Despertando para a imaginação: o estímulo literário na Educação Infantil
Ana Carolina Puppe
Ana Regina Ernandez dos Santos
Daniela Cristina Cardoso Brandão
Juliana Iara Felizatti
Maisa Favaro Ferreira de Melo
RESUMO
O presente artigo científico analisa a relevância do estímulo literário na educação infantil como ferramenta indispensável para o desenvolvimento cognitivo, linguístico e socioemocional na primeira infância. O objetivo geral desta pesquisa é investigar as principais estratégias pedagógicas utilizadas por educadores para mediar a leitura e despertar a imaginação de crianças de zero a cinco anos no contexto escolar. Metodologicamente, o estudo caracteriza-se como uma pesquisa de natureza qualitativa, desenvolvida por meio de uma revisão bibliográfica integrativa e análise de referenciais teóricos sobre letramento precoce e literatura infantil. Os resultados apontam que a contação de histórias, a organização de cantinhos lúdicos de leitura e o uso de recursos visuais e táteis potencializam o interesse espontâneo do público infantil pelos livros. Conclui-se que o estímulo literário intencional na educação infantil não apenas expande o repertório cultural e a criatividade das crianças, mas também estabelece as bases afetivas e cognitivas para a formação de leitores críticos e autônomos ao longo da vida.
Palavras-chave: Educação Infantil; Estímulo Literário; Mediação de Leitura; Imaginação; Práticas Pedagógicas.
INTRODUÇÃO
Considerando o estímulo literário como uma expressiva estratégia pedagógica na Educação Infantil, o objetivo central do artigo aqui desenvolvido é analisar e discutir as contribuições desse contexto no processo de aprendizagem de crianças que se encontram nessa fase. Assim, este trabalho pretende abordar o conceito de aprendizagem na primeira infância e refletir sobre o papel do educador nos primeiros anos de vida.
O estímulo literário na educação infantil é um instrumento diferenciado de aprendizagem, onde por meio deste, a criança poderá imaginar e criar com amplitude, e, ao mesmo tempo, estabelecer estratégias lúdicas próprias que se fazem presentes no desenvolvimento da criança, tanto dentro quanto fora da sala de aula. Visto que é na infância que a criança começa a conhecer a si mesma e o mundo à sua volta, pois é nesta primeira etapa de sua vida escolar que estão sempre fazendo novas descobertas.
Tal assunto vai de encontro com as estratégias que os professores precisam elaborar para a literatura infantil no ambiente escolar, seja algo prazeroso para seus alunos, e que estes possam estar preparados para lidar e também trabalhar com esta dentro da sala de aula.
Segundo Pereira (2017), a literatura infantil leva a criança a desenvolver a imaginação, emoções e sentimentos de forma significativa e prazerosa. Além disso, ela é fundamental para o desenvolvimento social da criança, pois quando a criança tem o contato desde cedo com a literatura infantil ela incorpora as histórias e traz para seu contexto social.
Partindo disto o papel docente neste caso é deixar de lado os métodos tradicionais de ensino e estar sempre se capacitando ao máximo e colocando em prática aquilo que lhe fora ensinado. Podendo, desta forma, tornar as aulas mais expositivas, dialogadas e dinâmicas levando mais harmonia entre o professor e o aluno, e trazendo mais produtividade para a aula. Sendo assim o dever do professor é estimular seus educandos a ter o hábito da leitura desde o início de sua escolarização, de maneira que sejam bons leitores e que quando crescerem possam ser adultos críticos e reflexivos.
CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS: UM MUNDO DE IMAGINAÇÃO
Uma técnica de apoio importante na hora da contação de história para crianças da Educação Infantil é envolvê-la com o uso de elementos, objetos e artifícios, como por exemplo: fantoches, bonecos, tapetes, cenários, músicas, vídeo e outros suportes que favoreçam a intertextualidade e ampliem as leituras. Uma outra maneira, é dispor os livros em estantes, caixas, aventais, em todos os locais onde a criança tem acesso, e compete ao professor incentivar a escolha dos temas, o cuidado com os livros e a interação de uma forma geral (CORSINO, 2010).
Com o auxílio destes recursos a criança tende a prender sua atenção naquele momento que está vivenciando junto dos demais, tendo estes como apoio para a compreensão da história.
O uso de ilustrações na literatura infantil também é um fator altamente relevante, já que em um mundo onde os aspectos visuais têm tanto espaço nos meios de comunicação de massa, os livros infantis não poderiam deixar de aperfeiçoar seus aspectos gráficos. Na história da literatura brasileira o autor que primeiramente ilustrou seus álbuns foi Monteiro Lobato em Reinações de Narizinho, que foi ilustrado por Voltolino (SANDRONI, 1998).
Segundo Faria (2006, p.12):
“Nos bons livros infantis o texto e a imagem se articulam de tal modo que ambos concorrem para a boa compreensão da narrativa”. É comum que nos livros para crianças as ilustrações sejam maiores que o texto, ou seja, ele é formado apenas por algumas frases e a ilustração adquire um papel relevante na estruturação da narrativa. Devido a esse fato, o autor destaca que é importante que o professor ou contador de história seja cuidadoso em sua análise “do conteúdo e cena, na representação das personagens e suas expressões, nos detalhes do espaço e do tempo a fim de que as crianças possam acompanhar e dominar plenamente a história e as formas em que estão narradas”.
Um aspecto também importante no envolvimento da criança com a leitura é propiciar a organização de espaços atrativos e aconchegantes. Isso pode ser planejado no cantinho da leitura dentro da sala de aula, na biblioteca ou até na área externa da escola quando, por exemplo, a história a ser contada interaja com elementos da natureza. O momento da contação de história deve ser pensado de forma ampla pelo professor e assim ele poderá atingir os interesses do aluno e prender sua atenção com maior facilidade (LEAL; ALBUQUERQUE, 2010).
É aqui neste ponto que pode-se considerar a construção da leitura como jogo simbólico, onde se tem a formação de uma assimilação cada vez mais em evidência.
No jogo simbólico, a assimilação prevalece sobre a acomodação, pois permite que a criança assimile o real ao eu, de acordo com sua vontade e necessidade, por isso, a criança ainda não consegue coordenar pensamentos diferentes do seu, pois há predominância do seu ponto de vista. Neste contexto, a função simbólica assume grande importância na vida da criança, pois é o momento em que consegue imaginar situações provenientes do mundo do adulto, nas quais seus desejos e conflitos são expressos com a finalidade de entender o mundo em que vive.
Piaget (1975) afirma que ao brincar a criança sente prazer em representar, como fazer de conta que dorme, que se lava, balança ou transporta um pássaro, entretanto, o ato em si, de dormir ou lavar-se não são jogos, mas quando a criança passa a exercitar simbolicamente estas condutas, convertem-se em jogos.
Não é para aprender a lavar-se ou dormir que a criança assim joga. O que ela procura é simplesmente utilizar com liberdade os seus poderes individuais, reproduzir suas ações pelo prazer em oferecê-las em espetáculo, a si próprio e a outros, em suma, exibir o seu eu e assimilar-lhe sem limites, o que ordinariamente é tanto acomodação à realidade como conquista assimiladora. (PIAGET, 1975, p.158)
As crianças, desde a mais tenra idade, apresentam preferências e o professor durante o planejamento das aulas deve ter isso em mente para que possa variar entre os gêneros e estilos literários, e oferecer diferentes autores e temas, sendo que dessa forma é possível respeitar as preferências da maioria. Pensando assim conclui-se que a escola não deve ser passiva, ela precisa respeitar e estimular o aluno, desde as séries iniciais, ampliando suas experiências literárias. É necessário também que o professor tenha paciência com as crianças pequenas e capacidade de lidar com a recepção negativa dos alunos, pois algumas obras que eles não queiram ler naquele momento podem se sentir atraídos em outros (LEAL; ALBUQUERQUE, 2010).
A contação de histórias está ligada diretamente ao imaginário infantil. O uso dessa ferramenta incentiva não somente a imaginação, mas também o gosto e o hábito da leitura; a ampliação do vocabulário, da narrativa e de sua cultura; o conjunto de elementos referenciais que proporcionarão o desenvolvimento do consciente e subconsciente infantil, a relação entre o espaço íntimo do indivíduo (mundo interno) com o mundo social (mundo externo), resultando na formação de sua personalidade, seus valores e suas crenças (MATEUS et al., 2014, p.62).
O gosto pela leitura se faz então, de forma coletiva, onde todos os alunos, podem juntos, em sala de aula e, com o professor como orientador, conhecerem obras diversas da literatura infantil que são de fácil acesso e que contribuem para a leitura prazerosa.
A partir destas considerações acerca da contação de histórias é possível dizer que a hipótese inicial do trabalho é verdadeira, ou seja, a contação de histórias tem um papel importante no desenvolvimento infantil das crianças que se encontra na faixa etária correspondente a esse período.
A brincadeira de faz-de-conta, dentro das histórias lidas pelo professor “implica a representação de uma atitude ou objeto ausente” (PIAGET, 1975, p.146). É a capacidade que a criança desenvolve de substituir um objeto ou acontecimento por uma representação, o que Piaget denominou de função simbólica ou função semiótica.
Desta forma, a contação de histórias traduz um momento de construção para a criança pequena, que passa a elaborar seus processamentos internos de forma ativa e considerando tudo o que imagina, para poder representar em seguida.
O ESTÍMULO LITERÁRIO E SUAS CONTRIBUIÇÕES
A literatura infantil vem incentivar a relação de professor e aluno; contribuindo assim, para a formação acadêmica tanto dos professores, quanto dos próprios alunos, uma vez que vem agregar ao conhecimento de todos, fazendo com que se tenha a experiência de perceber o conteúdo significativo de cada história contada.
Pires (2011) complementa esta fala dizendo que o ato de contar histórias é uma contribuição aos professores que não usam a contação de histórias como recurso pedagógico, para que possam repensar sua prática, buscando melhorar suas práxis para a emancipação de seus alunos.
Ainda com Pires (2011) tendo como base o pensamento de Coelho (2001) a contação de histórias é um dos meios mais antigos de interação humana usada por meio da linguagem para transmitir conhecimentos, estimular a imaginação, a fantasia, empregada também para trazer valores morais, disciplinar e desenvolver o interesse pela leitura.
Completando o que Pires (2011) diz o professor tem que sempre estar buscando meios para aprimorar sua prática pedagógica, para que envolvam os alunos através da contação de história, fazendo com que eles se interagem com aquele momento mágico, transmitindo sempre o conhecimento através das histórias contadas, e pra que isso aconteça o contador precisa ver os recursos que serão utilizados para essa contação e as atividades que serão realizadas após, precisará de muita pesquisa até para saber quais histórias chamam mais a atenção das crianças e depois disso elaborar uma sequência didática para que tudo tenha sentido e aprendizado significativo na vida dos pequenos.
Segundo Lippi e Fink (2012) vale ressaltar, ainda, que todas essas atividades necessitam sempre um cuidado especial de estudos e pesquisas aprofundadas, já que se deve observar alguns aspectos antes de ocorrer a prática da contação de histórias, tais como o local, a luminosidade, a tonalidade da voz, o ritmo da história, a fase da formação do leitor em que o ouvinte se encontra, a faixa etária dos participantes desse momento de contação de histórias, qual é a mensagem que se quer passar ao contar determinado enredo, o melhor local para acontecer essa atividade, demonstrar entusiasmo pela história contada, o olhar e expressões de suspense, de alegria, de medo, etc., ter segurança na história que vai contar, dentre outras peculiaridades importantes.
(...) a história aquieta, serena, prende a atenção, informa, socializa, educa ela é importante alimento da imaginação. Permite a auto identificação, favorecendo a aceitação de situações desagradáveis, ajuda a resolver conflitos, acenando com a esperança. Agrada a todos, de modo geral, sem distinção de idade, de classe social, de circunstância de vida. Descobrir isso e praticá-lo é uma forma de incorporar a arte à vida. [...] (COELHO, 2001, p. 12)
Para Pennac (1993, p.124) a contação de histórias é um momento mágico que envolve a todos que estão nesse momento de fantasia. Ao contar histórias, o professor estabelece com o aluno um clima de cumplicidade que os remete à época dos antigos contadores que, ao redor do fogo, contavam a uma plateia atenta às histórias, costumes e valores do seu povo. A plateia não se reúne mais em volta do fogo, mas, nas escolas, os contadores de história são os professores, elo entre o aluno e o livro. O ato de contar histórias é próprio do ser humano, e o professor pode apropriar-se dessa característica e transformar a contação em um importantíssimo recurso de formação do leitor.
A história contada desperta o interesse da criança, há uma interação entre o contador e o “ouvinte”, momento em que os sentidos são estimulados através das trocas de olhares, dos gestos e do corpo do contador que comunica, juntamente que a linguagem verbal, sentimentos e emoção. Não são apenas palavras, mas um conjunto de ações realizadas pelo contador que são percebidas pelo ouvinte, estabelecendo uma troca, onde sedução, afetividade, cumplicidade e significação são forjadas pela interação que se estabelece entre quem conta e quem ouve.
É comum, nas salas de Educação Infantil, observarmos atividades de conversa, hora da novidade, contação de histórias, entre outras situações que buscam estimular o desenvolvimento da linguagem oral. Nesses momentos, as crianças ampliam suas habilidades de uso da linguagem. Aprendem a estruturar textos oralmente, a variar os modos de falar, a interagir de modo cada vez mais autônomo por meio da fala, aprendem a ouvir com atenção e a responder de modo ativo às perguntas que lhes são feitas (BRANDÃO E ROSA, 2011,p. 21).
O impacto que causa nas crianças quando estão assistindo e ouvindo uma contação de história, a expressão, a surpresa eles se envolvem muito com a história, eles se sentem como se estivesse vivendo aquela própria história e pode não ser tão longe do real.
Pode-se dizer que as contribuições da literatura infantil para o desenvolvimento e fornecimento de valores na criança com e para a escola têm por objetividade analisar qualitativamente as teorias utilizadas pelos professores, observando as funções de "informar, educar, entreter, expressar etc". Tal objetivo busca incentivar a criança para a apreciação estética, principalmente de maneira que a contação de histórias e a leitura andem em parceira e possam assim proporcionar prazer e também o aprendizado; pontuando que é na educação infantil está sempre fazendo novas descobertas e indagando o mundo ao seu redor.
É essencial que uma escola acredite naquilo que a ciência não ousa duvidar: a educação infantil e crucial na formação da pessoa e em seu nome é imprescindível que ensine a compartilhar e fazer amigos, a descobrir que a verdadeira ciência ensina verdades, que quem não lê jamais escreve e que a liberdade e a individualidade constituem essências do crescer (ANTUNES, 2004, p. 53).
A literatura em sala de aula por sua vez faz-se presente no planejamento diário de muitos professores, e a maioria deles concordam que ler livros para os alunos ajuda-os a familiarizarem com a língua escrita e também os ajudam a trabalhar com o seu cognitivo de modo a usar a imaginação de modo a fantasiar cada acontecimento narrado de forma única, variando de criança para criança. É importante destacar que a contação de história deve-se utilizar de metodologias de literatura infantil, a transposição simbólica e a representação de crianças através do desenho sob o enfoque de uma educação com amparo da pedagogia com diversos projetos.
ESTRATÉGIAS LITERÁRIAS IMPORTANTES
A criança precisa ser independente, curiosa e ter iniciativa e confiança naquilo que pretende construir ou estabelecer sobre as coisas, bem como na sua maneira de pensar e de se expressar, confiando nos seus sentimentos e atingindo o ponto máximo de segurança referente à sua personalidade.
Segundo Vygotsky (1998), as crianças resolvem suas tarefas práticas com a ajuda da fala, assim como dos olhos e das mãos. Essa unidade de percepção, fala e ação, que, em última instância provoca a internalização do campo visual, constitui o objeto central de qualquer análise da origem das formas caracteristicamente humanas de comportamento.
Com um planejamento adequado, as atividades envolvendo a contação de histórias vão se delineando e contribuem para a qualificação e a formação crítica do aluno, redefinindo valores e atitudes, e buscando a melhoria do relacionamento das pessoas em sociedade e reafirmando o direito de cidadão que cada um possui.
A principal preocupação da educação deveria ser a de propiciar a todas as crianças um desenvolvimento integral e dinâmico. É importante que os conteúdos correspondam aos conhecimentos gerais das crianças, a seus interesses e necessidades, além de desafiar sua inteligência (FRIEDMANN, 2012, p. 44).
Partindo disto, pode-se dizer que a aprendizagem depende em grande parte da motivação, onde as necessidades e os interesses das crianças precisam ser levados em conta, já que não existe qualquer outra razão para que elas se dediquem a uma atividade.
Como consta no Referencial Curricular para a Educação Infantil (RCNEI), é através das relações sociais, das interações e das formas de comunicação que a criança passa a se sentir mais segura para poder expressar e aprender com outras crianças e com os adultos que a cerca (BRASIL, 1998).
No caso da alfabetização, esta é um processo que necessita de atenção especial, quando a ela são direcionadas estratégias literárias, que norteiam o trabalho em torno de leitura e contação de histórias.
A possibilidade de ensinar leitura e escrita às crianças em idade pré-escolar é desejável, já que as crianças mais novas entram na escola, uma vez que já são capazes de ler e escrever. No entanto, o ensino tem de ser organizado de forma que a leitura e a escrita se tornem necessárias às crianças. Se forem usadas apenas para escrever congratulações oficiais para os membros da diretoria da escola ou para qualquer pessoa que professor julgar interessante então o surgimento da escrita passará a ser puramente mecânico e logo poderá entediar as crianças; suas atividades não se expressarão em sua escrita e suas personalidades não desabrocharão. A leitura e a escrita devem ser algo de que a criança necessite (VYGOTSKY, 1998, P.155 – 156).
Na Educação Infantil, a proposta depende de condições prévias, como a aceitação do contato com histórias de gêneros diversos, a compreensão da importância do ler e ouvir, a organização de ambientes educativos planejados; tudo para se oferecer às crianças desta faixa etária oportunidades de qualidade para seu crescimento e conhecimento.
O professor é peça-chave no processo de alfabetização das crianças pequenas, onde este precisa estar atento às mudanças que estas apresentam no, decorrer da aprendizagem e da concepção da leitura e escrita, para que se tenha plena certeza do desenvolvimento global da criança.
Na Educação Infantil é possível trabalhar as capacidades de decodificação, quando uma criança, a partir do seu nome ou de palavras significativas, conhece as letras do alfabeto, podendo até começar a estabelecer relações entre grafemas e fonemas. Também é interessante propor atividades em que a criança possa “ler sem saber ler”, ainda convencionalmente, fazendo uso de estratégias de antecipação, localização e inferência.
A comunicação faz parte da vida de todos nós. Para isso usamos a linguagem verbal (oral e escrita), gestos, expressões, imagens. Inserido em um grupo social, o indivíduo, ao longo de sua vida e por meio de suas experiências, vai aprendendo a estruturar enunciados, de acordo com as situações das quais participa. Isso significa que diferentes situações de comunicação requerem diversas maneiras de se organizar o que dizer ou escrever (CARDOSO, 2012, p. 23).
Desta forma, além de aprender a ler e escrever a criança precisa ter o domínio sobre a prática de leitura e escrita. Ou seja, ela deve ser estimulada a conviver, experimentar e dominar as vivências que envolvem a leitura e escrita dentro da sociedade.
Como sendo o estado em que vive o indivíduo que sabe ler e escrever e exercer as práticas sociais de leitura e escrita que circulam na sociedade em que vive: ler jornais, revistas, livros, saber ler e interpretar tabelas, quadros, formulários, sua carteira de trabalho, suas contas de água, luz, telefone, saber escrever e escrever cartas, bilhetes, telegramas, e-mails sem dificuldade, saber preencher um formulário, redigir um ofício, um requerimento, entre outros. A alfabetização e o letramento se somam, são complementos (SOARES, 2010, p. 9).
Muitos são os teóricos que tratam da alfabetização enquanto um processo complexo pelo qual a criança necessita passar para chegar ao nível máximo da aprendizagem, sem deixar de lado a inocência de ser criança e a legitimidade dessa fase, mas também considerando cada etapa a ser cumprida, seja por meio do ouvir ou por meio do contar e reproduzir histórias.
No processo de alfabetização pode-se observar que ocorre não somente a decodificação de palavras, mas também a memorização de símbolos. Sendo assim, nesta fase a criança precisa obter um conjunto de estruturas de pensamentos e habilidades psicomotoras para que ela possa compreender os conceitos que envolvem a aprendizagem, bem como de que forma esta é representada no campo da linguagem.
Ainda Ferreiro (2004), destaca que a escola precisa estimular sempre o aluno para que haja aprendizado significativo, utilizando de metodologias que levem a resultados satisfatórios. Desta forma, é importante colocar a criança em situações de aprendizagem, onde ela possa utilizar suas próprias elaborações sobre a linguagem, ou seja, mesclar o conhecimento que a criança já possui com o conhecimento ensinado, atribuindo maior significado a estes.
Na Educação Infantil a criança ainda tem uma preparação voltada para o lúdico, sendo necessário o trabalho com jogos, livros e materiais que divirtam os alunos, sem que estes percebam que estão aprendendo, e considerando os aspectos emocionais e sociais desenvolvidos nesta fase da educação.
Para obter sucesso durante a alfabetização a criança precisa desenvolver anteriormente e no decorrer desta, a coordenação motora ampla, o esquema corporal, a coordenação viso motora, a discriminação visual e auditiva, além do contato com livros de gêneros diversos, que é muito importante. E, a partir do momento em que a criança tem a chance de estar em contato com imagens, personagens e contextos das histórias, ela passa a desenvolver a capacidade de evoluir para uma prática alfabetizadora, que destaca todas essas habilidades de maneira criativa e crítica, se tornando leitor de forma mais prazerosa e feliz.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Literatura Infantil é um importante instrumento tanto para a prática diária e formação alunos, quanto para o desenvolvimento cognitivo, afetivo e social, sendo que isso agrega muito para ambos.
Em suma, a literatura na Educação Infantil configura-se não apenas como um instrumento pedagógico de entretenimento, mas como um eixo fundamental para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social das crianças. Ao longo deste estudo, evidenciou-se que o estímulo literário na primeira infância atua diretamente na ampliação do repertório linguístico e no fortalecimento dos vínculos afetivos, servindo como o principal catalisador para o despertar da imaginação e da criatividade.
O professor precisa aprimorar pesquisar e buscar novos conhecimentos, para que a Literatura Infantil seja mais significativa na aprendizagem dos alunos, estimulando o tempo todo e fazendo com que eles peguem o gosto pela leitura para que se tornem leitores críticos e buscar sempre incentivar no âmbito escolar para proporcionar o desenvolvimento integral da criança.
É importante também que o professor saiba escolher um bom livro para cada faixa etária de modo a estimular os pequenos desde a educação infantil, escolher um cenário, figurino e ter uma boa entonação de voz, para que assim as crianças se envolvam intensamente com a história contada, procurando sempre prender a atenção dos alunos.
Por fim, acredita-se que a Literatura Infantil faz com que a criança consiga desenvolver a imaginação, as emoções e os sentimentos de uma forma prazerosa e lúdica, além de ser essencial para o desenvolvimento social da criança, fazendo com que ajude no letramento, escrita, oralidade, liberdade de pensamento e autonomia.
Conclui-se que investir no estímulo literário desde a creche e a pré-escola é assegurar o direito fundamental da criança à fantasia e à formação de sua criticidade. Espera-se que este trabalho mobilize educadores, gestores e familiares a compreenderem a leitura na infância como uma prática social indispensável, consolidando as bases para a formação de futuros leitores autônomos, conscientes e profundamente conectados com a sua própria capacidade de imaginar e transformar a realidade.
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