A evolução da tecnologia e seu uso educacional

Rebeca Aparecida dos Santos Lima

 

DOI: 10.5281/zenodo.22666403

 

 

RESUMO

O presente artigo apresenta um percurso histórico das transformações tecnológicas, iniciando pelas primeiras formas de registro por meio de símbolos pictóricos e pelo desenvolvimento da escrita em diferentes civilizações. Na sequência, aborda a história da computação, desde as primeiras máquinas destinadas à realização de cálculos matemáticos até o surgimento dos computadores e suas transformações ao longo do tempo. Por fim, discute diferentes possibilidades de utilização das tecnologias no contexto educacional, abrangendo a computação criativa, a criação de jogos, animações e histórias com finalidade educativa, ferramenta baseada em inteligência artificial voltadas à aprendizagem com a utilização cadernos digitais e recursos de tecnologia assistiva.

 

Palavras-chaves: Tecnologia. História da escrita. História da computação. Tecnologias Educacionais.

 

 

Abstract

This article presents a historical overview of technological transformations, beginning with the earliest forms of recording through pictorial symbols and the development of writing across different civilizations. It then addresses the history of computing, from the earliest machines designed to perform mathematical calculations to the emergence of computers and their transformations over time. Finally, it discusses different possibilities for the use of technologies in educational contexts, including creative computing, the creation of games, animations, and stories for educational purposes, artificial intelligence-based tools aimed at supporting learning through the use of digital notebooks, and assistive technology resources.

 

Keywords: Technology. History of Computing. Educational Technologies. Artificial Intelligence. Assistive Technology.

 

 

INTRODUÇÃO

 

Desde os primórdios da humanidade, o ser humano busca comunicar seus pensamentos, transmitir conhecimento, crenças, cultura e modos de vida por meio de diferentes formas. Uma dessas formas, que atravessa milênios, é a comunicação simbólica, inicialmente realizada por meio de desenhos e, posteriormente, pela linguagem escrita. Essas marcas artísticas e gráficas refletem a identidade de um povo, as transformações sociais ao longo das eras, e este novo uso tecnológico.

Com o passar do tempo, a sociedade evoluiu e buscou novas formas de se aperfeiçoar, surgindo tecnologias que facilitaram a comunicação, a transmissão de conhecimento e a vida em sociedade. Nesse contexto, o advento do computador se destaca como marco e precursor da tecnologia moderna.

A história da computação reflete a evolução tecnológica da sociedade moderna, paralela ao fenômeno da globalização impulsionado pela internet. As mudanças no estilo de vida decorrentes do uso de recursos tecnológicos evidenciam a necessidade de evolução e de quebra de paradigmas para uma inserção mais consciente dessas ferramentas no cotidiano, especialmente na educação.

Nesse sentido, a educação vem evoluindo paralelamente às tecnologias. Elas já fazem parte do cotidiano das crianças por meio de sites, aplicativos e jogos, oferecendo uma gama ampla de possibilidades tanto de entretenimento quanto voltadas à área educacional. A área educacional é um campo amplo, no qual se destaca o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs). Segundo a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), “fazer uso de tecnologias de informação e comunicação possibilita aos alunos ampliar sua compreensão de si mesmos, do mundo natural e social, das relações dos seres humanos entre si e com a natureza.” (BRASIL, 2018, p. 58).

Nesta perspectiva, este artigo pretende analisar a história da escrita como marco da comunicação e da tecnologia, perpassando pelo advento do computador e da internet e observando seus reflexos e possíveis usos no campo educacional. Assim, esta pesquisa será desenvolvida através de fundamentação teórica de caráter qualitativo.

 

 

A HISTÓRIA DA ESCRITA

 

Desde os primeiros passos da humanidade, o ser humano buscou maneiras de expressar o que pensa, sente e observa. Para isso, recorreu a formas simbólicas que, ao longo do tempo, evoluíram dos simples traços às complexas linguagens escritas. Segundo Braga:

 

As convenções linguísticas surgiram quando determinados sons e movimentos do corpo ganharam sentidos em certos contextos de práticas sociais específicas e passaram a serem usados coletivamente de forma convencional (parte do repertório de conhecimento prévio compartilhado pelo grupo social). Ou seja, esses movimentos e sons passam a serem usados como signos linguísticos, permitindo a comunicação entre indivíduos dos agrupamentos humanos. (BRAGA, 2013, p. 26)

 

Entre esses primeiros registros estão as pinturas rupestres, nas quais os grupos pré-históricos representavam cenas do cotidiano — a caça, a pesca, a domesticação de animais — nas paredes e tetos das cavernas. Utilizando pigmentos naturais, sangue de animais e instrumentos rudimentares como pedras e ossos, esses povos deixaram marcas que revelam não apenas sua rotina, mas também a necessidade humana de narrar o mundo. Segundo Alves “As populações humanas que constituíram suas singularidades culturais antes do período da escrita alfabética fizeram das imagens grafadas seu código de comunicação.” (ALVES, 2010, p.31).

No Brasil existem diversos sítios arqueológicos espalhados pelo território que perpetuam essa forma de comunicação simbólica. Neste contexto com um campo amplo e significativo duas arqueólogas, Marilia Perazzo, pesquisadora do Museu de

Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP, e Daniela Cisneiros, docente do Departamento de Arqueologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), lançaram dois livros pela editora C& M Arqueologia com a temática Arte Rupestre (Vamos falar sobre arqueologia? e Vamos Falar sobre Arte Rupestre?). As obras literárias são em formato de Histórias em Quadrinhos (HQs) e retratam as aventuras do grupo de estudantes Luna, Tito, Kika, Gab e Pedro em diferentes sítios arqueológicos do Estado de São Paulo. Segundo a autora Marília “Partimos dos questionamentos que mais ouvíamos dos alunos, cruzando-os com conceitos da arqueologia” (JORNAL DA USP, 2026). Na imagem abaixo vemos duas imagens da HQ:

 

Fonte: https://jornal.usp.br/universidade/arqueologas-transformam-arte-rupestre-em-aventura-cientifica-para-criancas-em-novo-livro/

 

Por volta de 3.300 a.C. surge na Mesopotâmia com os sumérios um sistema de escrita baseado na escrita “cuneiforme” (ou seja, em formato de cunha) nas tábuas de argila, sua função era inicialmente de caráter contábil e administrativo. Esse é o primeiro registro conhecido de escrita da humanidade. Segundo Julien:

 

“É a cidade-estado que surge no horizonte da experiência humana. São nelas que se consolidam, e se expressam pela primeira vez, de forma clara e contundente, práticas culturais que estão no cerne do que concebemos como vida civilizada. A escrita e a máquina estatal com seus aparatos burocráticos e militares complexos são alguns dos exemplos que podem ser chamados para mostrar a importância das realizações operadas nesse momento.”(JULIEN, 2011, p.45)

 

Figura 2 – A Escrita cuneiforme


Fonte: https://universodahistoria.blogspot.com/2010/07/escrita-cuneiforme.html

 

Com o desenvolvimento das civilizações, diferentes formas de escrita surgiram e se aperfeiçoaram. Entre elas, destacam-se os hieróglifos, um dos mais antigos sistemas de escrita do Egito Antigo. Esse sistema evoluiu de uma escrita pictórica para uma forma mais complexa, que combinava diferentes tipos de sinais para representar objetos, ideias e sons (FERREIRA JÚNIOR, 2026). Entre elas, os hieróglifos, que surgiu em 3200 a. C e se destacam como um dos sistemas mais influentes da antiguidade:

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Fonte: https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/reportagem/hieroglifos-conheca-a-escrita-sagrada-do-antigo-egito.phtml

 

À medida que novas civilizações floresciam, outras formas de escrita surgiam, cada uma revelando modos particulares de compreender o mundo. Na cultura chinesa, os ideogramas se tornaram a base de um sistema pictórico singular, no qual os sinais não apenas representavam objetos, mas também ideias e sentidos. Como observa Braga, “nos ideogramas os desenhos representam sentidos e não são vinculados diretamente à língua falada” (BRAGA, 2013, p. 28). Entretanto, vemos que um ideograma pode ser a base de outras palavras, como por exemplo a palavra “água”, que acrescida de outros ideogramas transforma-se na palavra “quarta-feira”:


Fonte: https://www.instagram.com/p/DDngNJTzx7e/

 

A escrita como conhecemos hoje surgiu quando os símbolos passaram a representar sons, especialmente com o povo fenício, cujo sistema possuía 22 sinais. Posteriormente, os gregos e romanos ampliaram esse sistema para 24 sinais. Nosso alfabeto atual deriva dessa tradição greco-romana, em que cada sinal gráfico corresponde a um som.

Com a evolução tecnológica, surgiram novos recursos digitais para leitura e escrita, como e-readers, tablets e smartphones, que permitem armazenar verdadeiras bibliotecas digitais. Além dos textos, esses dispositivos incorporam elementos audiovisuais. Como afirma Braga (2013), os recursos digitais ampliaram a hibridização de linguagens, mesclando textos verbais, imagens e sons.

A história da escrita revela a evolução humana e seu impacto na formação das sociedades. As representações gráficas e simbólicas possibilitaram o desenvolvimento tecnológico e a preservação da cultura, pois constituem um sistema aprendido e transmitido entre gerações, permitindo registrar modos de vida e promover estudos e aperfeiçoamentos futuros.

 

 

A HISTÓRIA DA COMPUTAÇÃO

 

O mundo passou por diversas transformações decorrentes dos avanços tecnológicos, que modificaram significativamente as formas de interação, comunicação e organização da vida em sociedade. Com a intensificação do processo de globalização, a circulação de informações tornou-se mais rápida e abrangente, favorecendo a conexão entre diferentes contextos sociais e geográficos. Nesse cenário, o desenvolvimento dos sistemas computacionais representou um importante marco, ao ampliar as possibilidades de processamento, armazenamento e compartilhamento de informações.

A trajetória dos sistemas computacionais é caracterizada por diferentes períodos de desenvolvimento, nos quais os avanços tecnológicos proporcionaram a expansão das funcionalidades e das possibilidades de aplicação dos computadores (SILVA, 2025).

Neste sentido, os primeiros dispositivos eram utilizados com fins matemáticos e realizavam cálculos, conhecido como ábaco:

 

Podemos assim considerar, que a Matemática nos primórdios foi uma atividade humana sobre a natureza tendo em vista, a alteração desta realidade por meio de seu trabalho. Desse processo decorre a origem de um dos primeiros meios utilizados para cálculo, o Ábaco. Esse foi elaborado como um material (instrumento) que auxiliava na realização de cálculos de grande quantidade, principalmente, depois da invenção do sistema de numeração decimal, o qual devido à sua complexidade exigia novas formas de cálculos. Assim, o Ábaco foi utilizado para realização de operações matemáticas, auxiliando o desenvolvimento do raciocínio e tornando o cálculo mais rápido. (SOUZA, 2016, p.3)

 

Entretanto dentre esses dispositivos de cálculos, temos a Máquina Analítica de Charles Babbage, segundo Silva “foi concebida para executar qualquer cálculo matemático ou lógico, desde que devidamente programada” (SILVA, 2025, p. 121).

Em continuidade ao trabalho de Babbage, Ada Lovelace colaborou com a Máquina Analítica. Ada Lovelace desenvolveu estudos relacionados à Máquina Analítica de Charles Babbage e, ao traduzir o trabalho de Menabrea, acrescentou notas próprias, entre elas um algoritmo destinado ao cálculo dos números de Bernoulli (SILVA et al., 2019).

No século XX, o desenvolvimento dos computadores eletrônicos impulsionou a evolução da tecnologia computacional, pois a incorporação de componentes eletrônicos em substituição às partes mecânicas possibilitou a criação de máquinas mais rápidas e eficientes (SILVA, 2025).

Um dos primeiros computadores é o ENIAC, segundo Goldstine (1972, apud, SILVA, 2025, p.123):

 

O ENIAC é amplamente reconhecido como o primeiro computador eletrônico de uso geral. Ele foi capaz de realizar cálculos a uma velocidade muito superior à de seus predecessores mecânicos. Equipado com cerca de 18 mil válvulas termiônicas, o ENIAC podia realizar 5 mil operações aritméticas por segundo, um feito impressionante para a época.

 

Em 1947 com a invenção do transistor por John Bardeen, houve uma grande evolução na era computacional. O desenvolvimento do transistor representou uma importante inovação no campo dos dispositivos eletrônicos, uma vez que o componente semicondutor poderia atuar como amplificador e oscilador, desempenhando funções até então realizadas por válvulas eletrônicas (BARDEEN; BRATTAIN, 1948).

Na década de 1970, surgiram os computadores pessoais (PCs), que ampliaram o acesso à computação para indivíduos e pequenas empresas, diferentemente do período anterior, em que os computadores eram máquinas grandes e de alto custo, utilizadas principalmente por governos, universidades e grandes corporações (SILVA, 2025).

Entre os computadores pessoais destaca-se o projeto de Steve Jobs e Steve Wozniak:

 

“A partir de 1979 ele e seu amigo Wozniak iniciaram a criação de um projeto que iria revolucionar tudo em matéria de hardware e software. Era o então Projeto Macintosh, que ainda estava em suas cabeças e no papel. Esse projeto sugeria o desenvolvimento de uma interface gráfica baseada por navegação de ícones, pastas e janelas (a chamada GUI), tudo isso acionado por um mouse – naqueles tempos os computadores somente usavam comando de teclado.” (PEREIRA et. al., 2006, p.13-14)

 

Contudo os PCs tiveram um papel preponderante no desenvolvimento da internet e do Word Wide Web, segundo Gates (1995, apud, SILVA, 2025, p. 127):

 

“Os PCs também desempenharam um papel crucial no desenvolvimento da Internet e da World Wide Web na década de 1990, ao fornecer a infraestrutura necessária para que indivíduos e pequenas empresas se conectassem globalmente. A acessibilidade dos computadores pessoais democratizou a informação e o conhecimento, abrindo novas oportunidades para educação, negócios e inovação.”

 

Com o desenvolvimento da computação em rede, ocorreu também uma ampliação do acesso à Internet e à Web. Nesse processo, o desenvolvimento de programas navegadores para computadores pessoais contribuiu para tornar o acesso à Web mais abrangente. Segundo Bax (1998, p. 7):

 

“Até o desenvolvimento de programas navegadores, ou browsers, para as plataformas Windows e Macintosh, o acesso à Internet através da interface Web era restrito apenas a supercomputadores. A chegada da Web aos computadores pessoais (PCs) só ocorreu com o lançamento da versão do navegador Mosaic do NCSA (National Center for Supercomputing Applications) em 1993 [8]. Desde então, uma multidão de outras empresas, notadamente a Netscape com o seu Netscape Navigator e, com algum tempo de atraso, a Microsoft com o Internet Explorer, desenvolveram também programas de navegação similares. As versões mais recentes dos programas servidores Web para Windows e Macintosh simplificou e democratizou o desenvolvimento de sites Web em PCs. Um serviço Web básico pode ser criado com o auxílio das ferramentas mais recentes, utilizando-se um PC e algumas poucas horas de trabalho. Entretanto, dependendo da extensão e da dinâmica de alteração das informações, recursos humanos dedicados ainda são essenciais para o sucesso de um site.”

 

A história da computação passou por diferentes fases, cada uma marcada pela incorporação de novos elementos e tecnologias que contribuíram significativamente para a configuração da computação como a conhecemos atualmente.

 

 

A TECNOLOGIA NA ÁREA EDUCACIONAL

 

A tecnologia compreende um amplo campo de possibilidades e recursos que podem ser incorporados ao contexto educacional. Atualmente, diferentes ferramentas tecnológicas estão presentes nas práticas educativas, podendo contribuir tanto para a organização das atividades quanto para os processos de ensino e aprendizagem. Suas possibilidades, entretanto, não se restringem a essas funções, uma vez que diferentes recursos podem ser utilizados em propostas de ensino híbrido, em práticas pedagógicas diversificadas e no desenvolvimento de estratégias relacionadas à acessibilidade e às tecnologias assistivas.

Entretanto, o desenvolvimento tecnológico de computadores e consoles ampliou a qualidade gráfica dos videogames, permitindo representações mais detalhadas de cenários, acontecimentos e movimentos dos personagens. Além de favorecer a experiência de imersão, esses jogos podem transmitir conhecimentos históricos, tornando importante que os professores compreendam suas características e possibilidades de utilização em sala de aula (FONTOURA, 2018).

Nesse contexto, sites, aplicativos e outras ferramentas digitais constituem alguns dos recursos tecnológicos que podem ser empregados no âmbito educacional, assumindo diferentes funções de acordo com os objetivos e as estratégias pedagógicas adotadas.

A ampliação do uso das tecnologias digitais, especialmente entre crianças e jovens, juntamente com a expansão da internet, das redes sociais e dos dispositivos portáteis, tem impulsionado novas experiências e pesquisas voltadas à inserção dos recursos tecnológicos no contexto educacional (FONTOURA, 2018).

As Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) estão presentes em diferentes contextos da sociedade, incluindo a área educacional. Nesse sentido, Ramos (2011) compreende as tecnologias como mediadoras das relações estabelecidas entre o ser humano e o meio:

 

“as tecnologias servem como mediadores do homem com seu meio, refletindo a essência humana de mediatizar suas relações pelo uso de ferramentas e signos. E nesse processo de mediatização torna-se possível ampliar a compreensão sobre o mundo e as possibilidades de intervenção.” (RAMOS, 2011, p.47)

 

Entretanto, ao incorporar as TICs às práticas educacionais, é necessário considerar sua funcionalidade e sua relação com os objetivos pedagógicos propostos, para que sua utilização não se restrinja à simples inserção de uma ferramenta digital. Nesse sentido, Braga (2013, p. 59) afirma:

 

Não é a incorporação da tecnologia que determina as mudanças nas práticas de ensino, mas sim o tipo de uso que o professor faz das possibilidades e recursos oferecidos pelas TICs. Para tal uso ser pedagogicamente produtivo é preciso “trazer Sócrates para o presente”, ou seja, é preciso rever algumas tradições naturalizadas e cristalizadas nas práticas de sala de aula e refletir sobre os caminhos alternativos.

 

De acordo com Brennan, Balch e Chung (2014), a computação criativa possibilita uma relação mais ativa dos jovens com as tecnologias, valorizando a criatividade, a imaginação e a produção de conteúdos digitais. Além disso, favorece o desenvolvimento do pensamento computacional e a utilização de conceitos e práticas computacionais em diferentes contextos.

Entre os recursos que se aproximam da proposta da computação criativa encontra-se o Scratch, uma linguagem de programação visual que possibilita a criação de projetos por meio da organização de blocos de comandos. Suas características permitem diferentes possibilidades de criação e utilização no contexto educacional. Segundo Varela (2017, p. 7):

 

O Scratch é um programa de computador no qual é possível escrever uma série de instruções que dirá ao computador o que deve ser feito. Com ele, podemos criar nossas próprias histórias, jogos ou animações, e tudo isso é feito através de uma linguagem de programação. Foi desenvolvido pelo Media Lab do MIT em 2007, e tem como principais características a facilidade e acessibilidade, permitindo que pessoas no mundo todo comecem seus estudos em programação.

 

Outra ferramenta que pode ser utilizada no contexto educacional e que abrange diferentes possibilidades é o NotebookLM, desenvolvido pelo Google. O recurso utiliza inteligência artificial e permite a criação de cadernos, além de auxiliar na organização e no resumo de informações. Segundo Carvalho e Carvalho (2025, p. 285):

 

(...) o NotebookLM atua como um assistente de pesquisa pessoal. Ele não cria conteúdo do zero nem inventa informações, mas sim processa e organiza os dados fornecidos. Isso permite que se gaste menos tempo procurando por informações e mais tempo analisando, pensando criticamente e criando, sendo este uma ferramenta poderosa para estudantes, pesquisadores, escritores e qualquer pessoa que lide com um grande volume de textos e precise otimizar sua rotina de estudo e trabalho.

 

As tecnologias digitais também podem contribuir para a acessibilidade, como no caso do Xulia, software de reconhecimento de voz que possibilita a pessoas com limitações motoras utilizar o computador por meio da fala, reduzindo a necessidade do teclado e do mouse. (REIS, 2017)

 

 

CONCLUSÃO

 

Desde seu surgimento, a humanidade vem passando por diferentes transformações, ampliando as formas de compreender, interpretar, interagir e ressignificar o mundo ao seu redor. Entre essas transformações, destacam-se os avanços tecnológicos. Ao longo da história, diferentes formas de registro e comunicação foram desenvolvidas, desde as representações simbólicas presentes nas paredes das cavernas até o surgimento de sistemas de escrita constituídos por marcas gráficas. Posteriormente, foram desenvolvidas as primeiras máquinas de cálculo e, com o avanço tecnológico, os primeiros computadores. Esse processo de transformação também produziu reflexos significativos na área educacional, modificando as formas de pensar, ensinar e aprender.

Nesse sentido, ao refletirmos sobre o processo evolutivo da tecnologia, observamos que o ser humano sempre buscou formas de facilitar sua vida em sociedade, acompanhando as demandas que surgiram ao longo do tempo. Essas transformações podem ser observadas nas formas de comunicação e interação entre os povos, no desenvolvimento de recursos para a realização de cálculos matemáticos cada vez mais complexos e na ampliação das possibilidades de interação com o mundo por meio dos recursos computacionais. Todo esse processo de transformação tecnológica também alcançou a área educacional, proporcionando novas possibilidades para os processos de ensino e aprendizagem.

 

 

REFERÊNCIAS

 

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