A literatura infantil no ciclo da alfabetização

Rosimere Maria Quirino[1]

Grasiella Stéfany Pereira Dias[2]

 

DOI: 10.5281/zenodo.22283532

 

 

RESUMO

O objetivo deste trabalho é o de mostrar a importância da literatura infantil no processo da alfabetização, e analisar as estratégias de leitura em seus vários aspectos e possibilidades. Considera-se a leitura uma ferramenta essencial no processo da aprendizagem no ensino fundamental. Propõe-se um relato e reflexão das atividades desenvolvidas e ao observar o planejamento dos professores buscamos analisar quais são os gêneros literários preferidos pelo educador no momento de planejar suas aulas e quais são as dinâmicas de leituras mais utilizadas pelo professor na sala de aula. Existem diversas estratégias para trabalhar a leitura e escrita e a escola é um dos espaços importantes para a formação de leitores, porém, para isso, é necessária uma intencionalidade pedagógica, um planejamento adequado para instigar à atenção do aluno para a leitura. Uma das formas de realizar essa tarefa é a exposição de livros de Literatura Infantil e de cartazes com ilustrações para chamar a atenção por tudo isso, é importante que o professor seja um leitor assíduo, ele precisa ler muito na sala de aula, ler para os estudantes e com os estudantes. Ao trabalhar a literatura infantil a orientação é que o professor oportunidades aos alunos para produzir textos ou criar histórias a partir dos livros que, quando explorados, podem desenvolver a leitura e a escrita das crianças. A literatura infantil é o gênero que mais atrai a curiosidade das crianças, traz os encantamentos necessários para que os estudantes aprendam a gostar de ler. Os resultados mostram que a leitura realizada através de textos literários possibilita o desenvolvimento significativo da aprendizagem das crianças, especialmente para a fase de alfabetização.

 

PALAVRAS-CHAVE: Literatura infantil. Planejamento. Gêneros literários

 

 

INTRODUÇÃO

 

Esta pesquisa foi realizada com o objetivo de investigar como as professoras da alfabetização utilizam a literatura infantil como recurso de apropriação do Sistema de Escrita Alfabética, para atender a este objetivo, realizamos leitura de referencial teórico adequados, elaboramos este artigo a fim de fundamentar a importância da literatura infantil na apropriação do Sistema de Escrita Alfabético, ou seja, no decorrer do processo de alfabetização.

O levantamento bibliográfico, voltado para a importância da literatura infantil na apropriação do Sistema de Escrita Alfabético permeou todo processo investigativo. Selecionamos pesquisadores que investigam o tema em questão e, a partir de leituras e fichamentos, construímos este Trabalho.

Esta intencionalidade investigativa se justifica porque a literatura infantil é uma grande aliada do processo de alfabetização. Os livros de literatura infantil chamam a atenção das crianças pelo colorido das ilustrações, além disso, segundo Abramovich (2004), ao ler um conto de fadas as crianças buscam semelhanças entre a sua história e a história contada no livro. Neste processo, ela se desenvolve e aprende a buscar soluções para os problemas que vivencia. Desse modo, a literatura infantil não é apenas um instrumento de diversão, mas também é um valioso material didático que auxilia no processo de apropriação da leitura e da escrita.

Ao trabalhar a leitura o professor pode auxiliar o aluno a fazer relações do que aprendeu com outras áreas do conhecimento, abrindo novos caminhos para sua aprendizagem, um exemplo é após a leitura trabalhar atividades referentes à história contada pelo professor.

Segundo Antunes (2007, p. 49) orienta aos professores que as atividades de leitura planejadas por eles, “além de muito variadas, deverão garantir que a sala de aula seja sempre um lugar agradável, vivo e dinâmico, onde a criança se sinta bem”.

Antunes (2007, p. 37), destaca que “é importante variar as estratégias para provocar sempre um interesse renovado, pois todos os dias o professor deve trabalhar com a literatura”. Portanto, ao planejar uma aula é possível realizar outras atividades envolvendo a leitura, como: dominó de palavras, cantigas e histórias, quebra-cabeças de palavras, cruzadinhas, parlendas travas-línguas, textos fatiados e caça palavras, dentre outras.

Neste sentido, o nosso propósito é investigar os recursos e as estratégias que devem ser utilizadas pelos professores para trabalhar, por meio da literatura infantil, a apropriação da leitura e da escrita no processo de alfabetização. Assim, algumas questões movem esta pesquisa e nos instiga a investigar como a literatura infantil é trabalhada na alfabetização.

Na pesquisa foram consideradas bibliografias especializadas no assunto, documentos, Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN, Projetos, Legislação e a pesquisa de campo para coleta de dados. Sobre a pesquisa bibliográfica Gil (2006, p. 45) afirma que “a principal vantagem da pesquisa bibliográfica reside no fato de permitir ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente”.

A necessidade de levantamento documental nesta pesquisa foi de grande relevância, uma vez que muitas propostas de políticas educacionais se constituem nesses documentos. Gil (2006, p. 46) argumenta que estes documentos “constituem fonte rica e estável de dados. Como os documentos subsistem ao longo do tempo, tornam-se a mais importante fonte de dados em qualquer pesquisa de natureza histórica”.

 

 

DESENVOLVIMENTO

 

A literatura infantil aliada a um método bem elaborado pelo professor é uma importante ferramenta que ajuda no processo da alfabetização da criança, segundo Coelho, (2000, p. 18), “a escola é o espaço privilegiado, em que devem ser colocados os alicerces do processo de auto realização vital/cultural, que o ser humano inicia na infância e prolonga até a velhice”.

Em vários aspectos pode se dizer que a literatura infantil favorece o processo de ensino-aprendizagem, segundo Saraiva:

 

No processo de alfabetização, é essencial incorporar às práticas de sala de aula literário-narrativas e poemas para, de maneira particular, compor o conhecimento da criança e redimensionar a afetividade pela mediação dos signos verbais ou mesmo não verbais (SARAIVA 2001, p.13).

 

Por sua vez, a leitura está presente na alfabetização, é por meio do ato de ler que a criança constrói seu próprio conhecimento. Com esse pressuposto Cagliari afirma que:

 

Além de ter um valor técnico para a alfabetização, a leitura é ainda uma fonte de prazer, de satisfação pessoal, de conquista, de realização, que serve de grande estímulo e motivação para que a criança goste da escola e de estudar (CAGLIARI, 2007, p.168).

 

Assim, ao incluir a literatura infantil no processo de alfabetização é necessário que o educador desenvolva uma dinâmica com textos construtivos para que a leitura e a escrita seja uma aliada de ambos, tanto da criança, como do professor, pois, “a leitura e a escrita são procedimentos; seu domínio pressupõe poder ler e escrever de forma convencional”. Para ensinar os procedimentos, é preciso “mostrá-los” como condição prévia à sua prática independente (SOLÉ, 1998, p. 63).

Nesta perspectiva a literatura infantil abre vários leques fundamentais para o aprendizado do aluno, tanto para ler, como para escrever. Nestes termos, “o ensino inicial da leitura deve garantir a interação significativa e funcional da criança com a língua escrita, como meio de construir os conhecimentos necessários para poder abordar as diferentes etapas da sua aprendizagem” (SOLÉ, 1998, p. 62).

Diante de todos esses fatores, a leitura se mostra como uma das habilidades que apresenta maiores possibilidades para um trabalho eficaz do professor.      Ao trabalhar com histórias do gênero da literatura infantil, o professor pode auxiliar o aluno a fazer relações do que aprendeu, com outras áreas do conhecimento, abrindo novos caminhos para sua aprendizagem.

No processo de alfabetização das crianças a literatura infantil ganha um espaço especial, pois faz parte do cotidiano da criança e do ser humano. O professor ao elaborar um plano de aula para trabalhar com a literatura infantil terá que propor textos onde a criança possa desenvolver a capacidade de ler e produzir pequenos textos. Como afirma as Referências Curriculares Nacionais para a Educação Infantil:

 

Quando o professor realiza com frequência leituras de um mesmo gênero está propiciando às crianças oportunidades para que conheçam as características próprias de cada gênero, isto é, identificar se o texto lido é, por exemplo, uma história, um anúncio etc. São inúmeras as estratégias das quais o professor pode lançar mão para enriquecer as atividades de leitura, como comentar previamente o assunto do qual trata o texto; fazer com que as crianças levantem hipóteses sobre o tema a partir do título; oferecer informações que situem a leitura; criar um certo suspense, quando for o caso; lembrar de outros textos conhecidos a partir do texto lido; favorecer a conversa entre as crianças para que possam compartilhar o efeito que a leitura produziu, trocar opiniões e comentários etc. (BRASIL, RCNI, 1998, p.141,142).

 

Ao propor uma atividade com a leitura de uma história o professor desenvolverá a criticidade do educando, isso por que “ao ler uma história a criança também desenvolve todo um potencial crítico. A partir daí ela pode pensar, duvidar, se perguntar, questionar,” (ABRAMOVICH, 1991, p. 143). Para tanto, ao trabalhar a leitura, o educador precisa utilizar estratégias didáticas que permita ao educando compreender que ler não é uma atividade a mais, mesmo por que:

 

Na escola, a leitura serve não só para se aprender a ler, como para aprender outras coisas, lendo. Serve ainda para se ensinar e treinar a pronúncia dos alunos no dialeto-padrão e em outros. A leitura é uma maneira de se aprender o que é escrever e qual a forma ortográfica das palavras (CAGLIARI, 2007, p. 172).

 

Desse modo, a leitura que é feita na sala de aula deve ser planejada para realizar diversas dinâmicas que vão além de aprender a ler. Contudo, “para a aprendizagem da leitura a criança necessita recorrer à língua escrita através de múltiplas atividades e inúmeros materiais” (BARBOSA, 1994, p.139).

Neste sentido, o educador pode desenvolver ações pedagógicas com atividades que estimulem o pensamento reflexivo. Para tanto,

 

Pode-se utilizar os materiais que já existem, mas também é bom quando o professor e as crianças escolhem e fabricam os seus próprios materiais. Esses materiais podem ser, por exemplo, versinhos escritos a mão para serem lidos pelos outros, textos escritos á maquinas, textos de revistas, poemas para recitar [...], (BARBOSA, 1994, p. 139).

 

Além da leitura, a criação de textos é uma prática que ajuda construir um repertório amplo para o desenvolvimento da aprendizagem da criança, e a elaboração de projetos com diversos gêneros textuais literários  porque,

 

Os grandes objetivos preconizados nessas tarefas estão relacionados á aprendizagem de situar-se no mundo da literatura, aprendendo a lidar com diferentes gêneros literários, com imaginários requerido para a formação de ideias e de gosto, com os elementos poéticos (rimas, imagem sonoras, brincadeiras com palavras, musicalidade, expressão de sentimentos e afetos) e com elementos narrativos (narrador, personagens, diálogos, tempo e espaço), (COSTA, 2007, p.124).

 

Pois além de um melhor desenvolvimento da escrita e leitura, os alunos estarão realizando uma atividade prazerosa envolvendo a sua imaginação.

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

O propósito da pesquisa foi investigar a importância da literatura infantil nos anos iniciais do ensino fundamental e também buscamos analisar os métodos que podem ser utilizados pelo professor para trabalhar a leitura e a escrita na alfabetização.

O ato de ler ou ouvir leitura de textos deve ser entendido como uma possibilidade de construir ou ampliar significados, pois “Trata-se de caminho de muitas vias: o que o leitor já traz em seu repertório aplica aos textos e acresce ao repertório, além de devolver à comunidade dos leitores os sentidos que conseguiu produzir no ato de ler”, (COSTA,2007, p.64)

A literatura infantil deve ser utilizada para alfabetizar crianças, porém é indispensável pensar em uma literatura que seja abordada de maneira adequada e em sua totalidade, para que o leitor consiga explorá-la.

Além de que o texto literário pode ser utilizado como recurso pedagógico que facilita o processo de ensino e de aprendizagem, pois auxilia no acesso da criança ao mundo da escrita, fazendo com que ela sinta interesse prazer ler e ouvir histórias. A literatura para crianças favorece a aquisição da leitura e da escrita. Segundo Soares (2004), o ato de alfabetizar consiste em ensinar a ler e a escrever, ou seja, “(...) alfabetizar significa adquirir habilidades de decodificar a língua oral em língua escrita (escrever) e decodificar a língua escrita em língua oral (ler)”. (SOARES, 2004, p. 15).

Portanto, esperamos que este trabalho venha colaborar com o entendimento de que a literatura infantil é um processo constante, necessário e indispensável para o processo de alfabetização, que contribui para uma aprendizagem significativa e prazerosa.

Percebe-se que as histórias infantis provocam o interesse e a curiosidade das crianças pelo conhecimento e possuem grandes contribuições para o desenvolvimento da alfabetização.

 

 

REFERÊNCIAS

 

ABRAMOVICH, Fanny. Literatura Infantil, Gostosuras e Bobices. 2 Ed. Editora Scipione, 1991.

 

ABRAMOVICH, Fanny. Literatura infantil. 5. Ed. São Paulo: Scipione, 2004.

 

ANTUNES, Wanda de Andrade. Lendo e formando leitores: orientações para o trabalho com a literatura infantil. Wanda de Andrade Antunes. São Paulo: Global, 2007.

 

BARBOSA, José Juvêncio. Alfabetização e leitura. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1994.

 

BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial curricular nacional para a educação infantil. Brasília: MEC/SEF, 1998. Volume 3: Conhecimento de mundo.1. Educação infantil. 2. Criança em idade pré-escolar. I. Título.

 

CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetização e Linguística. Luiz Carlos Cagliari. Ed. São Paulo: Scipione 2007.

 

COELHO, Nelly Novaes. Literatura Infantil: teoria, análise didática. Nelly Novaes Coelho. 1.ed São Paulo: Moderna, 2000.

 

COSTA,      Marta    Morais    da.    Metodologia    do    ensino                  daliteratura infantil-Curitiba: Ibpex, 2007.

 

GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6.ed.3. Reimpr. São Paulo: Atlas, 2006.

 

SARAIVA Juracy Assmann. Literatura e Alfabetização. Juracy Assmann Saraiva. Porto Alegre: Artmed Editora, 2001.

 

SOARES, Magda. Alfabetização e letramento. 2 ed. São Paulo: Contexto, 2001 e 2004.

 

SOLÉ, Isabel, Estratégias de leitura. trad. Cláudia Schilling. 6.ed.Porto Alegre: ArtMed, 1998.

 

TRIVIÑOS, Augusto N. S. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1992.

 



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