A importância da avaliação no processo de aprendizagem na alfabetização

Maria Verônica Quirino da Silva[1]

Alinielle de Lima

Taciana Quirino da Silva

 

DOI: 10.5281/zenodo.22166235

 

 

RESUMO

A alfabetização é a base da formação humana, início de uma vida repleta de descobertas no imenso universo de letra e números. Alfabetizar como ato de ensinar a ler e escrever é o ponto de partida de todos os outros saberes, é a partir dela que a criança passa a se encantar com aquilo que aprendemos e descobrimos. Investigar o processo avaliativo e suas implicações para a formação da criança na alfabetização é primordial.  A temática da avaliação na alfabetização é muito decisiva na situação educacional da atualidade, pois a formação do indivíduo deve começar na base. A avaliação é fundamental para diagnosticar o nível de compreensão de cada aluno, monitorar sua evolução continua e ajustar as estratégias pedagógicas. Ela permite identificar as hipóteses da escrita, leitura, matemática e o conhecimento alfabético e as habilidades fonológicas, garantindo intervenções precisas e personalizadas para que nenhum estudante fique para atrás.

 

Palavras-chave: Avaliação. Alfabetização. Professor. Leitura. Escrita. Aluno.

 

 

INTRODUÇÃO

 

A alfabetização é um dos pilares fundamentais para o desenvolvimento social, econômico e cultural de um país, pois permite que o indivíduo tenha acesso ao conhecimento, à cidadania e as oportunidades de participação na sociedade.

No Brasil, a trajetória da alfabetização foi marcada por avanços e desafios, desde o período colonial, quando a educação era restrita a uma pequena parcela da população, até os dias atuais, em que políticas publicas buscam ampliar o acesso à leitura e a escrita. Apesar dos progressos alcançados nas últimas décadas, o país ainda enfrenta obstáculos relacionados as desigualdades sociais, a qualidade do ensino e a formação professores, tornando a alfabetização um tema de grande relevância para a construção de uma educação mais inclusiva e eficiente.

Se observarmos a nossa vida cotidiana vamos perceber que, a avaliação está presente em quase todas as ações que realizamos no dia a dia. O ato de fazer um bolo: avaliamos a quantidade dos ingredientes, a consistência da massa, a temperatura do forno, o sabor final, etc. e a partir desta avaliação adequamos a receita ou modo de fazer. Assim, estamos avaliando constantemente no cotidiano. Da mesma forma, na educação, a avaliação desempenha papel fundamental, uma vez que pode guiar e redefinir o rumo do processo de aprendizagem. Avaliar na escola é mais do que atribuir notas, é um processo de compreensão da aprendizagem.

A avaliação constituí – se um processo por meio do qual o educador recolhe e analisa as informações sobre o ensino e a aprendizagem definindo a articulação da intervenção pedagógica que constitui para o alcance dos objetivos propostos para cada etapa do processo educacional. Nesse sentido é importante entender sobre a avaliação na sua especificidade na aprendizagem escolar no ciclo de alfabetização enquanto etapa da educação básica.

Segundo Santos, Lucíola e Paraíso (1996, p. 37), “O currículo constrói identidade e subjetividade: junto com os conteúdos das disciplinas escolares, adquirem -se na escola percepções, disposições e valores que orientam os comportamentos e estrutura, as personalidades”.

Segundo André e Passos (2002), a avaliação vista como instrumento de aprendizagem e investigação didática pode trazer contribuição tanto para o professor melhorar seu ensino coo para o aluno se perceber em seu próprio processo de aprendizagem. Nesse sentido, as autoras afirmam que esta perspectiva avaliativa,

 

Por um lado, indica ao aluno seus ganhos, sucesso, dificuldades, a respeito das distintas etapas pelas quais passa durante a aprendizagem e ao mesmo tempo permite a construção e reconstrução do conhecimento. Por outro lado, indica ao professor como se desenvolver o processo de aprendizagem e, portanto, o de ensino, assim como os aspectos mais bem-sucedidos ou os que exigem mudanças (ANDRÉ E PASSOS (2002, P.182).

 

Para Gil (2011) “O maior problema da avaliação está no fato de que normalmente ela envolve serias consequências para quem esta se3ndo avaliado. Isto porque as notas que o estudante recebe não apenas determinarão se ele será aprovado ou reprovado. Elas poderão afetar sua autoestima, influenciar sua motivação pelos estudos, reforçar o interesse pelo abandono do curso, etc.”

As atividades avaliativas diagnosticadas deficiências e apresentam as eficiências. Onde os pontos negativos, ou seja, as deficiências precisam ser trabalhadas para serem superadas a cada dia e os pontos positivos, as eficiências, devem ser mantidas, e se possível aperfeiçoadas.

Portanto, para se ter qualidade na educação é imprescindível a mudança nos métodos utilizados para ensinar e avaliar o estudante. Com meios tecnológicos cada vez mais avançados, e com uma globalização presente constantemente, é preciso formar cidadãos conscientes e participativos. Faz -0 se necessário dar oportunidade para que o educando possa mostrar sua maneira peculiar de aprender e somar isso a sua experiencias extraescolares.

E para ser evitados tudo isto é que as formas de avaliar devem ser repensadas. Avaliar sim, mas com coerência, de modo que a qualidade seja mais importante que a quantidade. Fazendo com que o avaliado sinta que aquela etapa faz parte do aprendizado e não para dar notas, aprovando ou reprovando

Luckesi 920011, p.40) sustenta que “seja pontual ou contínua, a avaliação só faz sentido, quando leva ao desenvolvimento do educando.”

 

 

COMO A ESCOLA DEVE AVALIAR O ALUNO

 

O processo de avaliação na alfabetização é uma ferramenta continua e formativa que permite identificar o nível de aprendizagem da criança, suas habilidades percursoras, orientar e agir com intervenções pedagógicas para o desenvolvimento da leitura e escrita. A avalição no processo de alfabetização vai além do medir acertos e erros; ela serve como instrumentos para compreender o desenvolvimento das crianças e identificar as dificuldades e planejar estratégias pedagógicas adequadas.  Seu objetivo principal é garantir que cada criança adquira as habilidades necessárias para ler e escrever de forma fluente, promovendo também autoestima e confiança no aprendizado.

De acordo com a BNCC (Base Nacional Comum Curricular), avaliar o desempenho do aluno consiste em uma análise global e integral do aluno em relação ao processo de ensino – aprendizagem. No entanto, existem diversas formas de avaliação que não seja a tradicional prova e perguntas e respostas sobre um determinado conteúdo, em que o estudante precisa redigir ou apenas marcar a alternativa certa. Vai muito mais além disso!

Segundo a pesquisadora Jussara Hoffmann (2009) “A avaliação Não é um fim em si mesma, mas um meio de compreender e promover a aprendizagem do aluno. Ela deve ser entendida como uma prática que deve ir além da mediação de resultados e se configurar como um processo investigativo e reflexivo sobre o ensino e o aprendizado.”

Vygotsky propõe olhar para o que o aluno está em processo de aprender, não apenas para o que já aprendeu. Isso significa acompanhar o desenvolvimento de forma contínua.

As avaliações orientam e auxiliam o gestor escolar, o educador e o próprio aluno a compreender os desafios e déficit no aprendizado, bem como trabalhar as potencialidades e repensar ações adotadas em sala de aula, focadas nos aperfeiçoamentos e desenvolvimentos integral dos estudantes.

Desta forma, o processo avaliativo na escola fornece diagnóstico, guiando os professores na identificação de lacunas no aprendizado, formação continua dos alunos e feedback(retorno) para que o educador ajuste as metodologias que são efetivas para cada aluno.

As avaliações orientam e auxiliam o gestor escolar, o educador e o próprio aluno a compreender os desafios e déficits no +aprendizado, bem como trabalhar as potencialidades e repensar ações adotadas em sala de aula, focadas no aperfeiçoamento e desenvolvimento integral dos estudantes.

No entanto, para que essas analises sejam de fato assertivas tanto para o educador quanto para o discente, não basta aplicar a avaliação apenas no final do semestre, por exemplo. Essa é uma estratégia que deve ser pensada e realizada continuamente, pois, assim, pode servir de métrica e embasamento para a tomada de decisão e continuar promovendo a educação de qualidade.

A escola deve avaliar o aluno de forma contínua, justa e abrangente, considerando não apenas as notas de provas, mas também o processo de aprendizagem e o desenvolvimento das competências.

Alguns princípios importantes são:

- Avaliação contínua: acompanhar o progresso do aluno ao longo do período letivo, e não apenas em provas finais.

- Diversidade de instrumentos: utilizar provas, trabalhos, projetos, apresentações, atividades em grupo, produções escritas, observações e participação em sala de aula.

- Critérios claros: informar previamente aos alunos como serão avaliados e quais competências e habilidades são esperadas.

- Caráter formativo: usar os resultados da avaliação para identificar dificuldades, orientar o ensino e oferecer oportunidades de recuperação da aprendizagem.

- Respeito às diferenças individuais: considerar o ritmo de aprendizagem, as necessidades educacionais específicas e o contexto de cada estudante, garantindo igualdade de oportunidades.

- Feedback construtivo: fornecer devolutivas que ajudem o aluno a compreender seus avanços, identificar pontos de melhoria e desenvolver autonomia.

Em síntese, a avaliação deve ter como principal objetivo promover a aprendizagem, fornecendo informações para que professores, alunos e famílias possam acompanhar o desenvolvimento do estudante e tomar decisões que favoreçam seu sucesso escolar, em vez de servir apenas para classificar ou atribuir notas.

 

 

OS TIPOS DE AVALIAÇÃO

 

Os principais tipos de avaliação no contexto educacional são:

 

- Avaliação Diagnóstica:  identificar lacunas e hipóteses de escrita, como fases pré-silábica, silábica sem valor sonoro.

Realizada antes do início do processo de ensino.

Tem como objetivo identificar os conhecimentos prévios, dificuldades e necessidades dos alunos.

Exemplo: teste inicial sobre um conteúdo que será estudado.

- Avaliação Formativa: Acompanha o progresso contínuo, permitindo ajustes no ensino conforme as necessidades individuais e coletivas da turma.

Acontece durante o processo de aprendizagem.

Serve para acompanhar o desenvolvimento do aluno e orientar melhorias.

Exemplo: exercícios, debates, trabalhos em grupo e participação em aula.

- Avaliação Somativa: Avaliação realizada ao final de um período de ensino com o objetivo de verificar o que o estudante aprendeu e medir o alcance dos objetivos de aprendizagem.

Exemplo: provas finais, exames e trabalhos conclusivos.

 

 

Habilidades Avaliadas

 

A avaliação foca em habilidades precursoras essenciais, como:

 

Consciência fonológica: percepção e manipulação dos sons da fala, incluindo rimas, aliterações, sílabas e fonemas 

Conhecimento alfabético: familiaridade com o nome, forma e escrita das letras, fundamental para o sucesso na alfabetização 

Compreensão da função social da escrita: capacidade de usar a escrita para comunicar ideias, indo além da simples decodificação 

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

O processo de avaliação de aprendizagem na alfabetização é dinâmico, contínuo e formativo, essencial para orientar o ensino, detectar dificuldades e garantir que todas as crianças desenvolvam competências solidas em leitura e escrita, alinhadas as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular e aos padrões nacionais de alfabetização.

A Avaliação ela necessita ser processual e diagnóstica. É necessário, pois, o acompanhamento pedagógico do/a professor/a em todas as atividades realizadas por seus alunos, a fim de verificar o que está sendo aprendido e como está sendo a aprendizagem. Esse acompanhamento permite ao docente “mudar sua rota”, traçar novos métodos e recursos que venham garantir uma aprendizagem sólida e consistente em seus alunos, principalmente aqueles que estão com dificuldades na aprendizagem.

 

 

REFERÊNCIAS

 

LUCKESI, C. C. Avaliação da aprendizagem na escola e a questão das representações sociais. EccoS Revista Científica, vol. 4, núm. 2, dezembro, 2002, pp. 79-88. Universidade Nove de Julho. São Paulo, Brasil. Disponível http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=71540206. Acesso em: 29 mar. 2024.

 

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília,

 2018.

 

BRASIL. Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº 9.394/96 de 20 de dezembro de 1996. Brasília, 1996. Disponível em: www.planalto.gov.br. Acesso em: 23 jan. 2024.

 

HOFFMANN, Jussara. O jogo do contrário da avaliação. – 10. ed. – Porto Alegre: Mediação, 2018.

 

LUCKESI, Carlos Cipriano. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. 22. ed. – São Paulo: Cortez, 2011a.

 

LUCKESI, Carlos Cipriano. Avaliação da aprendizagem componente do ato pedagógico. 1. ed. – São Paulo: Cortez, 2011b.

 



[1] Professora de Educação Básica na rede municipal de Nova Olímpia – Mt, pós graduada em psicopedagogia Clínica e Institucional, mestranda em Intervenção psicológica no Desenvolvimento e na Educação.  e-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

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