Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental: influência dos jogos matemáticos no desenvolvimento da criança

Adilson Geraldo Cirilo

 

DOI: 10.5281/zenodo.21228191

 

 

RESUMO

Considerando que a formação do professor necessita cada vez mais de reciclagens, caracterizam-se como elementos de grande importância para o desenvolvimento e desempenho profissional do docente ao longo da sua carreira os jogos e a gamificação, ou seja, novas dinâmicas para o ensino e aprendizagem. Este artigo busca responder algumas interrogações referentes ao Ensino Fundamental e a criança na educação básica, tendo como problematização, de que forma os saberes adquiridos por via dos jogos matemáticos contribui para a prática pedagógica na educação básica. A metodologia de revisão de literaturas, foi pautada nas obras Vygotsky (2003), Almeida (1995), Alves (2016), dentre outros. Esse artigo tem como principal objetivo fomentar a discussão sobre a formação e reciclagem do professor, pautado na criança (Ensino Fundamental), além de proporcionar um momento de reflexão nesse sentido, considerando-se que, por meio da formação inicial e continuada que o professor ressignifica a sua prática docência com o cotidiano, produzindo novos saberes que nortearão, em um trabalho essencial, para o ensino e aprendizado com significado.

 

Palavras-chave: Matemática. Ensino Fundamental. Criança.

 

 

ABSTRACT

Considering that teacher training increasingly needs recycling, games and gamification are characterized as elements of great importance for the development and professional performance of teachers throughout their careers, that is, new dynamics for teaching and learning. . This article seeks to answer some questions regarding Elementary Education and the child in basic education, having as questioning, how the knowledge acquired through mathematical games contributes to the pedagogical practice in basic education. The literature review methodology was based on the works Vygotsky (2003), Almeida (1995), Alves (2016), among others. The main objective of this article is to promote the discussion on teacher training and recycling, based on children (Elementary School), in addition to providing a moment of reflection in this sense, considering that, through initial and continuing training that the teacher re-signifies their teaching practice with everyday life, producing new knowledge that will guide, in an essential work, for meaningful teaching and learning.

 

Keywords: Mathematics. Elementary School. Child.

 

 

INTRODUÇÃO

 

As questões norteadoras para esta pesquisa são referentes as diversas interrogações, sobre a matemática e as funções e influências que os jogos possuem para o desenvolvimento infantil. Além disso, os saberes docentes melhoram, pois a qualidade da educação básica, principalmente no que se refere a disciplina de matemática, o baixo índice de ensino e aprendizagem e a carência do profissional habilitado para o exercício da docência faz com que esta era de tecnologia substitua muitos processos didáticos pela velocidade e informação da internet.

Sabemos que uma educação de qualidade se faz com professores que proporcionam uma ação e reflexão continua dos sujeitos envolvidos no processo, relacionando os conhecimentos adquiridos na formação inicial e fazendo uma ponte com outras áreas do conhecimento.

Consideramos que a formação inicial do professor deve estar em consonância com a educação básica. Revela-se que a tão desejada transformação qualitativa das práticas pedagógicas requer que as escolas sejam equipadas com os recursos necessários, que os profissionais da educação sejam valorizados em sua carreira, que os currículos dos cursos de formação de professores de matemática, que estejam sempre atualizados para atender as demandas socias vigentes.

Desta forma, é importante que o professor adote em suas aulas sobre os primeiros conceitos lógico-matemáticos, situações reais em que o aluno perceba a relevância e importância da matemática no cotidiano. Conhecer os números vai além de memorizar os símbolos, a criança deve ser capaz de reconhecer o número em diversas situações e ambientes.

No ensino atual, ainda há uma priorização da alfabetização da leitura e escrita, em decorrência disso, a alfabetização matemática fica em segundo plano acarretando no atraso do desenvolvimento do ensino e aprendizagem em matemática. Dessa forma, entende-se que as duas alfabetizações devam ocorrer ao mesmo tempo, tanto a alfabetização na língua materna, quanto a alfabetização em matemática.

Desta forma, vemos que a matemática deve ser abordada em sala de aula em situações reais do cotidiano, que envolvam os alunos a aprenderem explorando o lúdico, fazendo com que o aluno enxergue a necessidade de adquirir o conhecimento matemático. Atividades como encenação de supermercado ou quitandas, pois envolve o domínio do sistema monetário, jogos de raciocínio lógico, entre outras atividades podem ajudar a despertar no educando o interesse por matemática.

 

 

DESENVOLVIMENTO

 

INFLUÊNCIA DA APRENDIZAGEM BASEADA EM JOGOS NA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA

 

Com base no rápido progresso das ciências e tecnologias, são necessárias inovações contínuas dos conteúdos, métodos e objetivos da educação matemática escolar nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Um dos métodos promissores para alcançar a participação ativa dos alunos nas atividades de aprendizagem e sua maior motivação é a aprendizagem baseada em jogos (CLARK et al., 2016).

A aprendizagem baseada em jogos incentiva a aprendizagem ativa e o envolvimento, proporcionando aos alunos possibilidades de colocar a resolução de problemas no contexto do jogo (EBNER e HOLZINGER, 2007).

A ideia dos jogos como ferramenta educacional não é nova, foi originalmente concebida pelos filósofos helênicos, Platão e Aristóteles. Na história mais recente, a educação baseada em jogos fez parte das teorias educacionais de figuras importantes dessa área científica, como Comenius (1592-1670), Pestalozzi (1746-1827), Fröbel (1782-1852), Spencer (1820–1903), Groos (1861–1946), M.

Montessori (1870–1952), Piaget (1896–1980), Vygotsky (1896–1934) e Dewey (1859) –1952) (VANKUS, 2005).

O ímpeto para a ampla integração da aprendizagem baseada em jogos hoje em dia é impulsionado por outros fatores, incluindo a inclusão de tecnologias digitais na educação. Os jogos digitais apoiam a aprendizagem, dando aos alunos a oportunidade de desenvolver conhecimentos e habilidades cognitivas, aprender por meio da resolução de problemas e experimentar a aprendizagem situacional (HOLZINGER et al., 2005).

Com esse enorme aumento nos aplicativos de aprendizado baseados em jogos, surgem perguntas naturais sobre seus efeitos nos alunos. Muitos estudos e revisões de pesquisas existentes nesta área foram realizados, principalmente focados no efeito dos jogos no desempenho dos alunos em comparação com o ensino tradicional em sala de aula.

Randel et al., (1992), em sua revisão, compararam o efeito no desempenho de jogos dos alunos com o do ensino tradicional em 68 estudos até 1991. Os resultados foram mistos; os efeitos benéficos dos jogos foram encontrados principalmente quando o conteúdo específico foi direcionado. O estudo de revisão de Hays (2005), incluindo 105 artigos de jogos instrucionais, também relatou que o uso de jogos em áreas específicas pode proporcionar uma aprendizagem eficaz, mas a conclusão geral foi que não há evidências de que os jogos sejam um método instrucional preferido em todas as situações.

Na área da matemática, os jogos educativos foram identificados como adequados para promover conquistas matemáticas em vários domínios, por exemplo, habilidades de resolução de problemas e álgebra (ABRAMOVICH, 2010), habilidades estratégicas e de raciocínio (BOTTINO et al., 2007), habilidades de geometria (YANG e CHEN, 2010), aritmética (MORENO e DURAN, 2004; TOKAC et al., 2019) e pensamento crítico (CICCHINO, 2015). Esses estudos estão principalmente focados nas influências da aprendizagem baseada em jogos nas conquistas matemáticas na forma de conhecimento. Mas outras partes importantes da educação matemática são fatores afetivos, como motivação, crenças e atitudes dos alunos em relação à matemática e seu ensino, pois esses fatores podem ter um grande impacto nas habilidades matemáticas dos alunos e em sua futura aprendizagem matemática (MARTINO e ZAN, 2011; KLOOSTERMAN, 2002). Assim, surge a questão de como e em que medida a aprendizagem baseada em jogos na educação matemática influencia a dimensão afetiva dos alunos.

Essa questão já foi discutida em alguns estudos e revisões. A pesquisa de Garris et al., (2002) descobriram que os jogos podem melhorar o engajamento dos alunos, defendendo que os jogos podem influenciar os resultados, incluindo atitudes. Estes jogos foram utilizados no âmbito da educação escolar, mas também na formação de adultos. O estudo de Vogel et al., (2006) relataram efeitos positivos de jogos versus métodos tradicionais de ensino para ganhos cognitivos e de atitude. No entanto, os autores do estudo consideraram a confiabilidade baixa. O estudo de Ke e Grabowski (2007) tratou do efeito da aprendizagem baseada em jogos no desempenho e nas atitudes em matemática dos alunos da quinta série. Os resultados indicaram que a integração dos jogos influenciou positivamente as atitudes em relação à matemática, principalmente em grupos estruturados cooperativos. Com base em uma revisão de pesquisas anteriores, Vandercruysse (2012) sugere que os jogos educacionais afetam positivamente as atitudes dos alunos, embora apenas três artigos de periódicos apoiem essa sugestão.

Os estudos supracitados implicam possíveis influências da aprendizagem baseada em jogos nos fatores afetivos dos alunos ligados à matemática e seu processo de ensino. No entanto, essas indicações são fragmentadas e não fornecem uma visão geral das influências da aprendizagem baseada em jogos na matemática dos alunos. Portanto, há necessidade de uma revisão sistemática dos artigos de periódicos que tratam da aprendizagem baseada em jogos em matemática, com foco no estado atual da pesquisa sobre as influências da aprendizagem baseada em jogos no domínio afetivo do aluno.

 

 

AS POSSIBILIDADES DE GAMIFICAR O CURRÍCULO DE MATEMÁTICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

 

As diversas mudanças sociais, culturais e tecnológicas vivenciadas atualmente pela sociedade, conforme indicado por (SANZ e ALONSO, 2020), estão moldando os alunos e repercutindo em seus processos de aprendizagem sob diferentes pontos de vista. Nesse sentido, os jogos, no sentido mais amplo, evoluíram como recurso metodológico ao mesmo tempo em que a sociedade avançava. A partir de hoje, sua utilização em formato digital tornou-se muito importante, pois os alunos em sala de aula, de diversas etapas educacionais, foram catalogados como jovens tecnológicos, adolescentes e crianças. É por isso que a comunidade educativa começou a pensar na gamificação como uma estratégia válida para o desenvolvimento de processos de ensino-aprendizagem.

Desde logo, deve-se indicar que a literatura atual reconhece duas formas de agregar gamificação às salas de aula, uma apoiada em jogos tradicionais, e outro suportado por digitais (Minecraft, Mario Bros, Fortnite, Pokemo Go, etc.) (SAMPEDRO et al., 2017), com o objetivo deste artigo enfocar esta última tendência. O uso da gamificação digital ou videogames, per se, para o processo de aprendizagem dos alunos, começa com a busca por uma transformação na educação que promova o crescimento da aprendizagem imersiva dos alunos, e uma demanda pelo aprimoramento da metodologia dos professores. Além disso, outros pesquisadores consideram que o uso de videogames permitirá que os alunos sejam iniciados nas competências curriculares, que é a competência digital neste caso (NOVAK e TASSEL, 2015), para que seu processo de aprendizagem melhore sob outra perspectiva.

Em um primeiro momento, a gamificação digital das salas de aula em qualquer nível educacional implica em aceitar o uso de jogos digitais ou videogames, recurso que vem sendo demonizado, odiado e amado pela comunidade educacional e pela sociedade em geral. Implica também que se deve considerar que as estratégias utilizadas na gamificação, como o uso de prêmios ou distintivos, podem ser mais um elemento que motiva os alunos em seus processos de aprendizagem.

Nesse sentido, existem várias experiências bem sucedidas sobre o uso de videogames em sala de aula, como ferramenta para propiciar uma aprendizagem efetiva, e ao mesmo tempo, para favorecer a coesão e integração do conteúdo à realidade social do aluno.

Focalizando nossa atenção na área da matemática, encontramos o trabalho de, que destaca como um jogo criado há mais de duas décadas, The Lemmings, auxilia na iniciação dos conteúdos básicos da matemática, assim como os dados apresentados por, que, após a utilização de diversos jogos digitais, verificaram que foi alcançada uma aprendizagem significativa do conteúdo de álgebra. Por sua vez, (YUNG et al., 2020) realizaram um estudo pré-teste-pós-teste utilizando códigos QR colocados em cartões, o que permitiu que os alunos realizassem diferentes atividades matemáticas. O principal resultado foi que se observou uma melhora na aquisição do conceito de número racional, melhorando as conexões entre suas diferentes representações como frações, decimais e porcentagens.

Nessa linha, utilizando grupos experimentais e de controle, concluíram que houve melhoras significativas na compreensão de conceitos básicos de lógica matemática dos alunos que utilizaram jogos digitais como recurso digital, em comparação com aqueles que seguiram uma metodologia tradicional de Aprendendo. Esses resultados mostram que o uso de materiais interativos baseados em jogos na sala de aula de matemática promove a melhoria da compreensão dos conceitos matemáticos dos alunos. Portanto, o uso de recursos digitais (COPE, 2015), definidos como materiais manipuláveis que nos permitem visualizar conceitos matemáticos de forma mais fácil e atrativa, significa uma ferramenta auxiliar no processo de abstração de conceitos matemáticos ao passarem a existir como modelos virtuais de conceitos matemáticos (BALL, 1992).

Focalizando nosso interesse na fase da primeira infância, deve-se indicar, em primeiro lugar, que esta fase se caracteriza por ser um momento em que se inicia a imersão nos conteúdos curriculares, que serão aprofundados nos estágios do ensino superior. É nesta fase inicial que os professores começam a observar as primeiras diferenças no ato de ensinar e aprender, fazendo com que diferentes níveis de aprendizagem e compreensão dos conteúdos ensinados comecem a aparecer (CANTU et al., 2016). Conforme indicado por (LAMRANI et al., 2018), a aprendizagem é conduzida pela curiosidade, exploração e imersão no conteúdo; a experimentação ocorre e a iniciação à pesquisa começa de forma lúdica, pois os jogos são os principais elementos nos processos de aprendizagem. Por esta razão, podemos considerar que a gamificação na sala de aula da primeira infância proporcionará um novo cenário de aprendizagem onde a ficção se aproxima da realidade educacional do aluno, promovendo assim um processo de aprendizagem criativo, que é vital nos primeiros anos de socialização dos indivíduos. Quanto à área da matemática, estamos de acordo com em que o processo de aquisição lógica-matemática é realizado através de um processo reflexivo que nunca é esquecido para que o uso de diferentes tipos de recursos possa promover essa reflexão de forma mais maneira eficaz.

Diversas pesquisas (MARIN et al., 2014) têm apontado que o uso da gamificação para o ensino do conteúdo curricular da área de matemática na primeira infância promove a vivência do conteúdo, o que resulta em uma visão positiva dos alunos em relação a esse assunto matéria.

Estamos de acordo com (MACHABA, 2019) que o uso de jogos digitais na área de matemática implica que o aluno aprenda, de forma lúdica, conceitos como probabilidade enquanto joga, para que a aprendizagem seja produzida de forma que seja mais motivador e pessoal ao aluno, auxiliando na superação de obstáculos durante este processo de aprendizagem.

 

 

A IMPORTÂNCIA DO ENSINO DE MATEMÁTICA

 

Os saberes docentes são fundamentais para práticas salutares e para investigar e solucionar discrepâncias. As diferenças muita das vezes, torna-se mais simples devido aos saberes docentes, que por sua vez, possuem não somente a experiência, mas também soluções empíricas para difundir conhecimentos, isto se repete no ensino da matemática

Dessa forma é verificada que a matemática é uma das disciplinas fundamental do currículo da educação básica, já que a obtenção de seus saberes é fundamental para o aluno, onde a mesma possibilita o desenvolvimento a capacidade de raciocínio lógico (ROCHA, 2013). Outros autores concluem que o raciocínio lógico traz contribuições importantes para o aluno, onde mesmo vem adquirir e capacidade de pensar de maneira crítica opinando, tirando conclusões e argumentando, dando sentido ao pensamento (BERNARDI et al., 2012).

Apesar das inúmeras contribuições que o docente pode proporcionar aos alunos, existe uma agravante, ou seja, à forma como os conteúdos são trabalhados em sala de aula em especial aos alunos de escola pública. No entendimento de Hoffmann (2011) os educadores tem a percepção que o conhecimento não se dar de forma homogênea que são necessários a diversidades metodológicas que venha favorecer a diversidade do espaço da sala de aula. Pois é sabido que cada aluno tem seu tempo de aprendizagem devido a sua maturidade cognitiva dentro do universo educacional

Dessa forma, é fundamental que o educador conheça bem a sua função e também o ritmo de aprendizagem de cada aluno, levando em conta os conhecimentos prévios, questões emocionais, sociais e culturais e as suas limitações que permeiam na vida dos alunos, proporcionando assim, um ensino e aprendizagem com qualidade e equidade.

Sendo assim, salienta que o planejamento educacional deve contemplar essa diversidade encontrada no espaço escolar, onde esse ambiente venha proporcionar aulas motivadoras e ativas estimulando um ensino e aprendizagem com significado. Bzuneck (2000) considera que a motivação, ou o motivo, é aquilo que move uma pessoa ou que a põe em ação ou a faz mudar de curso.

Segundo Sanchez (2004), os atrasos cognitivos generalizados ou específicos podem ser decorrentes de problemas linguísticos que se manifestam na matemática, problemas de atenção e memória, além de dificuldades originadas no ensino inadequado e insuficiente, que se configuram em agravantes para essa problemática.

Diante do exposto, percebe-se que deve ser analisado todo o contexto cotidiano do aluno, levando em conta a sua individualidade, as etapas do desenvolvimento cognitivo a sua interação com o mundo, e quando se trata do ensino fundamental, os desafios da educação são ainda maiores.

 

 

A LUDICIDADE NO ENSINO DA MATEMÁTICA

 

Na educação básica a prática pedagógica do professor deve propiciar ao aluno situações problemas contextualizadas buscando assim aproximar os conteúdos ensinados o máximo da sua vivência cotidiana, possibilitando a assimilação dos conteúdos abordados e incentivo a participação ativa do aluno no processo de ensino e aprendizagem.

Assim sendo, para que a construção do raciocínio lógico aconteça o educador precisa criar condições metodológicas de aproximação do lúdico com o conhecimento matemático, principalmente nos inicias da educação básica.

Ressaltar que é essencial que o educador tenha intencionalidade durante a aula de matemática com ludicidade, pois não adianta ter uma boa formação e na hora de colocar em prática tudo que foi planejado, não saber como dinamizar a aula com esse recurso sem nenhuma mediação ativa e participativa por parte dos alunos sem que isso traga prejuízo durante o processo de aprendizagem. Percebendo que a contextualização dos conteúdos trabalhados e a intencionalidade vai promover um saber matemático para a vida do aluno.

Para Piaget (1967), o jogo é a construção do conhecimento, principalmente, nos períodos sensório-motor e pré-operatório. Pois quando o jogo bem direcionados pelo educador, estimula a aprendizagem dos conteúdos, desenvolvendo o pensamento e proporcionando a uma participação ativa nas atividades propostas.

Assim, compreende-se que o planejamento é fundamental no ensino da matemática, e o jogo é uma metodologia para alcançar objetivos, pois quando uma atividade é desenvolvida através do lúdico torna-se prazerosa, proporcionando uma participação ativa e serve com estimula para a superação dos desafios propostos em sala de aula. Dessa forma o ambiente da sala de aula torna-se dinâmico e os alunos passam a serem protagonista do seu aprendizado.

Quando o jogo é inserido no contexto de ensino e aprendizagem, Grando (1995) diz que o jogo assume um papel cujo objetivo transcende a simples ação do lúdico do jogo pelo jogo, para se tornar um jogo pedagógico, com um fim na aprendizagem matemática. Sendo assim, o planejamento é essencial no ensino da matemática, e o jogo torna-se uma importante metodologia para se alcançar objetivos, através de atividades lúdica e prazerosas.

 

 

O ENSINO DA MATEMÁTICA NA EDUCAÇÃO BÁSICA E A FORMAÇÃO DO PROFESSOR

 

O ensino da matemática no atual contexto onde percebe-se o baixo desempenho dos alunos, reformulações curriculares que exigem uma nova visão e uma nova postura do professor da educação básica.

É evidente que o ensino e aprendizagem são inseparáveis, porém, percebe-se um aumento considerável dos que defendem que a sociedade vive em constante e acelerada transformação social e avanço tecnológicos, exigindo que os profissionais da educação também adotem o movimento e as necessidades imediatas do capitalismo.

Primeiramente é fundamental destacar que, o ensino da matemática na escola pública é visto como um grande desafio, uma vez que o ato de aprender e ensinar matematicamente está muito ligado uma ao outro, isso porque muitos educadores não tem uma formação inicial na área de matemática, por esse motivo os alunos sentem-se desmotivado por perceberem a matemática como uma disciplina de difícil compreensão e cansativa, onde exige muito raciocínio lógico e prático. Essas questões exigem do educador uma formação qualificada, para aperfeiçoar a sua prática docente, utilizando várias metodologias e quebrando o paradigma de que a “matemática é uma disciplina de difícil compreensão; não compreendo nada de matemática”, e a veja como algo inseparável do seu dia-a-dia.

Evidencia-se, com as reformas curriculares do ensino da matemática surgiu novas formas de ensinar. Por causa disso, Nacarato (2009, p.17) afirma que o “reconhecimento da importância do raciocínio combinatório, para o ensino da matemática e preparar o cidadão para atuação na vida do sujeito de diversas maneira”, ou seja, a matemática está presente na vida dos sujeitos de várias maneiras como: atravessar uma rua, fazer uma compra, usar uma celular, enfim a matemática está presente em todos os ambientes sociais atendendo as necessidades no ser humano no seu dia-a-dia.

Dessa forma, a formação do educador do ensino fundamental I, de acordo com a Lei de Diretrizes e Base da Educação LDB/1996) no Artigo 62 afirma que,

 

“A formação docente para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena pela universidade e institutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério da educação infantil e nos 5 (cinco) primeiros anos do ensino fundamental, a oferecida em nível médio modalidade normal. (BRASIL, 1996, p. 29).”

 

Dessa maneira, percebe-se que a formação inicial do docente é um fator primordial para o processo de ensino e aprendizagem, ou seja, é a base para que esse profissional da educação venha desempenhar a sua função de educador com qualidade. Já que, essa formação habilita e fornece conhecimentos teóricos e prática para a sua ação pedagógica enquanto que a formação continuada ressignifica a sua atuação docente dando suporte necessário para que o conhecimento matemático ocorra com qualidade.

Independentemente dessas mudanças a Matemática não perdeu seu eixo de ser uma disciplina que proporciona ao aluno, conhecimento que oportunizará novos conhecimentos, superando o medo e as dificuldades, reconstruindo sua confiança nos conceitos matemáticos e, trazer em sua mente que, a matemática faz parte do dia-a-dia do ser humano, de sua interação social e cultural, sendo uma instrumento essência para se viver em sociedade, onde a mesma está presente em todos os aspectos seja financeiro ou social e, que os sujeitos precisa adequar ao seu cotidiano de maneira prática e que faça sentido para a sua vida.

Sendo assim, é preciso que os educadores tenha em mente que a formação continua, irá proporcionar práticas inovadoras com ações diversificadas que desperte no aluno, a vontade de quer aprender e desse modo o mesmo será motivado a resolver situações problemas simples, ou até a mais complexas sem nenhum receio. Nessa circunstância, percebe que alguns educadores já dinamizam suas aulas no espaço da sala de aula, visto que, eles têm prazer de ensinar, e consequentemente faz do aluno um protagonista do seu próprio conhecimento, são educadores com essas características, que otimiza de forma brilhante o fazer pedagógico no texto educacional da matemática. Sendo assim,

 

“Para desempenhar seu papel de mediador entre o conhecimento e o aluno, o professor precisa ter um sólido conhecimento dos conceitos e procedimento dessa área e uma concepção de Matemática como ciência que não trata de verdades infalíveis e imutáveis, mas como ciência dinâmica, sempre aberta à incorporação de novos conhecimentos (BRASIL, 1998, p.36).”

 

Desse modo, educador do ensino de matemática na educação básica terá condições de desenvolver suas competências no âmbito escolar, como flexibilidade e dinamização, vivenciado os conceitos e experiências para dentro do processo de ensino e aprendizagem, onde dará condições para que o aluno seja protagonista, do seu próprio conhecimento.

Contudo, para isso aconteça com qualidade precisa de mais políticas públicas direcionadas para a formação de professores na área de matemática, buscando assim, a qualificação ensino, através de uma qualificação continuada tanto para os professores como também para os agentes envolvidos no processo educacional. Perguntando-os sobre os seus desafios e crenças, pois além de ensinar estratégias para atingir os conceitos matemáticos, é preciso conhecer as perspectivas do educador enquanto profissional do ensino da matemática.

Segundo Thompson (1997, p. 40),

 

“[...] crenças, visões e preferências dos professores sobre a matemática e seu ensino, desconsiderando-se o fato de serem elas conscientes ou não, desempenham, ainda que sutilmente, um significativo papel na formação dos padrões característicos do comportamento docente dos professores.”

 

Sendo assim, o professor está constantemente em contato com transformações, já que é um ser no mundo e para o mundo, portanto, irá refletir no exercício da sua profissão, na sua maneira de ver o aluno com aprendiz, mas também a forma com esse aluno lhe ensina muito.

Exaltar para eles, a importância da matemática na atualidade, sabendo que ela está presente em todos os espaços, pois no cotidiano encontra-se situações problemas com cálculo, algarismos, equações dentre outros, e os alunos precisam conhecer através dos conteúdos ensinados, questionando o que está sendo ensinado são importante e necessário para a sua formação integral do ser, na sua condição de humano e do saber matemático. Sabendo que é na educação básica que irá construir na prática, o pensamento lógico-matemático de forma consistente e que as influências do mundo moderno fazem parte da sua vida agora e futuramente.

Nessa fase, será difícil e desafiador para o aluno, pois ele precisa vivenciar a matemática na prática também construir alguns conceitos matemáticos, no entanto, essa construção é de suma importância no processo de ensino e aprendizagem, uma vez que possibilitará o interesse de estudar e conhecer o universo da matemática.

Assim sendo, o professor precisa matematizar sempre os conceitos, as fórmulas, sabendo que o aluno está na sala de aula com o objetivo de aprender, e é de extrema importância e necessário que neste processo de aprendizagem o conhecimento matemático possa ultrapassar os muros da escola, pois esse aluno é um ser cultural, histórico e social.

 

 

CONCLUSÃO

 

Este trabalho nos proporcionou a discussão sobre a matemática, a criança, as formas de aprendizado via gamificação, jogos matemática e a profissão docente para o Ensino Fundamental, fazendo uma reflexão sobre os saberes docentes e a formação inicial e continuada dos docentes de matemática da educação básica. Por se tratar de uma fase importante do desenvolvimento, onde existe maior tendência em aprender, é importante que as metodologias de ensino de jogos matemáticos possam respeitar as especificidades de cada faixa etária da criança.

Ferramentas como cursos de capacitação revelam-se fundamentais no meio educacional e que devem ser oferecidos pelas instituições de ensino públicas e privadas de todo o Brasil, como coadjuvante aos educadores como ferramenta de ensino. Para isso o papel do Estado através de suas políticas públicas revela-se primordial.

Os efeitos práticos e benéficos para a educação de uma boa formação profissional de professores, tanto inicial quanto continuada, demonstra que o investimento do Estado, das faculdades e das próprias escolas se faz necessário, em especial na rede pública de ensino.

Necessário, tendo em vista os benefícios do Ensino Fundamental com as metodologias bem desenhadas, que se criem mecanismos que propiciem uma melhora nos conteúdos de tais cursos e que os professores tenham um amplo acesso a tais mecanismos de capacitação profissional, de forma a trazerem uma melhor capacitação para seus alunos, que se refletirá positivamente no processo de ensino e aprendizagem.

 

 

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