Os desafios da sala de recurso multifuncional na atualidade

Geisiane Aline Ortolan Bertanha

Caroline Vantin

Bruno Rogério Ferro

 

DOI: 10.5281/zenodo.21280507

 

 

RESUMO

Esse trabalho tem como objetivo destacar a importância das salas de recursos multifuncionais na inclusão efetiva dos alunos especiais dentro de uma Unidade Escolar. O professor de educação especial deve realizar um atendimento diferenciado compatível com as necessidades educacionais distintas de cada aluno, proporcionando, assim, um processo de aprendizagem gradual, que respeite a individualidade da criança. Através de um trabalho bem elaborado chega-se a ótimos resultados, os alunos são estimulados a superar suas dificuldades e são auxiliados a enfrentar os desafios da sala de aula regular. Mesmo com tanta importância na inclusão, a realização desse trabalho encontra dificuldades pelo caminho, como falta de estrutura física nas escolas, falta de professores especializados e a falta de participação da família desses alunos. Dessa forma, torna-se essencial o investimento em políticas públicas, formação continuada dos profissionais, melhorias na estrutura das instituições de ensino e fortalecimento da parceria entre escola, família e comunidade, a fim de garantir uma educação inclusiva de qualidade, assegurando o direito à aprendizagem e à participação plena de todos os estudantes.

 

Palavras-chave: Sala de recurso multifuncional. Inclusão. Educação Especial.

 

 

ABSTRACT

This paper aims to highlight the importance of multifunctional resource rooms in the effective inclusion of special students within a School Unit. The special education teacher must perform a differentiated service compatible with the educational needs of each student, thus providing a gradual learning process that respects the individuality of the child. Through well-crafted work, great results are achieved, students are encouraged to overcome their difficulties and are helped to meet the challenges of the regular classroom. Even with so much importance in the inclusion, the accomplishment of this work finds difficulties by the way, like lack of physical structure in the schools, lack of specialized teachers and the lack of participation of the family of these students. Thus, investing in public policies, the continuous professional development of educators, and improvements to educational infrastructure—as well as strengthening partnerships among schools, families, and communities—is essential to guaranteeing quality inclusive education and ensuring the right to learning and full participation for all students.

 

Keywords: Multifunctional resource room. Inclusion. Special education.

 

 

INTRODUÇÃO

 

A educação constitui um direito fundamental assegurado pela Constituição Federal de 1988, que estabelece, em seu artigo 205, que a educação é direito de todos e dever do Estado e da família, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, ao preparo para o exercício da cidadania e à sua qualificação para o trabalho. Além disso, o artigo 206 determina que o ensino deve ser pautado pelo princípio da igualdade de condições para o acesso e permanência na escola. Nesse contexto, a educação inclusiva representa um importante avanço na garantia dos direitos das pessoas com deficiência, assegurando que todos os estudantes tenham acesso a uma educação de qualidade, em ambientes escolares que respeitem a diversidade e promovam a equidade.

Nas últimas décadas, a educação inclusiva passou a ocupar lugar de destaque nas políticas públicas educacionais brasileiras, impulsionada por legislações nacionais e por acordos internacionais que defendem a construção de sistemas educacionais capazes de atender às necessidades de todos os estudantes. Entretanto, garantir apenas o acesso à escola não é suficiente. É necessário assegurar condições efetivas de permanência, participação, aprendizagem e desenvolvimento, eliminando as barreiras físicas, pedagógicas, comunicacionais e atitudinais que ainda dificultam a inclusão escolar.

Nesse sentido, faz-se necessário que profissionais qualificados desenvolvam práticas pedagógicas capazes de favorecer o desenvolvimento das potencialidades dos estudantes público-alvo da Educação Especial. O processo de inclusão exige conhecimento técnico, planejamento, sensibilidade e formação continuada, uma vez que cada estudante apresenta características, ritmos de aprendizagem e necessidades específicas. Assim, a atuação do professor deve estar fundamentada em estratégias pedagógicas diversificadas, que respeitem as diferenças individuais e promovam oportunidades reais de aprendizagem.

O profissional que atua no Atendimento Educacional Especializado (AEE) é um professor com formação específica para esse tipo de atendimento, realizado, preferencialmente, no contraturno da escolarização. O trabalho desenvolvido nas Salas de Recursos Multifuncionais não deve ser confundido com reforço escolar nem com a simples repetição dos conteúdos trabalhados na sala de aula regular. Sua função é complementar e suplementar o ensino comum, oferecendo recursos pedagógicos e de acessibilidade que favoreçam a autonomia, a participação e o desenvolvimento dos estudantes. Entretanto, em algumas instituições escolares, ainda existe uma compreensão equivocada sobre a função do AEE, fazendo com que esse atendimento seja utilizado apenas para revisar conteúdos não assimilados na classe comum, descaracterizando sua finalidade prevista na legislação.

De acordo com a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2008), o Atendimento Educacional Especializado organiza recursos e serviços capazes de eliminar barreiras que dificultam a participação plena dos estudantes na vida escolar. Dessa forma, o AEE deve atuar em articulação com os professores da sala comum, promovendo adaptações pedagógicas, utilização de tecnologias assistivas, elaboração de materiais acessíveis e desenvolvimento de estratégias que favoreçam o acesso ao currículo escolar.

Segundo Mantoan (2003), a inclusão escolar pressupõe uma transformação da escola e de suas práticas pedagógicas, reconhecendo que todos os estudantes são capazes de aprender quando lhes são oferecidas oportunidades adequadas às suas necessidades. Para a autora, a escola inclusiva rompe com modelos excludentes e passa a valorizar a diversidade como elemento enriquecedor do processo educativo, compreendendo que as diferenças fazem parte da condição humana.

Sob a perspectiva histórico-cultural, Vygotsky (1998) afirma que o desenvolvimento da aprendizagem ocorre por meio das interações sociais e da mediação realizada pelo professor. Assim, a atuação docente torna-se fundamental para criar situações de aprendizagem que permitam ao estudante desenvolver novas habilidades, fortalecendo sua autonomia e ampliando suas possibilidades de participação na vida escolar e social.

Além da atuação do professor especializado, a efetivação da inclusão depende da existência de recursos pedagógicos acessíveis, tecnologias assistivas, materiais adaptados, planejamento colaborativo entre os profissionais da escola e participação ativa da família. A construção de uma educação inclusiva exige o compromisso de toda a comunidade escolar, desde a gestão até os professores, funcionários e familiares, de modo que o estudante encontre um ambiente acolhedor, respeitoso e favorável ao seu desenvolvimento.

Com professores especializados, recursos adequados e práticas pedagógicas fundamentadas nos princípios da inclusão, as Salas de Recursos Multifuncionais desempenham importante papel no desenvolvimento das habilidades cognitivas, sociais, comunicativas e funcionais dos estudantes. Para isso, são utilizados diferentes recursos, como Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA), tecnologias assistivas, materiais concretos, jogos pedagógicos, recursos de informática acessível, sistemas de leitura e escrita em Braille, Libras, adaptações curriculares e diversas metodologias que respeitam as especificidades de cada estudante.

Diante desse cenário, o presente trabalho tem como objetivo compreender a importância das Salas de Recursos Multifuncionais no processo de inclusão escolar, analisando sua organização, suas metodologias de ensino, os desafios enfrentados pelos profissionais da educação e sua contribuição para o desenvolvimento integral dos estudantes público-alvo da Educação Especial. Busca-se evidenciar que a inclusão escolar ultrapassa o cumprimento da legislação, constituindo-se como um compromisso ético, social e pedagógico com a construção de uma escola verdadeiramente democrática, acessível e de qualidade para todos.

 

 

DESAFIOS NA INCLUSÃO

 

É possível verificar que há garantias de direitos ao acesso e aprendizagem nas legislações, a educação inclusiva está amparada por leis e portarias. Ou seja, a teoria prevê um sistema com espaço físico adequado, materiais de qualidade e qualificação para os profissionais, para que assim, possam oferecer um atendimento de qualidade. Na prática são raras as unidades escolares com essa estrutura. Segundo a Lei n°13.146, de 6 de julho de 2015, capitulo IV, Art.28:

 

Incumbe ao poder público assegurar, criar, desenvolver, implementar, incentivar, acompanhar e avaliar:

I - sistema educacional inclusivo em todos os níveis e modalidades, bem como o aprendizado ao longo de toda a vida;

II - aprimoramento dos sistemas educacionais, visando a garantir condições de acesso, permanência, participação e aprendizagem, por meio da oferta de serviços e de recursos de acessibilidade que eliminem as barreiras e promovam a inclusão plena;

III - projeto pedagógico que institucionalize o atendimento educacional especializado, assim como os demais serviços e adaptações razoáveis, para atender às características dos estudantes com deficiência e garantir o seu pleno acesso ao currículo em condições de igualdade, promovendo a conquista e o exercício de sua autonomia;

IV - oferta de educação bilíngue, em Libras como primeira língua e na modalidade escrita da língua portuguesa como segunda língua, em escolas e classes bilíngues e em escolas inclusivas;

V - adoção de medidas individualizadas e coletivas em ambientes que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social dos estudantes com deficiência, favorecendo o acesso, a permanência, a participação e a aprendizagem em instituições de ensino (Lei n°13.146, de 6 de julho de 2015, capitulo IV, Art.28).

 

Deve-se ser ofertado aos alunos materiais didáticos e pedagógicos acessíveis (livros, desenhos, mapas, gráficos e jogos táteis, em Libras e em Braille, com contraste visual, digitais, entre outros); tecnologias de informação e de comunicação acessíveis (mouses e acionadores, teclados com colmeias, sintetizadores de voz, linha Braille, entre outros); e recursos ópticos; pranchas de CAA, engrossadores de lápis, ponteira de cabeça, plano inclinado, tesouras acessíveis, entre outros. Mas todo recurso não será eficaz se os profissionais não estiverem capacitados de acordo, o professor que atuará na sala de recurso multifuncional deverá ter formação na área de educação especial. Sem o professsor qualificado, não há inclusão.

Outro desafio encontrado na inclusão é a falta de participação da família do educando. A ligação da família com a escola potencializa o processo de ensino e aprendizagem, a escola complementa as ações da família e vice-versa. Szymansky (2010, p.22) descreve que “É na família que a criança encontra os primeiros “outros” e, por meio deles, aprende os modos humanos de existir – seu mundo adquire significado e ela começa a construir-se como sujeito”.

 

A família, nesta perspectiva, é uma das instituições responsáveis pelo processo de socialização realizado mediante práticas exercidas por aqueles que têm o papel transmissor – os pais – e desenvolvidas junto aos que são os receptores – os filhos. (SZYMANSKI, 2010, p. 20).

 

Segundo Szymanski (2010, p. 99), a escola tem como “obrigação de ensinar (bem) conteúdos específicos de áreas do saber, escolhidos como sendo fundamentais para a instrução de novas gerações”. O mais indicado é a interação entre pais e professores, para que quando o aluno estiver fora da sala de aula à família também possa auxiliar esse desenvolvimento de aprendizado, pois um pouco que a família possa auxiliar a criança em casa já ajudará muito o professor, para que o que foi assimilado em sala de aula não se perca.

Além dos desafios relacionados à infraestrutura física, aos recursos pedagógicos e à participação da família, destaca-se a necessidade de uma mudança de concepção acerca da educação inclusiva. A inclusão não pode ser compreendida apenas como o ingresso do estudante com deficiência na escola regular, mas como a garantia efetiva de sua participação, aprendizagem e desenvolvimento. Nesse sentido, Mantoan (2003) afirma que incluir significa transformar a escola para que ela seja capaz de atender à diversidade humana, rompendo com práticas excludentes e com a ideia de que o aluno deve se adaptar ao sistema educacional. Para a autora, é a escola que precisa reorganizar suas práticas pedagógicas para acolher todos os estudantes, respeitando suas singularidades.

Outro aspecto que merece destaque é a formação continuada dos professores. Embora a legislação estabeleça a necessidade de profissionais qualificados para atuar na educação inclusiva, muitos docentes relatam sentir-se inseguros diante das demandas apresentadas pelos alunos com deficiência ou transtornos do desenvolvimento. Essa insegurança decorre, muitas vezes, da insuficiência de formação inicial e da escassez de programas permanentes de capacitação. Conforme Mantoan (2006), a formação docente deve possibilitar a reflexão sobre a prática pedagógica, favorecendo a construção de estratégias que valorizem as potencialidades dos estudantes e promovam sua participação efetiva no processo de aprendizagem.

Sob a perspectiva histórico-cultural, Vygotsky (1997) defende que o desenvolvimento humano ocorre por meio das interações sociais e da mediação realizada por outras pessoas. Para o autor, as limitações decorrentes de uma deficiência não determinam, por si só, as possibilidades de aprendizagem do indivíduo. Ao contrário, quando o ambiente oferece oportunidades, recursos e mediação adequada, o estudante pode desenvolver habilidades e ampliar suas capacidades cognitivas. Essa compreensão reforça a importância de práticas pedagógicas que priorizem a colaboração, a interação entre os pares e o planejamento de atividades que considerem as necessidades individuais de cada aluno.

Outro obstáculo frequentemente encontrado nas escolas são as chamadas barreiras atitudinais. Essas barreiras manifestam-se por meio de preconceitos, estereótipos, baixa expectativa em relação às capacidades dos estudantes com deficiência e resistência às mudanças nas práticas pedagógicas. Muitas vezes, essas atitudes representam um impedimento ainda maior do que as limitações físicas ou estruturais da escola, pois comprometem o sentimento de pertencimento e a participação dos estudantes nas atividades escolares. A eliminação dessas barreiras exige o desenvolvimento de uma cultura escolar pautada no respeito às diferenças, na valorização da diversidade e na promoção dos direitos humanos.

Nesse contexto, Freire (1996) ressalta que ensinar exige respeito aos saberes dos educandos, diálogo e compromisso com uma educação humanizadora. A prática educativa deve reconhecer cada estudante como sujeito ativo na construção do conhecimento, valorizando suas experiências e potencialidades. Assim, a inclusão escolar ultrapassa a dimensão legal e torna-se um compromisso ético e social, baseado no reconhecimento da dignidade e dos direitos de todos.

Outro fator determinante para o sucesso da inclusão é o trabalho colaborativo entre professores da sala regular, professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE), equipe gestora, profissionais de apoio e demais especialistas envolvidos no processo educativo. O planejamento coletivo favorece a elaboração de estratégias pedagógicas mais adequadas, a realização de adaptações curriculares e o acompanhamento contínuo do desenvolvimento dos estudantes, fortalecendo a aprendizagem e reduzindo as barreiras à participação.

Dessa forma, percebe-se que os desafios da inclusão escolar vão além da existência de leis que asseguram esse direito. É indispensável que haja investimento em políticas públicas, formação continuada dos profissionais, acessibilidade física e pedagógica, recursos tecnológicos, fortalecimento da parceria entre escola e família e construção de uma cultura escolar inclusiva. Somente com a articulação desses elementos será possível garantir uma educação verdadeiramente democrática, equitativa e de qualidade para todos os estudantes.

 

METODOLOGIA UTILIZADA NAS SALAS DE RECURSOS MULTIFUNCIONAIS

A Lei de Diretrizes e Bases Educação 9.394/96 Art. 59, afirma que: 

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Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais:

I – currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades;

II – terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados;

III – professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns;

IV – educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva integração na vida em sociedade, inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo, mediante articulação com os órgãos oficiais afins, bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística, intelectual ou psicomotora;

V – acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular (Lei de Diretrizes e Bases Educação 9.394/96 Art. 59).

 

Para que a aprendizagem seja mais facilmente assimilada pelo aluno, muitos métodos são utilizados dentro de uma sala de recurso multifuncional, levando sempre em consideração as limitações e dificuldades dos alunos atendidos. Alunos com deficiência auditiva aprendem Libras; alunos com deficiência física tem aulas adaptadas para estimular a autonomia do aluno; alunos com deficiência intelectual realizam atividades que estimulam o desenvolvimento da atenção, percepção e memória; alunos com deficiência visual aprendem Braile; alunos com altas habilidades/superdotados são incentivadas a escrever, desenhar e usar suas habilidades de forma criativa.

Muitas vezes para que o trabalho desenvolvido seja mais atrativo aos olhos das crianças é utilizado jogos e brincadeiras. O trabalho baseia-se no brincar consciente e na utilização dos aspectos e jogos disponíveis na escola, como também a utilização de músicas, jogos dramáticos que auxiliam a criança adquirir o domínio da comunicação permitindo assim a relação lúdica com a realidade e a vivência social. Dessa forma são estimulados a curiosidade e a autoconfiança, proporcionando aprendizagem, desenvolvimento da linguagem e da concentração de forma natural e prazerosa, já que toda a criança possui uma evolução para alcançar a idade cognitiva em que se encontra.

Os métodos utilizados em forma de jogos, brincadeiras, brinquedos e pequenas peças teatrais auxiliam nessa evolução e percebe-se que esses métodos auxiliam na evolução e no desenvolvimento da criança despertando a sua curiosidade e imaginação propondo assim a invenção de um mundo do tamanho da sua compreensão. Essas brincadeiras e jogos não podem ser vistos apenas como forma de distração, mas sim como um favorecimento ao desenvolvimento físico, cognitivo, afetivo, social.

Para que o isolamento e preconceito dentro do universo escolar acabe, torna-se necessário tomar medidas pedagógicas coerentes, que beneficiem a integração de todos. Devemos analisar todo o contexto e providenciar todos os recursos necessários para que a educação aconteça mais integradora possível. A ação do professor de educação especial tem como objetivo eliminar todas essas barreiras que dificultam a aprendizagem, para que o desenvolvimento e aprendizagem do aluno com necessidade especial aconteça de forma satisfatória.

Além dos recursos pedagógicos tradicionais, as Salas de Recursos Multifuncionais utilizam diferentes estratégias metodológicas que favorecem a construção do conhecimento de forma significativa. O planejamento das atividades deve considerar as potencialidades, os interesses, o ritmo de aprendizagem e as necessidades específicas de cada estudante, possibilitando que o atendimento seja verdadeiramente individualizado. Dessa forma, o professor do Atendimento Educacional Especializado (AEE) elabora intervenções que complementam e suplementam o ensino desenvolvido na sala comum, sem substituí-lo.

De acordo com a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2008), o Atendimento Educacional Especializado tem como função identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação dos estudantes. Assim, o AEE deve atuar em parceria com o professor da classe comum, contribuindo para que o estudante tenha acesso ao currículo e participe das atividades escolares em igualdade de oportunidades.

Nesse contexto, destaca-se também a importância das tecnologias assistivas como instrumentos que favorecem a autonomia e a aprendizagem. Segundo Bersch (2017), a Tecnologia Assistiva compreende recursos, metodologias, estratégias e serviços que promovem a funcionalidade das pessoas com deficiência, ampliando sua independência e participação social. Entre esses recursos podem ser utilizados pranchas de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA), softwares educativos acessíveis, teclados adaptados, materiais concretos, livros em Braille, recursos táteis, sintetizadores de voz e diversos equipamentos que auxiliam o estudante no desenvolvimento das atividades escolares.

Outro aspecto fundamental da metodologia utilizada nas Salas de Recursos Multifuncionais é a mediação pedagógica. Para Vygotsky (1998), o desenvolvimento da aprendizagem acontece por meio das interações sociais, sendo o professor responsável por criar situações que possibilitem ao estudante avançar em seu desenvolvimento. A teoria da Zona de Desenvolvimento Proximal demonstra que, com a mediação adequada, o aluno consegue realizar atividades que ainda não seria capaz de executar de forma independente. Dessa maneira, o professor atua como facilitador da aprendizagem, oferecendo apoio, orientações e estratégias que favorecem a construção do conhecimento.

A utilização de atividades lúdicas também possui importante embasamento teórico. Ao brincar, a criança desenvolve habilidades cognitivas, motoras, afetivas e sociais, além de fortalecer sua criatividade, linguagem, memória, atenção e capacidade de resolver problemas. Jogos pedagógicos, dramatizações, músicas, contação de histórias, desafios matemáticos, materiais manipuláveis e atividades sensoriais tornam o processo educativo mais prazeroso e estimulante, contribuindo para uma aprendizagem significativa.

Outro elemento indispensável para o sucesso da metodologia aplicada nas Salas de Recursos Multifuncionais é o planejamento colaborativo entre o professor do Atendimento Educacional Especializado, os docentes da sala comum, a equipe gestora e a família. Essa articulação permite acompanhar continuamente o desenvolvimento do estudante, compartilhar estratégias pedagógicas, realizar adaptações curriculares e construir práticas inclusivas que respeitem as especificidades de cada educando.

Segundo Mantoan (2003), a educação inclusiva exige uma mudança de paradigma, em que o foco deixa de ser a deficiência e passa a ser a eliminação das barreiras que dificultam a participação e a aprendizagem. Assim, as metodologias utilizadas nas Salas de Recursos Multifuncionais devem priorizar o desenvolvimento das potencialidades dos estudantes, promovendo sua autonomia, autoestima, participação social e construção do conhecimento.

Além disso, a avaliação realizada no Atendimento Educacional Especializado deve possuir caráter contínuo e formativo, acompanhando o progresso do estudante durante todo o processo de aprendizagem. O objetivo da avaliação não é classificar ou comparar o desempenho entre os alunos, mas identificar avanços, dificuldades e necessidades de novas intervenções pedagógicas. Essa prática possibilita que o planejamento seja constantemente reavaliado e ajustado, garantindo um atendimento mais eficiente e alinhado às necessidades individuais de cada estudante.

Portanto, a metodologia utilizada nas Salas de Recursos Multifuncionais caracteriza-se pela flexibilidade, pelo uso de recursos diversificados, pela mediação pedagógica, pela utilização de tecnologias assistivas, pelo trabalho colaborativo e pela valorização das potencialidades dos estudantes. Essas ações fortalecem o processo de inclusão escolar, favorecem a aprendizagem significativa e contribuem para a construção de uma educação que respeita a diversidade e assegura o direito de todos à participação e ao desenvolvimento pleno.]

 

 

3. A AVALIAÇÃO NO ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO

 

A avaliação no Atendimento Educacional Especializado (AEE) constitui um processo contínuo, diagnóstico e formativo, cujo objetivo principal é identificar as potencialidades, necessidades, dificuldades e avanços apresentados pelo estudante ao longo de seu desenvolvimento. Diferentemente da avaliação tradicional, baseada apenas em resultados quantitativos, o AEE busca compreender como o estudante aprende, quais estratégias favorecem sua aprendizagem e quais recursos de acessibilidade podem ser implementados para promover sua participação efetiva no ambiente escolar.

De acordo com a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2008), a avaliação deve subsidiar o planejamento das ações pedagógicas e a organização dos recursos necessários para eliminar barreiras que dificultam o acesso ao currículo. Nesse sentido, o professor do Atendimento Educacional Especializado realiza observações sistemáticas, registra a evolução do estudante e elabora intervenções que favoreçam sua autonomia e desenvolvimento.

A avaliação desenvolvida na Sala de Recursos Multifuncionais não tem caráter classificatório ou excludente. Seu propósito é acompanhar continuamente o progresso

do estudante, identificando suas potencialidades e propondo novas estratégias de ensino sempre que necessário. Dessa forma, o processo avaliativo torna-se um importante instrumento para orientar o planejamento pedagógico e garantir um atendimento cada vez mais adequado às necessidades individuais de cada educando.

Outro aspecto relevante é a articulação entre o professor do Atendimento Educacional Especializado, os docentes da sala comum, a equipe gestora e a família. O compartilhamento das informações obtidas durante o processo avaliativo permite que todos os profissionais envolvidos acompanhem o desenvolvimento do estudante e adotem estratégias pedagógicas coerentes e complementares. Essa parceria fortalece a inclusão escolar e favorece a construção de um currículo mais acessível e significativo.

Segundo Hoffmann (2014), a avaliação mediadora constitui um processo permanente de acompanhamento da aprendizagem, permitindo ao professor compreender os avanços e as dificuldades dos estudantes para reorganizar sua prática pedagógica. Nessa perspectiva, avaliar significa oferecer oportunidades para que todos os alunos possam aprender, respeitando seus diferentes ritmos e formas de desenvolvimento.

Luckesi (2011) também destaca que a avaliação deve assumir uma função diagnóstica e emancipatória, contribuindo para a melhoria do processo educativo e não apenas para a atribuição de notas. Na educação inclusiva, essa concepção torna-se ainda mais relevante, pois reconhece que cada estudante apresenta necessidades específicas e que o sucesso da aprendizagem depende da utilização de estratégias pedagógicas diversificadas e flexíveis.

Além disso, o uso de registros descritivos, portfólios, observações sistemáticas, relatórios pedagógicos, atividades práticas e acompanhamento individualizado possibilita uma visão mais ampla do desenvolvimento do estudante. Esses instrumentos permitem identificar avanços nas áreas cognitiva, social, emocional, comunicativa e funcional, oferecendo subsídios para a elaboração de novas intervenções pedagógicas.

Portanto, a avaliação no Atendimento Educacional Especializado deve ser compreendida como um instrumento de promoção da aprendizagem, da inclusão e do desenvolvimento integral do estudante. Quando realizada de forma contínua, colaborativa e fundamentada em princípios inclusivos, ela contribui significativamente para garantir o direito à educação de qualidade, respeitando as singularidades de cada educando e fortalecendo sua participação na vida escolar.

 

 

CONCLUSÃO

 

Para que haja sucesso na inclusão o caminho é investir primeiramente na formação dos profissionais da educação como um todo, da portaria à sala de aula, todos devem ter conhecimento sobre a educação especial, para que os alunos especiais se sintam acolhidos dentro da escola. As salas de recursos são locais de investigação, conhecimento e, principalmente, crescimento. Apesar de tantas dificuldades apontadas as Salas de Recursos Multifuncionais, elas são o caminho para uma aprendizagem realmente eficaz desses alunos, dando suporte e incentivando a autonomia dentro e fora das escolas.

A inclusão educacional não se trata apenas de inserir o aluno em um ambiente, promovendo interações entre ele, o meio e o outro. É um processo legal, político e social, o qual necessita da ajuda de pais, familiares, escola e comunidade envolvidos para ser efetivamente concretizado. Esta questão é muito importante, pois além de precisar de amparo profissional, a inclusão escolar abrange uma participação conjunta de pais e escola, uma vez que são instituições responsáveis pela formação integral do indivíduo. Por maior que seja o ensejo das partes na parceria entre a escola e a família, nem sempre estão em envolvimento direto no atendimento os educandos/filhos, delegando a responsabilidade para o outro e não participando ativamente do processo.

Portanto, é sabido que cada um tem o seu papel para consolidar a aprendizagem dos educandos, mas nem sempre é isso que acontece. Espera-se dessa relação uma real parceria, onde os pais e a escola seriam elementos conectivos, mobilizando-se para a aprendizagem dos educandos. Em suma, não se trata mais de um tabu, no qual não se admite aceitar a convivência de educando com necessidades especiais junto com os demais educandos, ou ainda privá-los de direitos e deveres já conquistados. A inclusão é uma realidade presente e viva, na qual me inspira para concluir este trabalho, além de agregar e complementar ainda mais meus conhecimentos sobre

como deve ocorrer à verdadeira inclusão, mediante a participação da família correlacionada com a escola.

 

 

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