PRÁTICAS PEDAGÓGICAS: INFÂNCIA, ADOLESCÊNCIA E VIDA ADULTA

Elaine Crispim Goulart dos Santos

 

DOI: 10.5281/zenodo.22306164

 

 

RESUMO

A educação para a saúde constitui uma importante dimensão do processo educativo, especialmente quando desenvolvida desde a Educação Infantil, período em que as crianças começam a construir hábitos, atitudes e comportamentos relacionados ao cuidado consigo mesmas e com o outro. Nesse contexto, o presente relatório apresenta uma experiência pedagógica voltada ao tema transversal Saúde, com ênfase no autocuidado, desenvolvida com crianças de aproximadamente quatro e cinco anos de idade. O objetivo foi compreender de que maneira o tema poderia ser abordado em sala de aula de forma lúdica, acessível e significativa, favorecendo a construção de conhecimentos relacionados à higiene pessoal, à saúde bucal, ao cuidado com o corpo e ao reconhecimento das próprias emoções. Para o desenvolvimento das atividades, foram utilizados recursos como imagens, vídeos, brincadeiras e jogos pedagógicos, buscando estimular a participação ativa das crianças. A experiência foi realizada no CEMEI Antônio José Pinesso, com crianças da Educação Infantil. Os resultados demonstraram envolvimento, curiosidade e entusiasmo por parte dos participantes, que se mostraram receptivos às propostas e interessados em compartilhar os conhecimentos adquiridos com seus familiares. Conclui-se que a utilização de estratégias lúdicas constitui uma possibilidade pedagógica significativa para abordar questões relacionadas à saúde e ao autocuidado na Educação Infantil, contribuindo para a formação de hábitos saudáveis e para o desenvolvimento integral da criança.

 

Palavras-chave: Educação Infantil. Saúde. Autocuidado. Ludicidade. Hábitos saudáveis.

 

 

1 INTRODUÇÃO

 

A Educação Infantil constitui uma etapa fundamental da Educação Básica, pois é nesse período que a criança vivencia importantes experiências relacionadas ao desenvolvimento físico, cognitivo, emocional e social. Nesse processo, a escola desempenha papel relevante na construção de conhecimentos e hábitos que podem acompanhar a criança ao longo de sua vida.

Entre os diferentes conhecimentos que podem ser trabalhados nesse período encontra-se a educação para a saúde. Ensinar a criança a cuidar de seu próprio corpo, compreender a importância da higiene, desenvolver hábitos relacionados à alimentação saudável, cuidar da saúde bucal e reconhecer suas emoções são ações que contribuem para sua autonomia e para seu desenvolvimento integral.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estabelece que a Educação Infantil deve possibilitar experiências que favoreçam o desenvolvimento da autonomia e do cuidado pessoal. Nesse sentido, as práticas pedagógicas relacionadas à saúde podem ser desenvolvidas de maneira integrada às experiências cotidianas da criança, considerando sua faixa etária, seus conhecimentos prévios e suas formas próprias de aprender.

Para Vygotsky (2007), o desenvolvimento infantil ocorre por meio das interações sociais e da mediação proporcionada por outras pessoas, especialmente aquelas que possuem maior experiência. Assim, o professor exerce importante função ao criar situações de aprendizagem nas quais a criança possa explorar, experimentar, dialogar e construir novos conhecimentos.

Da mesma forma, Kishimoto (2011) destaca a importância do brincar no desenvolvimento e na aprendizagem infantil. As atividades lúdicas possibilitam que a criança participe ativamente do processo educativo, tornando a aprendizagem mais prazerosa e significativa.

Diante disso, este trabalho apresenta uma experiência pedagógica desenvolvida com crianças da Educação Infantil, tendo como temática central a saúde e, especificamente, o autocuidado. A proposta buscou utilizar recursos lúdicos para aproximar conhecimentos relacionados à saúde da realidade cotidiana das crianças.

 

 

2 PROBLEMA

 

Como abordar conhecimentos relacionados à saúde e ao autocuidado com crianças da Educação Infantil de maneira lúdica, acessível e significativa?

 

 

3 OBJETIVOS

 

3.1 Objetivo geral

Compreender de que maneira o tema transversal Saúde, especialmente o autocuidado, pode ser trabalhado com crianças da Educação Infantil por meio de práticas pedagógicas lúdicas e adequadas à faixa etária.

3.2 Objetivos específicos

Conscientizar as crianças sobre a importância dos cuidados necessários à manutenção da saúde;

Desenvolver conhecimentos relacionados à higiene pessoal e à saúde bucal;

Estimular atitudes de cuidado com o próprio corpo;

Favorecer o reconhecimento e a expressão das emoções;

Utilizar imagens, vídeos, brincadeiras e jogos como recursos facilitadores da aprendizagem;

Incentivar a autonomia das crianças nas práticas cotidianas de autocuidado;

Estimular as crianças a compartilharem os conhecimentos adquiridos com seus familiares

 

 

4 JUSTIFICATIVA

 

A escolha da temática Saúde, com ênfase no autocuidado, surgiu a partir da percepção da importância de trabalhar, desde a Educação Infantil, conhecimentos e atitudes relacionados à preservação e à promoção da saúde.

A infância é um período particularmente importante para a formação de hábitos. Dessa maneira, ensinar as crianças sobre higiene corporal, saúde bucal, alimentação, cuidados com o corpo e bem-estar emocional pode contribuir para que desenvolvam gradativamente maior autonomia e responsabilidade em relação a si mesmas.

A escola, enquanto espaço de aprendizagem e convivência, pode contribuir significativamente para esse processo. Entretanto, para que os conhecimentos sejam compreendidos pelas crianças pequenas, é necessário utilizar estratégias compatíveis com suas características e necessidades.

Nesse sentido, a ludicidade apresenta-se como importante recurso pedagógico. Por meio das brincadeiras, dos jogos, das histórias, das imagens e de outros recursos, a criança pode aprender de maneira participativa, relacionando o conhecimento apresentado pelo professor às situações vivenciadas em seu cotidiano.

A proposta justifica-se, portanto, pela necessidade de promover uma educação para a saúde que não se limite à transmissão de informações, mas que favoreça a construção de atitudes e comportamentos de autocuidado desde os primeiros anos de escolarização.

 

 

5 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

 

A educação para a saúde na infância deve considerar a criança como sujeito ativo no processo de aprendizagem. Dessa forma, não basta apenas apresentar informações sobre doenças ou higiene; é necessário proporcionar experiências que permitam à criança compreender, experimentar e incorporar gradualmente práticas de cuidado.

De acordo com a Base Nacional Comum Curricular, entre os direitos de aprendizagem e desenvolvimento na Educação Infantil encontra-se o direito de “conhecer-se”, relacionado à construção da identidade, da autonomia e do cuidado de si (BRASIL, 2018). Essa perspectiva reforça a importância de propostas pedagógicas que possibilitem às crianças compreenderem seu corpo, seus sentimentos, suas necessidades e as formas de cuidar de si.

O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil também reconhece que os cuidados relacionados ao corpo e à saúde devem fazer parte das experiências educativas oferecidas às crianças. Os momentos de higiene, alimentação, repouso e cuidados pessoais podem ser compreendidos como situações de aprendizagem e desenvolvimento da autonomia (BRASIL, 1998).

Nesse contexto, a educação em saúde pode ser trabalhada de maneira cotidiana e integrada às demais experiências escolares. Ensinar a criança a lavar as mãos, escovar os dentes, cuidar de seus pertences, alimentar-se adequadamente e reconhecer seus sentimentos são exemplos de situações que podem favorecer a construção de hábitos saudáveis.

Para Vygotsky (2007), a aprendizagem ocorre por meio da interação social e da mediação. A criança aprende não somente individualmente, mas também nas relações estabelecidas com professores, familiares e outras crianças. Assim, atividades coletivas relacionadas à saúde podem possibilitar trocas de experiências e construção compartilhada de conhecimentos.

Piaget (1975), ao estudar o desenvolvimento infantil, também evidencia a importância da ação da criança sobre o ambiente para a construção do conhecimento. Dessa perspectiva, experiências práticas e situações concretas são especialmente importantes para crianças pequenas, que aprendem por meio da exploração e da interação com o mundo.

A ludicidade ocupa, portanto, papel relevante nesse processo. Kishimoto (2011) compreende o brincar como uma atividade que possui importante função no desenvolvimento infantil e que pode ser utilizada como recurso pedagógico. Jogos e brincadeiras podem favorecer a participação, a criatividade, a interação e a aprendizagem.

Quando o tema é saúde, a utilização desses recursos permite transformar conteúdos que poderiam parecer abstratos em experiências concretas e próximas da realidade infantil. Uma brincadeira sobre higiene das mãos, um jogo sobre emoções ou uma atividade relacionada à escovação dos dentes, por exemplo, podem possibilitar que a criança compreenda determinado conceito enquanto participa ativamente da atividade.

Dessa forma, trabalhar o autocuidado na Educação Infantil significa também contribuir para a formação da autonomia. A criança passa progressivamente a reconhecer suas necessidades, compreender os cuidados necessários ao próprio corpo e perceber que determinadas atitudes podem contribuir para seu bem-estar e sua qualidade de vida.

 

 

6 CARACTERIZAÇÃO DO ESPAÇO

 

A atividade prática foi realizada no CEMEI Antônio José Pinesso, localizado na Rua Canário, nº 13, Bairro Centro, no Distrito Parque Água Limpa – MT.

A instituição atende crianças da Educação Infantil, com faixa etária aproximada entre dois e cinco anos. O espaço escolar apresenta ambientes destinados às atividades pedagógicas e de convivência, contando também com área externa gramada e arborizada, proporcionando espaço adequado para atividades recreativas e lúdicas.

Na área externa existe ainda um pula-pula destinado ao entretenimento das crianças. O ambiente externo mostrou-se favorável ao desenvolvimento de atividades que exigissem movimento, interação e participação coletiva.

 

 

7 PÚBLICO-ALVO

 

O público-alvo da atividade foi composto por crianças da Educação Infantil, com aproximadamente quatro e cinco anos de idade.

As crianças já estavam familiarizadas com o ambiente escolar, com os profissionais da instituição e com os colegas, aspecto que contribuiu para o desenvolvimento da proposta. A familiaridade com o espaço e com as pessoas envolvidas favoreceu a participação e proporcionou um ambiente de maior segurança e interação.

 

 

8 METODOLOGIA

 

A atividade foi desenvolvida por meio de uma abordagem participativa e lúdica, considerando as características próprias da faixa etária das crianças envolvidas.

Inicialmente, foi realizada uma conversa com as crianças a respeito do significado da saúde e dos cuidados necessários para manter o corpo saudável. Buscou-se identificar os conhecimentos prévios dos participantes, permitindo que relatassem experiências relacionadas à higiene, à alimentação, à escovação dos dentes, ao banho e aos sentimentos.

Posteriormente, foram utilizados diferentes recursos pedagógicos, entre eles imagens, vídeos, brincadeiras e jogos lúdicos. Os recursos tiveram como finalidade tornar os conteúdos mais concretos e facilitar a compreensão das crianças.

As atividades relacionadas à saúde bucal buscaram apresentar a importância da escovação dos dentes e dos cuidados necessários para manter uma boa higiene oral. Também foram desenvolvidas atividades voltadas ao reconhecimento das emoções, possibilitando que as crianças identificassem sentimentos como alegria, tristeza, medo e raiva e percebessem a importância de falar sobre aquilo que sentem.

Durante todo o processo, procurou-se estimular a participação das crianças, valorizando suas falas, perguntas e experiências. A proposta não teve como objetivo apenas transmitir informações, mas possibilitar que os participantes construíssem conhecimentos por meio da interação e da brincadeira.

 

 

9 RESULTADOS E DISCUSSÃO

 

A realização das atividades demonstrou que as crianças apresentaram grande interesse pelos conteúdos relacionados à saúde e ao autocuidado. A utilização de recursos visuais e lúdicos contribuiu para despertar a curiosidade e favorecer a participação dos alunos.

Durante as atividades, as crianças demonstraram entusiasmo ao participar das brincadeiras e dos jogos, além de relatarem experiências relacionadas aos cuidados pessoais que já realizavam em suas casas. Esse envolvimento possibilitou perceber que os conhecimentos apresentados estavam sendo relacionados às situações presentes no cotidiano dos participantes.

Outro aspecto significativo observado foi o interesse das crianças em compartilhar os conhecimentos adquiridos com seus familiares. A possibilidade de contar aos responsáveis o que haviam aprendido na escola demonstrou que a atividade ultrapassou os limites do espaço escolar, criando possibilidades de diálogo entre a criança, a escola e a família.

Esse aspecto é particularmente importante quando se trabalha com educação para a saúde, uma vez que muitos hábitos relacionados ao autocuidado são construídos e reforçados no ambiente familiar. A parceria entre escola e família pode contribuir para que as aprendizagens sejam incorporadas à rotina da criança.

A experiência também evidenciou a importância da ludicidade como estratégia pedagógica. As brincadeiras e os jogos possibilitaram que conteúdos relacionados à saúde fossem apresentados de forma prazerosa, evitando uma abordagem excessivamente formal ou distante da realidade infantil.

Nesse sentido, a experiência confirma a relevância de práticas pedagógicas que considerem a criança como participante ativa do processo educativo. Quando o conhecimento é apresentado de forma significativa e relacionado às experiências cotidianas, existe maior possibilidade de envolvimento e compreensão.

 

 

10 CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Conclui-se que é fundamental trabalhar os hábitos de autocuidado desde a Educação Infantil, pois essa etapa constitui um período importante para a construção da autonomia e de hábitos que podem contribuir para uma vida mais saudável.

A experiência desenvolvida demonstrou que temas relacionados à saúde podem ser abordados de maneira simples, prazerosa e significativa quando o professor utiliza estratégias pedagógicas adequadas à faixa etária. Imagens, vídeos, jogos e brincadeiras mostraram-se recursos importantes para despertar o interesse das crianças e favorecer sua participação.

Além dos conhecimentos relacionados à higiene e aos cuidados com o corpo, trabalhar a saúde na Educação Infantil também possibilita abordar aspectos emocionais, contribuindo para que a criança aprenda gradativamente a reconhecer e expressar seus sentimentos.

Outro resultado importante foi a intenção das crianças de compartilhar com seus familiares aquilo que aprenderam. Esse comportamento demonstra que a aprendizagem pode ultrapassar o ambiente escolar e alcançar o contexto familiar, fortalecendo a importância da parceria entre escola e família.

Assim, considera-se que a educação para a saúde, quando desenvolvida de forma lúdica, participativa e contextualizada, pode contribuir significativamente para o desenvolvimento integral da criança. Mais do que ensinar regras de higiene, trata-se de favorecer a construção progressiva da autonomia, da responsabilidade e do cuidado consigo mesma e com os outros.

 

 

REFERÊNCIAS

 

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial curricular nacional para a educação infantil. Brasília, DF: MEC/SEF, 1998.

 

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: MEC, 2018.

 

KISHIMOTO, Tizuko Morchida. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. 14. ed. São Paulo: Cortez, 2011.

 

PIAGET, Jean. A formação do símbolo na criança: imitação, jogo e sonho, imagem e representação. Rio de Janeiro: Zahar, 1975.

 

VYGOTSKY, Lev Semionovich. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 7. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

 

TISTU. Brincadeiras, demonstrações e atividades que incentivam a higiene bucal. [S. l.], [s. d.]. Disponível em: https://tistu.com.br/brincadeiras-demonstracoes-e-atividades-que-incentivam-a-higiene-bucal. Acesso em: 4 set. 2026.

 

PINTEREST. O jogo das emoções: trabalhando as emoções na Educação Infantil de modo lúdico. [S. l.], [s. d.]. Disponível em: https://br.pinterest.com/pin/o-jogo-das-emoes-trabalhando-as-emoes-na-educao-infantil-de-modo-ldico-trs-formas-de-jogar--693554411372122881/. Acesso em: 4 set. 2026.

 

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