as atividades experimentais podem contribuir para a aprendizagem quando são utilizadas de maneira planejada, não se limitando à simples reprodução de procedimentos ou demonstração de conceitos previamente apresentados.
A presença de laboratórios escolares também pode contribuir para o desenvolvimento de práticas experimentais mais frequentes e organizadas. Santana et al. (2019) destacam a importância dos laboratórios no Ensino Fundamental como espaços que podem favorecer atividades práticas relacionadas aos conteúdos científicos. Entretanto, a utilização da experimentação não deve depender exclusivamente da existência de um laboratório estruturado, pois diferentes experiências podem ser desenvolvidas em sala de aula ou em outros ambientes da escola, desde que sejam observadas as condições de segurança e os objetivos pedagógicos. Assim, mais importante do que dispor de equipamentos sofisticados é planejar atividades que permitam ao estudante observar, investigar e refletir sobre os fenômenos estudados.
Outra estratégia relevante corresponde ao uso de jogos didáticos, que podem contribuir para tornar o ensino de Ciências mais atrativo e estimular o envolvimento dos estudantes. Gonzaga et al. (2017) indicam que os jogos didáticos podem funcionar como recursos complementares no processo de ensino e aprendizagem, promovendo interação, participação e revisão de conhecimentos. Da mesma forma, Melo, Ávila e Santos (2017) demonstram que a utilização de jogos no ensino de Ciências pode favorecer a motivação e proporcionar situações de aprendizagem diferenciadas. Contudo, para que esses recursos apresentem finalidade educativa, precisam estar articulados aos conteúdos trabalhados e aos objetivos previamente estabelecidos pelo professor.
As atividades lúdicas também possuem potencial para contribuir com a aprendizagem científica, principalmente por permitirem que os estudantes aprendam de forma mais participativa e envolvente. Pinheiro e Cardoso (2020), ao analisarem estudos relacionados ao lúdico no ensino de Ciências, evidenciam sua relevância como possibilidade metodológica para favorecer a construção do conhecimento. Nesse contexto, jogos, brincadeiras, desafios, modelos, atividades práticas e outras propostas lúdicas podem ser utilizadas para estimular a curiosidade e facilitar a compreensão de conceitos científicos. O caráter lúdico, entretanto, não deve ser compreendido apenas como entretenimento, mas como um recurso pedagógico que necessita de intencionalidade e mediação docente.
Além das estratégias práticas e lúdicas, a abordagem de questões sociocientíficas pode ampliar a relação entre os conteúdos escolares e problemas presentes na sociedade. Genovese, Genovese e Carvalho (2019) destacam que essas questões podem ser trabalhadas desde os anos iniciais do Ensino Fundamental, permitindo a discussão de temas que articulam conhecimentos científicos e situações de relevância social. Dessa maneira, temas relacionados à saúde, ao meio ambiente, às tecnologias, ao consumo e à qualidade de vida podem ser utilizados para promover reflexão e argumentação. A combinação dessas diferentes estratégias contribui para um ensino de Ciências menos centrado na memorização e mais voltado à participação dos estudantes, em consonância com a proposta da BNCC de desenvolver competências que possibilitem investigar, compreender e analisar fenômenos do mundo natural, social e tecnológico (BRASIL, 2018).
3 CONCLUSÃO
O desenvolvimento deste estudo permitiu compreender que o ensino de Ciências possui significativa importância na formação dos estudantes do Ensino Fundamental, uma vez que contribui para a compreensão dos fenômenos naturais, sociais e tecnológicos presentes no cotidiano. Mais do que proporcionar a aquisição de conceitos científicos, esse componente curricular pode favorecer o desenvolvimento da curiosidade, do pensamento crítico, da capacidade de investigação e da autonomia dos estudantes. Dessa forma, considera-se que o objetivo geral da pesquisa foi alcançado ao evidenciar as contribuições do ensino de Ciências para uma formação científica, crítica e participativa.
Em relação ao problema de pesquisa, verificou-se que a importância do ensino de Ciências está diretamente relacionada tanto aos conhecimentos que proporciona quanto às formas pelas quais esses conhecimentos são trabalhados no ambiente escolar. A alfabetização científica e o ensino por investigação apresentam-se como possibilidades relevantes para superar práticas baseadas exclusivamente na transmissão e memorização de conteúdos. A participação dos estudantes em atividades investigativas favorece a elaboração de questionamentos, hipóteses e explicações, aproximando-os dos processos envolvidos na construção do conhecimento científico e tornando a aprendizagem mais significativa.
Também foi possível identificar que a diversificação das estratégias pedagógicas pode ampliar o interesse e a participação dos estudantes nas aulas de Ciências. A experimentação, os jogos didáticos, as atividades lúdicas, os laboratórios escolares e a abordagem de questões sociocientíficas oferecem diferentes possibilidades para relacionar teoria e prática e aproximar os conteúdos científicos das experiências dos estudantes. Essas estratégias contribuem para tornar as aulas mais dinâmicas, participativas e contextualizadas, favorecendo a construção do conhecimento de maneira mais ativa.
Conclui-se, portanto, que fortalecer o ensino de Ciências no Ensino Fundamental é fundamental para proporcionar aos estudantes uma formação que ultrapasse o domínio de conteúdos escolares. É necessário que as práticas pedagógicas estimulem a investigação, a reflexão, o diálogo e a aplicação dos conhecimentos científicos em diferentes situações. Para isso, a atuação do professor e a escolha de estratégias adequadas às características dos estudantes são elementos essenciais. Assim, um ensino de Ciências contextualizado, investigativo e diversificado pode contribuir para formar indivíduos mais preparados para compreender criticamente a realidade, tomar decisões fundamentadas e participar de maneira consciente das questões científicas, ambientais, tecnológicas e sociais presentes na sociedade.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Brasília: MEC, 2018. Disponível em: https://basenacionalcomum.mec.gov.br/ Acesso em: 01 set. 2026.
BRITO, Liliane Oliveira de; FIREMAN, Elton Casado. Ensino de ciências por investigação: uma estratégia pedagógica para promoção da alfabetização científica nos primeiros anos do ensino fundamental. Ensaio pesquisa em Educação em Ciências (Belo horizonte), v. 18, n. 1, p. 123-146, 2016. Disponível em: https://www.scielo.br/j/epec/a/mhnc5kG5WVLGNZMsBwwVbBJ/?lang=pt Acesso em: 01 set. 2026.
COELHO, Antonia Ediele de Freitas; MALHEIRO, João Manoel da Silva. O Ensino de Ciências para os anos iniciais do Ensino Fundamental: a experimentação como possibilidade didática. Research, Society and Development, v. 8, n. 6, p. 01-21, 2019. Disponível em: https://www.redalyc.org/journal/5606/560662197022/ Acesso em: 01 set. 2026.
DAHER, Alessandra Ferreira Beker; MACHADO, Vera de Mattos. Ensino de ciências nos anos iniciais do ensino fundamental: o que pensam os professores. Revista da SBEnBio, v. 1, n. 9, 2016.
Disponível em: https://extensao.ifg.edu.br/clubedeciencias/wp-content/uploads/sites/12/2018/09/1753.pdf Acesso em: 01 set. 2026.
GENOVESE, Cinthia Leticia de Carvalho Roversi; GENOVESE, Luiz Gonzaga Roversi; CARVALHO, Washington Luiz Pacheco. Questões sociocientíficas: origem, características, perspectivas e possibilidades de implementação no ensino de ciências a partir dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Amazônia: Revista de Educação em Ciências e Matemáticas, v. 15, n. 34, p. 8-17, 2019.
Disponível em: https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=8091932 Acesso em: 01 set. 2026.
GONZAGA, Glaucia Ribeiro et al. Jogos didáticos para o ensino de Ciências. Revista Educação Pública, v. 17, n. 7, p. 1-12, 2017. Disponível em: https://www.academia.edu/download/52500956/JOGOS_DIDATICOS_PARA_O_ENSINO_DE_CIENCIAS_-_publicado.pdf Acesso em: 01 set. 2026.
MELO, Ana Carolina Ataides; ÁVILA, Thiago Medeiros; SANTOS, Daniel Medina Corrêa. Utilização de jogos didáticos no ensino de ciências: um relato de caso. Ciência Atual–Revista Científica Multidisciplinar do Centro Universitário São José, v. 9, n. 1, 2017.
Disponível em: https://revista.saojose.br/index.php/cafsj/article/view/170 Acesso em: 01 set. 2026.
PINHEIRO, Adriana Ramos; CARDOSO, Sheila Pressentin. O lúdico no ensino de ciências: uma revisão na Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências. Revista Insignare Scientia-RIS, v. 3, n. 1, p. 57-76, 2020. Disponível em: https://www.academia.edu/download/83496650/7374.pdf Acesso em: 01 set. 2026.
SANTANA, Salete de Lourdes Cardoso et al. O ensino de ciências e os laboratórios escolares no Ensino Fundamental. VITTALLE-Revista de Ciências da Saúde, v. 31, n. 1, p. 15-26, 2019. Disponível em: https://periodicos.furg.br/vittalle/article/view/8310 Acesso em: 01 set. 2026.
SILVA, Alexandre Fernando da; FERREIRA, José Heleno; VIERA, Carlos Alexandre. O ensino de Ciências no ensino fundamental e médio: reflexões e perspectivas sobre a educação transformadora. Revista Exitus, v. 7, n. 2, p. 283-304, 2017. Disponível em:http://educa.fcc.org.br/scielo.php?pid=S2237-94602017000200283&script=sci_arttext Acesso em: 01 set. 2026.
TAHA, Marli Spat et al. Experimentação como ferramenta pedagógica para o ensino de ciências. Experiências em Ensino de Ciências, v. 11, n. 1, p. 138-154, 2016. Disponível em:
https://if.ufmt.br/eenciojs/index.php/eenci/article/view/552 Acesso em: 01 set. 2026.


