O lúdico em ação: contribuições dos jogos no desenvolvimento de crianças na Educação Infantil
Caroline Valencise
Daiane Damaris Silva de Moraes
Maria de Lourdes Rodrigues Rebelatto
Simone Costa
Viviane Botelho do Couto Dias Ramos
RESUMO
O presente artigo analisa a relevância das atividades lúdicas no ambiente escolar, investigando como a inserção planejada de jogos pode potencializar as funções executivas e o raciocínio na primeira infância. O objetivo geral deste estudo é identificar as principais contribuições dos jogos no desenvolvimento cognitivo de crianças na Educação Infantil. Metodologicamente, realizou-se uma pesquisa de revisão bibliográfica de abordagem qualitativa, fundamentada nas teorias do desenvolvimento de Lev Vygotsky e outros autores importantes, com análise de artigos e livros publicados na última década. Os resultados indicam que o jogo pedagógico atua como um mediador essencial para a internalização de conceitos abstratos, estimulando a atenção, a memória, a resolução de problemas e a criatividade. Conclui-se que o lúdico não deve ser encarado apenas como entretenimento ou preenchimento de tempo livre, mas sim como uma intencionalidade pedagógica indispensável e um direito de aprendizagem que consolida as bases do desenvolvimento intelectual infantil.
Palavras-chave: Educação Infantil. Jogos Pedagógicos. Desenvolvimento Cognitivo. Ludicidade. Aprendizagem.
INTRODUÇÃO
Na brincadeira, a criança recria seus sinais, gestos, objetos e espaços, que passam a ter significados diferenciados do que aparentam. Ou seja, quando brincam as crianças passam a imaginar os acontecimentos de uma outra maneira, mesmo estando brincando.
Quando brinca, a criança tem sua autoestima elevada, pois, se coloca na situação como se fosse dona daquele momento, chegando a superar de forma progressiva o que lhe é imposto, seguindo os moldes de convivência dos grupos nos quais e encontra inserida e estabelecendo suas criações. Desta maneira, o brincar contribui, assim, para a interiorização de determinados modelos de adulto, no âmbito de grupos sociais diversos. Essas significações atribuídas ao brincar transformam-no em um espaço singular de constituição infantil. (BRASIL, 1998).
A criança quando é estimulada, passa a observar a relação que possui com o objeto, dando a ele um novo significado, e se colocando de forma ativa, na sua própria aprendizagem.
O ato de brincar possibilita à criança favorece esta no contexto de seu desenvolvimento, estabelecendo o seu conhecimento, dentro de um parâmetro de aprendizado, que se detém por meio de estímulos que já estão inseridos na realidade desta.
Enquanto brincam as crianças aprendem, sendo que, com isso, tendem a aumentar o conhecimento, e na relação com outras crianças podem vir a vivenciar a aprendizagem de maneira mais ampla. Assim, quando uma criança joga ela passa a tomar decisões e fazer escolhas independentes, o que torna o jogo um elemento básico para que se possa agir conforme suas necessidades e sua consciência.
Portanto, justifica-se a escolha por este tema pelo fato deste estar ligado à interação da criança com objetos lúdicos que favorecem sua aprendizagem, através de jogos e brincadeiras, o que nos chamou a atenção, devido à amplitude do assunto e suas perspectivas positivas para o desenvolvimento da criança dentro e fora da escola.
Por meio do lúdico como forma de brincadeira é que a criança manifesta aquilo que sente, se colocando como ser integrante de suas experiências, favorecendo assim seu raciocínio, sua interação e o seu pensamento real.
Assim, esse trabalho será desenvolvido através do método de revisão de literatura que é definida por meio da pesquisa bibliográfica onde o embasamento teórico norteará todo o trabalho apresentado a seguir.
CONSIDERAÇÕES EM TORNO DA EDUCAÇÃO INFANTIL
A todo momento a criança tem estímulos voltados para o seu desenvolvimento, estabelecendo uma relação com determinados objetos que permitem a ela criar seu próprio campo de expressão.
O brincar funciona como um estímulo onde a criança se mostra diante do objeto com o qual ela atua, e passa a criar diante daquilo que ela consegue desenvolver, construindo o seu próprio conhecimento. Nesse contexto, a educação infantil tende a ser a principal fase do aprendizado escolar, pois nesta encontram-se os estímulos necessários para tal realidade.
A importância do brincar para o desenvolvimento infantil está no fato desta atividade contribuir para a mudança da relação da criança com os objetos, ou seja, é a partir do conhecimento adquirido em contato com estes objetos que a criança passa a atribuir significados a eles, qualificando-os conforme sua necessidade de interação social.
No brinquedo, no entanto, os objetos perdem sua força determinadora. A criança vê um objeto, mas age de maneira diferente em relação ao que vê. Assim, é alcançada uma condição em que a criança começa a agir independentemente daquilo que vê. (VYGOTSKY, 1998, p. 127, grifos do autor).
Aberastury (1992) coloca que o brincar possui diferentes expressões, de acordo com o momento do desenvolvimento da criança, sendo que esta inicia a atividade lúdica, a partir do momento em que é capaz de controlar seus movimentos. É também por meio de seus brinquedos que a criança elabora a imagem das pessoas ou dos objetos que podem aparecer e desaparecer de sua frente.
Toda atividade lúdica pode ser aplicada em diversas faixas etárias, mas pode sofrer intervenção em sua metodologia de aplicação, na organização e nas suas estratégias, de acordo com as necessidades peculiares de faixas etárias. As atividades lúdicas têm capacidade de desenvolver várias habilidades na criança, proporcionando-lhe divertimento, prazer, convívio profícuo, estímulo intelectivo, desenvolvimento harmonioso, autocontrole e auto realização. Não só as crianças são beneficiadas pelas atividades lúdicas, mas também, os professores. (MALUF, 2014, p. 22-23)
As brincadeiras presentes no repertório infantil, que se diversificam de acordo com as diferentes culturas e tradições regionais, constituem importantes oportunidades para o desenvolvimento de habilidades motoras. Atividades como empinar pipas, jogar bolinhas de gude, utilizar estilingues e brincar de amarelinha, entre outras, contribuem de maneira significativa para o aprimoramento da coordenação motora e de diferentes capacidades físicas das crianças. (BRASIL, 1998c)
Brincadeiras que envolvam o canto e o movimento, simultaneamente, possibilitam a percepção rítmica, a identificação de segmentos do corpo e o contato físico. A cultura popular infantil é uma riquíssima fonte na qual se pode buscar cantigas e brincadeiras de cunho afetivo nas quais o contato corporal é o seu principal conteúdo, como no seguinte exemplo: “& Conheço um jacaré &que gosta de comer. & Esconda a sua perna, & senão o jacaré come sua perna e o seu dedão do pé &”. Os jogos e brincadeiras que envolvem as modulações de voz, as melodias e a percepção rítmica — tão características das canções de ninar, associadas ao ato de embalar, e aos brincos, brincadeiras ritmadas que combinam gestos e música — podem fazer parte de sequências de atividades. Essas brincadeiras, ao propiciar o contato corporal da criança com o adulto, auxiliam o desenvolvimento de suas capacidades expressivas. Um exemplo é a variante brasileira de um brinco de origem portuguesa no qual o adulto segura a criança em pé ou sentada em seu colo e imita o movimento do serrador enquanto canta: “& Serra, serra, serrador, & Serra o papo do vovô. & Serra um, serra dois, & serra três, serra quatro, &serra cinco, serra seis, &serra sete, serra oito, & serra nove, serra dez! &”. (BRASIL, 1998c, p. 30 -31)
O jogo, de uma certa forma, está ligado diretamente ao desenvolvimento infantil, onde este se encontra inserido numa esfera de conquistas, que a criança tende a apresentar com o passar do tempo, seja na educação ou no âmbito social, considerando sempre o interesse e as capacidades que esta apresenta.
Por meio de jogos e brincadeiras as crianças passam a despertar certo interesse na aprendizagem significativa e construtiva, onde tende a estimular a criatividade, a curiosidade e o reconstrução de experiências que se mostram ao seu redor.
O professor precisa ser, também, um arguto observador de seus alunos. Investigar como cada aluno aprende melhor implica perceber os diferentes estilos de aprendizagem, as diferentes capacidades de concentração e os diferentes interesses para saber como lidar com a diversidade. Há crianças que aprendem mais auditivamente, pois conseguem prestar bastante atenção à fala de professores e colegas; outras precisam de estímulos visuais para ficar mais tempo concentradas em uma contação de história, por exemplo; outras, ainda, movimentam constantemente o corpo, apreciam manipular objetos, querem apreender o mundo corporalmente (PICCOLI E CAMINI, 2012, p. 44).
A presença de brincadeiras diversas no cotidiano da criança, também faz com que aquelas brincadeiras mais antigas, surgissem de modo a qualificar ainda mais o aprendizado e a dinâmica de desenvolvimento desta, dentro do contexto do qual ela faz parte e que pode vir a ser melhor aproveitado, considerando as reais necessidades de cada uma.
Se faz necessário mostrar que na Educação Infantil, brincar é um direito da criança, sendo compreendido através da importância da organização de ambientes pedagógicos estruturados; onde se possa oferecer às crianças pertencentes à Educação Infantil, novas oportunidades de qualidade para interações significativas e importantes para cada uma.
O JOGO ENQUANTO ESTRATÉGIA DE APRENDIZAGEM
Na aprendizagem significativa, as estratégias lúdicas abrem as portas para a estruturação de novas formas de pensamento e novas formas de comunicação, que acabam por direcionar o desenvolvimento cognitivo e social da criança, dentro de uma perspectiva do brincar para aprender e de se relacionar para crescer como pessoa.
Brincar é uma das atividades fundamentais para o desenvolvimento da identidade e da autonomia. O fato de a criança, desde muito cedo, poder se comunicar por meio de gestos, sons e mais tarde representar determinado papel na brincadeira faz com que ela desenvolva sua imaginação. Nas brincadeiras as crianças podem desenvolver algumas capacidades importantes, tais como a atenção, a imitação, a memória, a imaginação. Amadurecem também algumas capacidades de socialização, por meio da interação e da utilização e experimentação de regras e papéis sociais (BRASIL, 1998b, p. 22).
Considerando todo o processo vivenciado pela criança durante o jogo, esta se mantém diante de situações positivas que propiciam o desenrolar do conhecimento já adquirido e o surgimento de novos conhecimentos que vão acompanhá-la no decorrer dos anos escolares seguintes.
Quanto mais nos esforçamos por estabelecer uma separação entre a forma a que chamamos “jogo” e outras formas aparentemente relacionadas a ela, mais se evidencia a absoluta independência do conceito de jogo. E sua exclusão do domínio das grandes oposições entre categorias não se detém aí. O jogo não é compreendido pela antítese entre sabedoria e loucura, ou pelas que opõem a verdade e a falsidade, ou o bem e o mal. Embora seja uma atividade não material, não desempenha função moral, sendo impossível aplicar-lhe as noções de vício e virtude (HUIZINGA, 2012, p. 9).
A ampliação destes conhecimentos reflete diretamente na aprendizagem significativa, onde o lúdico é considerado instrumento de grande valia para o processo de aquisição em sala de aula e no grupo que cerca a criança.
Segundo Maluf (2014), durante as atividades lúdicas, os educadores podem perceber traços de personalidade do educando, de seu comportamento individual e coletivo e o ritmo de seu desenvolvimento. O ato de divertir-se vai oportunizar as vivências às vezes inocentes e simples da essência lúdica das crianças, possibilitando o aumento da autoestima, o conhecimento de suas responsabilidades e valores, a troca de informações e experiências corporais e culturais, por meio das atividades de socialização.
A partir destas colocações pode-se dizer que educar não é transmitir informações, pois vai além, no desenvolvimento pessoal e social. E neste contexto, o lúdico é de suma importância para que o ser humano, pertencente a qualquer faixa etária, não seja visto apenas como diversão, mas sim como um facilitador da aprendizagem, que instiga o contato social, pessoal e cultural, propiciando uma boa saúde mental. Sendo assim, o ensino de maneira lúdica, se baseia na consciência de quem pratica, pois é um processo essencial que torna a educação de qualidade para o aluno.
Se no início da vida a criança passou do brinquedo com o corpo para o brinquedo com objetos, agora irá abandonando esses objetos para se orientar novamente e, de modo definitivo, para seu corpo e o de seu par (ABERASTURY, 1992, p. 83).
Esta passagem pela qual a criança perpassa ao longo de seu desenvolvimento, tem sua importância fundamentada no jogo que, de uma maneira geral, contribui para a interação com os objetos escolhidos pela criança, assim como o direcionamento deste para com outras crianças, o que pode melhorar a socialização e a participação desta criança na vida escolar.
De acordo com o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (BRASIL, 1998c), a organização dos espaços, dos materiais e do tempo deve favorecer a integração das manifestações motoras das crianças às diferentes atividades realizadas na rotina escolar. Nesse sentido, os ambientes internos e externos precisam dispor de espaço adequado e suficiente para possibilitar a expressão da motricidade infantil. Da mesma forma, os objetos, brinquedos e demais materiais disponibilizados devem contribuir para o desenvolvimento das atividades relacionadas às dimensões expressiva e instrumental do movimento.
(...) “Quando as crianças se encontram em um ambiente afetivo no qual o professor está atento a suas necessidades, falando, cantando e brincando com e para elas, adquirem a capacidade de atenção, tornando-se capazes de ouvir os sons do entorno” (...) (BRASIL, 1998c, p.67).
Desta maneira, é papel do professor colocar em prática os mais diversos conceitos que permitem analisar e transformar as aulas para que estas se tornem interessantes e com estímulos pedagógicos, pois é na Educação Infantil que o processo educacional dá início, continuando no futuro.
De acordo com Almeida (2005, p. 5):
A brincadeira se caracteriza por alguma estruturação e pela utilização de regras. A brincadeira é uma atividade que pode ser tanto coletiva quanto individual. Na brincadeira a existência das regras não limita a ação lúdica, a criança pode modificá-la, ausentar-se quando desejar, incluir novos membros, modificar as próprias regras, enfim existe maior liberdade de ação para as crianças.
A prática da brincadeira na escola, se faz pela criança de diversas formas, que são importantes para o seu desenvolvimento global, onde esta se faz imprescindível para sua formação enquanto pessoa, e ser atuante na sociedade.
A ESCOLA ENQUANTO ESPAÇO LÚDICO
O brincar faz parte da cultura e mostra a prática de um saber onde a criança está inserida todos os dias. Isso mostra que brincar, cultura e conhecimento fazem parte de eixos de aprendizagem e de sociabilidade, onde a autonomia e a forma de se relacionar com o mundo e com o outro e com os elementos da cultura ao qual pertencem, propiciam momentos de ampliação do conhecimento e da diversidade.
Através das brincadeiras os professores, podem realizar a observação e construção de uma outra visão sobre o processo de desenvolvimento das crianças, seja este em grupo ou de forma individual, podendo ser registradas suas capacidades de uso das linguagens, e também de suas capacidades de se socializar e de utilizar da afetividade e emoção que dispõem (BRASIL, 1998a).
Cada escola, verdadeiramente inserida no contexto da realidade de seus alunos, constitui um núcleo de ensino pleno de peculiaridades que texto algum pode reproduzir. O que acima se apresentou representa algumas linhas de procedimento e algumas diretrizes norteadoras de um sistema de ensino que se mostra verdadeiramente atualizado. Acreditamos que a análise desses elementos se completa pelos comentários dos quatro capítulos que se seguem (ANTUNES, 2004, p. 38).
Assim se faz importante compreender que o brincar auxilia a criança no processo de aprendizagem. É ele que vai proporcionar situações imaginárias em que ocorrerá o desenvolvimento cognitivo, facilitando a interação com as pessoas, as quais irão contribuir para um maior alcance do conhecimento.
Segundo Huizinga (1980), o elemento lúdico é algo presente desde a gênese da civilização e desempenha papel importante na criação da cultura e no desenvolvimento humano em sua totalidade. O lúdico é um fenômeno social, anterior à cultura, fruto das relações da sociedade humana que, em sua essência, promove divertimento, fascinação, distração, excitação, tensão, alegria, arrebatamento, ação e emoções que perpassam as necessidades imediatas da vida humana.
A intervenção do professor é necessária para que, na instituição de educação infantil, as crianças possam, em situações de interação social ou sozinhas, ampliar suas capacidades de apropriação dos conceitos, dos códigos sociais e das diferentes linguagens, por meio da expressão e comunicação de sentimentos e idéias, da experimentação, da reflexão, da elaboração de perguntas e respostas, da construção de objetos e brinquedos etc. Para isso, o professor deve conhecer e considerar as singularidades das crianças de diferentes idades, assim como a diversidade de hábitos, costumes, valores, crenças, etnias etc. das crianças com as quais trabalha respeitando suas diferenças e ampliando suas pautas de socialização. Nessa perspectiva, o professor é mediador entre as crianças e os objetos de conhecimento, organizando e propiciando espaços e situações de aprendizagens que articulem os recursos e capacidades afetivas, emocionais, sociais e cognitivas de cada criança aos seus conhecimentos prévios e aos conteúdos referentes aos diferentes campos de conhecimento humano. Na instituição de educação infantil o professor constitui-se, portanto, no parceiro mais experiente, por excelência, cuja função é propiciar e garantir um ambiente rico, prazeroso, saudável e não discriminatório de experiências educativas e sociais variadas (BRASIL, 1998a, p. 30).
A atividade lúdica recreativa engloba o brinquedo, o jogo, o brincar e a brincadeira. Cada um destes elementos tem um determinado conceito que se baseia na flexibilidade e no prazer.
Desta maneira, o brinquedo é entendido como objeto no qual se debruça a ação da atividade do brincar por meio espontâneo, utilizando a imaginação, a fantasia e a criatividade de quem brinca.
É essencial que uma escola acredite naquilo que a ciência não ousa duvidar: a educação infantil e crucial na formação da pessoa e em seu nome é imprescindível que ensine a compartilhar e fazer amigos, a descobrir que a verdadeira ciência ensina verdades, que quem não lê jamais escreve e que a liberdade e a individualidade constituem essências do crescer (ANTUNES, 2004, p. 53).
Escolas com características capazes de proporcionar uma educação infantil com todos os limites de tudo quanto o céu permite, não apenas são possíveis, como efetivamente existem; não representam sonho a se esperar, mas realizações a se conferir. E o que talvez possa ser bem mais surpreendente é que escolas com essas prerrogativas já funcionam há mais de sessenta anos existindo, portanto, experiências de duas gerações que as consolidam-; tiveram início em um lugar específico, mas modelos adaptados aos novos tempos e às diferentes condições geográficas já são encontrados em toda parte.
Nesse sentido o ambiente educacional da criança –tanto no lar quanto na escola- precisa estar fortemente informado sobre as conquistas científicas sobre o enriquecimento cerebral e sobre a importância de um projeto que inclua estímulos à leitura e linguagem, aos números e abstrações matemáticas, às cores e às conquistas viso espaciais, aos sons e suas modalidades, ao corpo sem seus movimentos breves e amplos, aos sentidos e suas significações, à natureza e entorno ambiental, ao auto e heteroconhecimento e ao desenvolvimento integral das posturas emocionais. A qualidade dos anos escolares iniciais molda as aprendizagens futuras e encaminha para a plena inserção social (ANTUNES, 2004, p. 149).
A escola tem se mostrado como fonte transmissora de cultura, onde ainda existem espaços para as crianças brincarem, onde os profissionais de educação têm a incumbência de ensinar e resgatar as brincadeiras populares, e mostrar como o jogo deve fazer parte do dia a dia das crianças, e este pode ser usado como uma nova forma de transmitir conhecimento, sendo que a atividade lúdica é um estímulo para o aprendizado.
Assim, o jogo surge em diferentes situações no cotidiano, tanto com crianças como com adultos, seja em uma simples conversa com uma criança como também em jogar baralho com os amigos, basta que estejam inseridos e contagiados por uma conduta lúdica, escapando de tudo que os engessa, e ingressando em um ambiente de fantasia. Assim, independente da idade, “[...] nos realizamos plenamente, entregando-nos por inteiro ao jogo” (CHATEAU, 1987, p. 13).
Pode-se perceber que crianças de diferentes contextos sociais e históricos trabalham com a linguagem da brincadeira e do brinquedo, para compreenderem o mundo. Este processo mostra o caráter e a dimensão que essa linguagem possui. Assim, a prática da brincadeira na escola promove aspectos diversos na criança que serão importantes para o desenvolvimento biopsicosocial, dentro de uma formação sólida e completa.
O jogo implica para a criança muito mais do que o simples ato de brincar. Através do jogo, ela está se comunicando com o mundo e também está se expressando. Para o adulto o jogo constitui um “espelho”, uma fonte de dados para compreender melhor como se dá o desenvolvimento infantil. Daí sua importância (FRIEDMAN, 1996, p. 14).
Ainda segundo essa autora, na escola é possível planejar os espaços de jogo. Na sala de aula, o espaço de trabalho pode ser transformado em espaço de jogo, podem ser desenvolvidas atividades aproveitando mesas, cadeiras, divisórias etc. como recursos. Fora da sala, sobretudo no pátio, a brincadeira “corre solta” e a atividade física predomina (FRIEDMAN, 1996).
Assim, o que acontece do decorrer de uma atividade lúdica depende sobretudo das ações da criança num tempo e espaço determinados, com ou sem parceiros, com ou sem objetos de brincar.
CONCLUSÃO
Na brincadeira, a criança desenvolve a imaginação, estabelece afetos, explora novas possibilidades de criar e, na medida em que passa a assumir outros papéis, estabelece novas conquistas cognitivas e interativas. Além disso, ela também estabelece o momento de adequação de desafios e elabora a resolução de conflitos e ansiedades, apresentando sofrimentos e angústias que se mostram superados com sucesso nesta fase.
Neste contexto, a brincadeira se torna um fator estimulante para a memória, além de proporcionar novas sensações emocionais, que levam ao crescimento interior e, de forma mais ampla, o crescimento exterior, pois exercita outros níveis de atenção, podendo esta ser explorada com criatividade em diferentes níveis de motivação.
O aprender e o construir fica a cargo das transformações e sensações pelas quais estas tendem a passar diante de tantos elementos que se fazem presentes no ato de brincar, e que são efetivamente parte de um corpo de junções de emoção, linguagem, atenção, criatividade, motivação e, sobretudo, a ação.
A escola, no âmbito da aprendizagem, precisa acreditar que a educação infantil é sim, o início de toda a formação da pessoa e que é imprescindível que haja a compreensão do estar com os demais e interagir com eles, para que se venha a descobrir a verdadeira essência do que é conviver.
Com o jogo, a criança é capaz de se libertar de situações que para ela, são mais complicadas. No jogo, as coisas e as ações não são o que aparentam ser e, em situações imaginárias, a criança começa a agir independentemente do que ela vê e começa a ser orientada pelo significado da situação. O jogo da criança pré-escolar, porém, permite-lhe descobrir que as ações se originam das ideias mais do que das coisas.
Com tudo isso, o presente trabalho apresentou uma reflexão importante em torno da aprendizagem lúdica que se propõe na Educação Infantil, onde o trabalho do professor consiste em dar suporte para estes momentos de diversão, seguidos de conhecimento e de criação; assim como a busca por estratégias que representem este processo de maneira rica e prazerosa.
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