EDUCAÇÃO E SOCIEDADE: EDUCAÇÃO AMBIENTAL E PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Elaine Crispim Goulart dos Santos
RESUMO
A Educação Ambiental constitui uma importante ferramenta para a formação de cidadãos conscientes e comprometidos com a preservação do meio ambiente. Quando desenvolvida desde a Educação Infantil, possibilita que as crianças construam conhecimentos e atitudes relacionados ao cuidado com a natureza e ao uso responsável dos recursos naturais. O presente relatório apresenta uma experiência pedagógica realizada com crianças da Educação Infantil, tendo como temática central a preservação ambiental e a sustentabilidade. O objetivo foi compreender de que maneira o tema Meio Ambiente poderia ser abordado de forma lúdica, acessível e significativa, favorecendo a conscientização das crianças acerca dos impactos provocados pelas ações humanas e das possibilidades de preservação ambiental presentes no cotidiano. A atividade foi realizada em uma instituição da rede particular de ensino, utilizando o espaço externo da escola como ambiente de aprendizagem. Foram utilizados cartazes, explicações, diálogos e atividades interativas, possibilitando a participação ativa das crianças. Os resultados demonstraram interesse, curiosidade e preocupação dos alunos diante dos problemas ambientais apresentados, bem como disposição para adotar atitudes sustentáveis e compartilhar os conhecimentos adquiridos com seus familiares. Conclui-se que a Educação Ambiental na infância pode contribuir para a formação de sujeitos mais conscientes, responsáveis e participativos, sendo fundamental que a escola desenvolva práticas pedagógicas que aproximem a criança das questões ambientais e estimulem o cuidado com o planeta.
Palavras-chave: Educação Infantil. Educação Ambiental. Meio Ambiente. Sustentabilidade. Preservação ambiental.
1 INTRODUÇÃO
A relação entre sociedade e meio ambiente tem adquirido crescente importância diante dos desafios ambientais vivenciados na contemporaneidade. O crescimento das cidades, o consumo excessivo, a produção de resíduos, o desperdício de água e energia, a poluição e a degradação dos recursos naturais são problemas que demonstram a necessidade de desenvolver uma consciência ambiental desde os primeiros anos de vida.
Nesse contexto, a escola desempenha papel fundamental na formação de cidadãos capazes de compreender a relação existente entre as ações humanas e as condições ambientais. A Educação Ambiental, quando desenvolvida de maneira contínua e contextualizada, pode contribuir para que os estudantes compreendam que pequenas atitudes realizadas cotidianamente também podem produzir impactos positivos na preservação do meio ambiente.
A Educação Infantil representa um período especialmente importante para esse processo, pois é nessa etapa que as crianças vivenciam experiências que contribuem para a formação de valores, atitudes e hábitos. Dessa maneira, abordar questões ambientais com crianças pequenas não significa apresentar conteúdos complexos, mas criar experiências que possibilitem o contato com a natureza, a observação do ambiente e a compreensão de atitudes simples de cuidado.
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) destaca a importância de experiências que possibilitem às crianças explorar o ambiente, observar suas características, estabelecer relações e desenvolver atitudes de cuidado consigo, com os outros e com o mundo em que vivem (BRASIL, 2018).
Diante dessa perspectiva, o presente relatório apresenta uma experiência pedagógica desenvolvida com crianças da Educação Infantil, tendo como foco a preservação ambiental. A proposta buscou apresentar o tema de maneira lúdica e acessível, estimulando a reflexão sobre os impactos das ações humanas e sobre atitudes sustentáveis que podem fazer parte do cotidiano.
2 PROBLEMA
Como transmitir conhecimentos sobre preservação ambiental às crianças da Educação Infantil de maneira lúdica, acessível e significativa?
3 OBJETIVOS
3.1 Objetivo geral
Compreender de que maneira o tema transversal Meio Ambiente pode ser trabalhado com crianças da Educação Infantil, utilizando práticas pedagógicas lúdicas que favoreçam a conscientização ambiental.
3.2 Objetivos específicos
Compreender de forma aprofundada a temática relacionada ao Meio Ambiente para apresentá-la às crianças de maneira acessível;
Conscientizar os alunos sobre os impactos negativos provocados por determinadas ações humanas;
Estimular atitudes de cuidado e respeito com a natureza;
Apresentar práticas sustentáveis que possam ser incorporadas ao cotidiano das crianças;
Incentivar o uso consciente dos recursos naturais;
Estimular a participação das crianças em ações de preservação ambiental;
Favorecer o compartilhamento dos conhecimentos adquiridos com familiares e comunidade.
4 JUSTIFICATIVA
A escolha do tema Meio Ambiente fundamenta-se na necessidade de promover, desde a infância, conhecimentos e atitudes relacionados à preservação ambiental. A Educação Ambiental constitui uma importante ferramenta para a formação de indivíduos capazes de compreender a responsabilidade coletiva na conservação dos recursos naturais e na construção de uma sociedade sustentável.
As crianças, embora ainda estejam em processo de desenvolvimento, são capazes de compreender conceitos e atitudes relacionados ao cuidado com o ambiente quando estes são apresentados de maneira adequada à sua faixa etária. Questões como não jogar lixo no chão, economizar água, evitar desperdícios, cuidar das plantas e dos animais e manter os espaços coletivos limpos podem ser trabalhadas por meio de situações concretas e próximas da realidade infantil.
Além disso, a Educação Ambiental não deve ser compreendida apenas como transmissão de informações sobre problemas ambientais. Ela deve favorecer a formação de valores, atitudes e comportamentos que contribuam para uma relação mais equilibrada entre sociedade e natureza.
A Lei nº 9.795/1999, que institui a Política Nacional de Educação Ambiental, estabelece a Educação Ambiental como componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente de maneira articulada nos diferentes níveis e modalidades de ensino (BRASIL, 1999).
Nesse sentido, trabalhar a temática ambiental na Educação Infantil constitui uma possibilidade de contribuir para a formação de cidadãos mais conscientes e responsáveis, capazes de reconhecer que a preservação do meio ambiente depende também das atitudes individuais e coletivas.
5 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A Educação Ambiental apresenta-se como uma dimensão importante do processo educativo, uma vez que possibilita a construção de conhecimentos, valores e atitudes relacionados à preservação da natureza e à qualidade de vida.
Para a Política Nacional de Educação Ambiental, a Educação Ambiental compreende os processos por meio dos quais indivíduos e coletividades constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas à conservação do meio ambiente, considerado bem de uso comum e essencial à qualidade de vida (BRASIL, 1999).
Essa concepção demonstra que a Educação Ambiental não deve restringir-se à apresentação de informações sobre problemas ecológicos. É necessário possibilitar que os sujeitos compreendam sua responsabilidade diante do ambiente e desenvolvam atitudes capazes de contribuir para sua preservação.
Na Educação Infantil, esse trabalho precisa considerar as características do desenvolvimento da criança. Por isso, experiências concretas, brincadeiras, histórias, músicas, jogos, atividades de observação e contato com a natureza podem favorecer a construção de conhecimentos ambientais.
Segundo Vygotsky (2007), o desenvolvimento e a aprendizagem da criança estão relacionados às interações sociais e às experiências mediadas culturalmente. Dessa forma, a interação entre professor e alunos e entre as próprias crianças pode contribuir para a construção de conhecimentos sobre o meio ambiente.
A criança também aprende por meio da exploração e da interação com o ambiente. Piaget (1975) destaca a importância da ação da criança na construção do conhecimento. Assim, proporcionar experiências nas quais ela possa observar, questionar, experimentar e participar de situações concretas favorece aprendizagens significativas.
A ludicidade também constitui importante recurso nesse processo. Kishimoto (2011) ressalta a relevância do brincar para o desenvolvimento infantil, possibilitando experiências que envolvem imaginação, interação, criatividade e aprendizagem.
Nesse sentido, trabalhar Educação Ambiental de maneira lúdica pode aproximar a criança de questões que, apresentadas de forma exclusivamente teórica, poderiam parecer distantes de sua realidade. Uma atividade realizada em um espaço arborizado da própria escola, por exemplo, permite que o ambiente seja transformado em objeto de observação e aprendizagem.
A própria BNCC estabelece, para a Educação Infantil, experiências que favoreçam a exploração do ambiente, a observação de fenômenos, a formulação de perguntas e a construção de conhecimentos sobre o mundo físico e sociocultural (BRASIL, 2018).
Dessa forma, a Educação Ambiental pode estar presente nas experiências cotidianas da Educação Infantil, contribuindo não apenas para o conhecimento sobre a natureza, mas também para a formação de valores relacionados ao respeito, à responsabilidade, à cooperação e ao cuidado.
6 CARACTERIZAÇÃO DO ESPAÇO
A atividade foi realizada na Escola Primeiros Passos, localizada na zona urbana do município e pertencente à rede particular de ensino. A instituição oferece atendimento à Educação Infantil e ao Ensino Fundamental I.
Sua infraestrutura conta com salas de aula equipadas com mobiliário adequado à faixa etária das crianças, sanitários, refeitório, espaço destinado à leitura e áreas externas. Entre os espaços disponíveis encontram-se um parquinho, um pátio coberto e uma área gramada com árvores, proporcionando diferentes possibilidades para o desenvolvimento de atividades pedagógicas e recreativas.
A atividade foi realizada ao ar livre, no espaço gramado localizado sob a sombra das árvores. A escolha desse ambiente esteve diretamente relacionada à temática proposta, permitindo que as crianças estivessem em contato com elementos naturais enquanto refletiam sobre a importância da preservação ambiental.
As crianças foram organizadas em círculo e o tema foi introduzido por meio de cartazes, explicações e diálogos, proporcionando uma experiência participativa e dinâmica.
7 PÚBLICO-ALVO
O trabalho foi direcionado aos alunos da Educação Infantil da instituição.
Por já estarem familiarizadas com o ambiente escolar, com os professores e com os demais profissionais da instituição, as crianças demonstraram receptividade à proposta e participaram das atividades com interesse e espontaneidade.
8 METODOLOGIA
A atividade foi desenvolvida a partir de uma abordagem qualitativa, participativa e lúdica, buscando adequar a linguagem e os recursos pedagógicos à faixa etária das crianças.
Inicialmente, os alunos foram organizados em círculo no espaço externo da escola. O ambiente escolhido possibilitou estabelecer uma relação direta entre o conteúdo apresentado e o espaço natural existente ao redor das crianças.
Em seguida, foram utilizados cartazes como recursos visuais para apresentar situações relacionadas à preservação ambiental e aos impactos provocados por determinadas ações humanas. A partir das imagens, foram realizadas explicações e perguntas, estimulando as crianças a expressarem seus conhecimentos, dúvidas e percepções.
Foram discutidas atitudes cotidianas que podem contribuir para a preservação ambiental, como evitar o desperdício de água, não jogar lixo no chão, cuidar das plantas, respeitar os animais, reutilizar materiais e manter os espaços coletivos limpos.
Durante a atividade, buscou-se estimular a participação das crianças por meio de perguntas e diálogos. A intenção foi fazer com que os alunos não fossem apenas ouvintes, mas participantes ativos na construção do conhecimento.
A proposta também valorizou a possibilidade de as crianças compartilharem posteriormente os conhecimentos adquiridos com seus familiares, ampliando a ação educativa para além do espaço escolar.
9 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados observados durante a atividade foram positivos. As crianças demonstraram curiosidade e surpresa ao conhecer diferentes problemas relacionados ao meio ambiente e perceber que determinadas consequências das ações humanas já podem ser observadas na realidade.
Durante os diálogos, os alunos apresentaram preocupação com o futuro do planeta e demonstraram interesse em compreender de que maneira poderiam contribuir para sua preservação.
O envolvimento das crianças foi favorecido pela utilização de recursos visuais e pela realização da atividade em um espaço externo arborizado. A aproximação entre o conteúdo apresentado e o ambiente em que estavam inseridas possibilitou uma experiência mais concreta e significativa.
Outro aspecto observado foi o entusiasmo das crianças diante da possibilidade de participar da preservação ambiental por meio de atitudes simples. A compreensão de que ações cotidianas podem contribuir para o cuidado com o planeta favoreceu o desenvolvimento de uma percepção de responsabilidade.
Os alunos também demonstraram interesse em compartilhar as informações aprendidas com seus familiares, mostrando que a experiência pedagógica poderia produzir efeitos para além do ambiente escolar.
Esse resultado reforça a importância da escola como espaço de formação de valores e atitudes. Quando a criança compreende que aquilo que aprende pode ser colocado em prática no cotidiano, o conhecimento passa a apresentar maior significado.
Nesse sentido, a Educação Ambiental na infância pode contribuir para a formação de uma consciência ambiental progressiva. Não se pretende que a criança pequena compreenda toda a complexidade dos problemas ambientais, mas que desenvolva atitudes de cuidado, respeito e responsabilidade compatíveis com sua idade.
10 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A experiência realizada demonstrou a importância de trabalhar a Educação Ambiental desde a Educação Infantil, possibilitando que as crianças desenvolvam, desde cedo, conhecimentos e atitudes relacionados ao cuidado com o meio ambiente.
Os resultados indicaram que a utilização de recursos lúdicos, visuais e dialógicos favoreceu a participação das crianças e tornou a abordagem da temática ambiental mais acessível e significativa. O contato com o espaço externo da escola também contribuiu para aproximar o conteúdo da realidade vivenciada pelos alunos.
A atividade permitiu perceber que as crianças são capazes de compreender a importância de atitudes simples de preservação ambiental, como evitar o desperdício, não jogar lixo no chão, cuidar das plantas e respeitar os animais.
Outro aspecto relevante foi o interesse demonstrado pelos alunos em compartilhar o conhecimento adquirido com seus familiares. Essa atitude evidencia o potencial da Educação Ambiental para ultrapassar os limites da sala de aula e alcançar outros espaços de convivência.
Conclui-se, portanto, que ensinar sobre a conservação ambiental desde os primeiros anos da escolarização representa uma importante contribuição para a formação de cidadãos mais conscientes, éticos e responsáveis. A escola, por meio de práticas pedagógicas contextualizadas e lúdicas, pode contribuir para que as crianças compreendam que a preservação do meio ambiente é uma responsabilidade coletiva e que pequenas atitudes podem colaborar para a construção de uma sociedade mais sustentável.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2018.
BRASIL. Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Brasília, DF, 1999.
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial curricular nacional para a educação infantil. Brasília, DF: MEC/SEF, 1998.
KISHIMOTO, Tizuko Morchida. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. 14. ed. São Paulo: Cortez, 2011.
PIAGET, Jean. A formação do símbolo na criança: imitação, jogo e sonho, imagem e representação. Rio de Janeiro: Zahar, 1975.
VYGOTSKY, Lev Semionovich. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 7. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.


