A importância da afetividade e do professor no desenvolvimento e aprendizagem da criança
Sara Mariza Moura de Carvalho[1]
RESUMO
O afeto é uma ferramenta poderosa para cativar e apoiar o desenvolvimento de uma pessoa. Pais e professores precisam compreender o papel essencial da afetividade na vida de uma criança, pois gestos de cuidado e atenção fortalecem a autoestima e criam vínculos significativos que favorecem uma convivência harmoniosa e o aprendizado. Muitas vezes, desafios emocionais ou educativos podem ser enfrentados com atitudes afetuosas, escuta atenta e compreensão. Infelizmente, ainda é comum encontrar crianças emocionalmente negligenciadas, cujas famílias não promovem seu bem-estar nem incentivam seu crescimento. Da mesma forma, alguns professores, apesar de exercerem um papel decisivo na formação das crianças, podem subestimar a importância do amor e da sensibilidade no processo educativo. Reconhecer a afetividade como parte integral da educação é fundamental para a construção de experiências de aprendizagem mais humanas e significativas.
Palavras-chave: Escola. Afetividade. Aprendizagem. Desenvolvimento.
ABSTRACT
Affection is a powerful tool for engaging and supporting a person’s development. Parents and teachers need to understand the essential role of affectivity in a child’s life, as gestures of care and attention strengthen self-esteem and create meaningful bonds that foster harmonious relationships and learning. Emotional or educational challenges can often be addressed through affectionate attitudes, attentive listening, and understanding. Unfortunately, it is still common to find emotionally neglected children, whose families do not promote their well-being or encourage their growth. Similarly, some teachers, despite playing a decisive role in children’s development, may underestimate the importance of love and sensitivity in the educational process. Recognizing affectivity as an integral part of education is fundamental for creating more humane and meaningful learning experiences.
Keywords: School. Affectivity. Learning. Development.
1. Introdução
Nesse contexto, torna-se indispensável também refletir sobre a formação dos professores, que muitas vezes prioriza aspectos técnicos e metodológicos, mas deixa em segundo plano o desenvolvimento de competências socioemocionais. Para que a afetividade seja efetivamente incorporada à prática pedagógica, é necessário que o educador esteja preparado não apenas para ensinar conteúdos, mas também para lidar com emoções — tanto as suas quanto as dos alunos. A formação continuada, nesse sentido, deve incluir reflexões sobre empatia, escuta sensível, mediação de conflitos e construção de vínculos, permitindo que o professor atue de maneira mais humana e consciente em sala de aula.
Além disso, é importante destacar que a afetividade não implica ausência de limites. Pelo contrário, educar com afeto também envolve estabelecer regras claras, promover o respeito mútuo e orientar o comportamento dos alunos de forma firme, porém acolhedora. Crianças precisam de segurança, e essa segurança é construída tanto pelo carinho quanto pela organização e coerência nas atitudes do educador. Um ambiente afetivo não é permissivo, mas sim estruturado com base no diálogo, na compreensão e na responsabilidade compartilhada.
Outro ponto relevante é o papel da escola como instituição na promoção da afetividade. Não basta que apenas o professor, individualmente, adote uma postura acolhedora; é fundamental que toda a comunidade escolar esteja comprometida com essa perspectiva. Projetos pedagógicos que valorizem as relações humanas, práticas colaborativas, atividades que estimulem a empatia e o respeito às diferenças são essenciais para consolidar uma cultura escolar mais sensível e inclusiva. A gestão escolar também desempenha um papel importante ao incentivar essas práticas e ao oferecer suporte aos professores e alunos.
A participação da família, por sua vez, é um elemento indispensável nesse processo. A construção de vínculos afetivos sólidos depende da parceria entre escola e família, baseada no diálogo, na confiança e na corresponsabilidade pela educação da criança. Quando família e escola caminham juntas, torna-se mais fácil compreender as necessidades do aluno e oferecer o suporte necessário para seu desenvolvimento integral. Reuniões, projetos interativos e canais de comunicação abertos contribuem para fortalecer essa relação e garantir que a criança se sinta apoiada em todos os aspectos de sua vida.
É importante considerar também os impactos da afetividade no processo de aprendizagem sob a perspectiva psicológica. Estudos apontam que emoções positivas favorecem a atenção, a memória e a motivação, elementos essenciais para a construção do conhecimento. Quando o aluno se sente seguro e valorizado, seu cérebro se torna mais receptivo à aprendizagem, permitindo maior engajamento e melhor desempenho acadêmico. Por outro lado, emoções negativas, como medo, ansiedade e insegurança, podem bloquear o aprendizado e comprometer o desenvolvimento escolar.
Dessa forma, investir na afetividade não significa apenas melhorar as relações interpessoais, mas também potencializar os resultados educacionais. A aprendizagem significativa ocorre quando o aluno estabelece conexões entre o conteúdo e sua realidade, e essas conexões são fortalecidas em um ambiente onde há confiança, respeito e valorização das experiências individuais. O professor, ao reconhecer isso, amplia suas possibilidades pedagógicas e contribui para uma educação mais eficiente e transformadora.
Por fim, é fundamental reforçar que a afetividade na educação é um compromisso ético. Em um mundo marcado por desigualdades, conflitos e distanciamentos emocionais, a escola tem a oportunidade de se tornar um espaço de reconstrução de vínculos e de promoção de valores humanos essenciais. Educar com afeto é reconhecer a singularidade de cada criança, respeitar suas emoções e contribuir para a formação de indivíduos mais conscientes, solidários e preparados para viver em sociedade.
Assim, ao integrar a afetividade às práticas educativas, a escola cumpre seu papel não apenas como transmissora de conhecimentos, mas como formadora de seres humanos completos. A valorização do afeto no processo educativo é, portanto, uma ação transformadora, capaz de impactar positivamente não só a trajetória escolar dos alunos, mas também suas vidas pessoais e sociais, refletindo diretamente na construção de uma sociedade mais justa, empática e humana.
2. Desenvolvimento
Além da presença física, a qualidade das interações entre pais e filhos é determinante para a construção de vínculos afetivos sólidos. O simples ato de ouvir com atenção, valorizar os sentimentos da criança e demonstrar interesse genuíno por suas experiências contribui para que ela se sinta compreendida e aceita. Crianças que crescem em ambientes onde a comunicação é aberta e respeitosa aprendem a confiar em si mesmas, a expressar suas emoções de maneira saudável e a resolver conflitos com empatia. Esse tipo de educação emocional fortalece a capacidade de lidar com frustrações, desafios e mudanças ao longo da vida, proporcionando uma base segura para o aprendizado e o desenvolvimento social.
Outro aspecto fundamental da afetividade familiar é a construção de limites claros e consistentes, aliados a demonstrações de cuidado e valorização. O estabelecimento de regras não deve ser visto como opressivo, mas como um gesto de proteção e orientação que garante à criança segurança e previsibilidade. Quando os pais conseguem equilibrar disciplina com afeto, a criança internaliza normas sociais e aprende a diferenciar o certo do errado sem sentir medo ou rejeição. Esse equilíbrio contribui para que a criança se torne emocionalmente resiliente, capaz de enfrentar situações adversas e desenvolver autonomia, confiança e responsabilidade.
Por fim, a afetividade familiar também se reflete na capacidade da criança de criar vínculos positivos fora de casa, incluindo relações com colegas, professores e a comunidade. Crianças que recebem amor, atenção e reconhecimento em casa desenvolvem empatia, solidariedade e habilidades sociais, tornando-se mais abertas à colaboração e ao diálogo. Elas carregam consigo a segurança emocional que lhes permite explorar o mundo com curiosidade, participar ativamente do aprendizado e construir relações saudáveis e duradouras. Dessa forma, a família não apenas influencia o presente da criança, mas planta sementes de desenvolvimento que floresceram ao longo de toda a vida, moldando cidadãos conscientes, equilibrados e capazes de contribuir para uma sociedade mais justa e afetiva.
2.1 O professor como mediador afetivo
Além dos gestos cotidianos, a afetividade se manifesta na atenção que o professor dedica para conhecer cada aluno, compreender suas necessidades e respeitar seu ritmo de aprendizagem. Um educador que valoriza a individualidade de cada criança cria um ambiente inclusivo, no qual todos se sentem vistos e ouvidos. Essa sensibilidade fortalece a autoestima e a motivação, incentivando o aluno a se envolver nas atividades escolares, a superar desafios e a desenvolver autonomia. Quando a criança percebe que o professor se importa genuinamente com seu crescimento, ela passa a confiar mais em si mesma e a acreditar em seu potencial.
Outro aspecto essencial é o papel do professor como modelo de comportamento e referência afetiva. Crianças aprendem observando atitudes e absorvendo exemplos de convivência, respeito e empatia. Um professor que demonstra paciência, escuta ativa e cuidado contribui para que os alunos internalizem valores sociais importantes, como cooperação, solidariedade e responsabilidade emocional. Essa prática fortalece a formação de cidadãos conscientes, capazes de lidar com conflitos, compreender diferenças e construir relações saudáveis no futuro. O ambiente escolar, assim, deixa de ser apenas um espaço de transmissão de conhecimento e passa a ser um local de formação integral, em que aprendizagem e desenvolvimento socioemocional caminham juntos.
Por fim, a afetividade docente também está relacionada à capacidade de transformar momentos de dificuldade em oportunidades de crescimento. Crianças que enfrentam frustrações, insucessos ou desafios emocionais precisam de professores que saibam acolher, orientar e incentivar sem julgamentos. Um elogio sincero, um incentivo em situações de erro ou uma escuta atenta diante de uma dificuldade emocional podem marcar profundamente a vida do aluno, contribuindo para que ele se sinta valorizado e capaz. A afetividade do professor, nesse sentido, não apenas potencializa o aprendizado, mas também promove o desenvolvimento de uma personalidade equilibrada, autoconfiante e resiliente, capaz de enfrentar os desafios da vida dentro e fora da escola.
2.2 A afetividade como facilitadora do aprendizado
Além do reconhecimento e da valorização das conquistas, o afeto na educação também se manifesta na escuta atenta e no cuidado com as emoções da criança. Professores que se mostram disponíveis para compreender os sentimentos, medos e frustrações dos alunos criam um vínculo de confiança que permite a abertura para o aprendizado. Um simples gesto, como perguntar sobre o dia do aluno, ouvir suas preocupações ou reconhecer suas dificuldades, transmite a mensagem de que ele é importante e que suas experiências são valorizadas.
Esse cuidado transforma a sala de aula em um espaço seguro, onde o aluno se sente acolhido e motivado a explorar suas capacidades sem medo de errar ou ser julgado.
Outro ponto relevante é que a afetividade também favorece a inclusão e a cooperação entre os alunos. Quando a criança percebe que o professor trata todos com respeito, empatia e atenção, ela tende a reproduzir essas atitudes em suas interações com os colegas. Assim, cria-se um ambiente de aprendizado colaborativo, no qual a solidariedade e o respeito às diferenças passam a ser valores vivenciados e internalizados.
Esse clima positivo reduz conflitos, melhora o comportamento coletivo e estimula o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, tão importantes quanto os conhecimentos acadêmicos, preparando o aluno para lidar com desafios futuros em diferentes contextos sociais.
A parceria entre família e escola é indispensável nesse processo. Crianças que recebem atenção, afeto e limites consistentes em ambos os ambientes apresentam maior segurança emocional e capacidade de aprendizagem. Pais e professores que dialogam e compartilham informações sobre o desenvolvimento da criança garantem que estratégias pedagógicas e educativas estejam alinhadas, fortalecendo vínculos afetivos e promovendo uma educação integral. Além disso, a atuação conjunta ajuda a identificar necessidades emocionais, comportamentais ou cognitivas precocemente, permitindo intervenções eficazes que favoreçam o crescimento pleno da criança.
Por fim, é importante reforçar que a afetividade na educação não é apenas uma questão de sensibilidade, mas uma estratégia pedagógica essencial. A construção de vínculos de cuidado, respeito e empatia promove autoestima, autoconfiança e interesse pelo aprendizado, transformando a experiência escolar em algo significativo e duradouro. Crianças que crescem em ambientes afetivos, tanto em casa quanto na escola, tendem a se tornar indivíduos mais equilibrados, resilientes e capazes de contribuir de forma positiva para a sociedade. Assim, o afeto deixa de ser um detalhe ou complemento na educação e se torna o alicerce sobre o qual se constrói o desenvolvimento humano integral. Diante disso, torna-se evidente que o professor, ao assumir o papel de mediador afetivo, precisa desenvolver uma postura reflexiva sobre sua própria prática. Isso implica reconhecer que cada interação em sala de aula carrega um potencial formativo, seja positivo ou negativo.
A forma como o educador responde a um erro, conduz um conflito ou valoriza uma conquista que influencia diretamente a maneira como o aluno percebe a si mesmo e o ambiente escolar. Por isso, a intencionalidade pedagógica deve estar alinhada a atitudes que promovam o respeito, a valorização das diferenças e o fortalecimento da confiança.
Além disso, a construção de um ambiente afetivo exige consistência nas ações do professor. Não basta demonstrar cuidado em momentos pontuais; é necessário que o aluno perceba uma continuidade nas atitudes de acolhimento, respeito e incentivo. Essa constância contribui para a criação de um clima emocional estável, no qual a criança se sente segura para se expressar, participar e aprender. A previsibilidade nas relações também auxilia na redução da ansiedade e na melhoria do comportamento, favorecendo a organização emocional e cognitiva dos estudantes.
Outro aspecto relevante é a importância da linguagem utilizada pelo professor. Palavras têm um impacto significativo no desenvolvimento emocional da criança. Comentários negativos, comparações ou críticas excessivas podem gerar insegurança e desmotivação. Por outro lado, uma comunicação baseada no incentivo, no reconhecimento do esforço e na orientação construtiva fortalece a autoestima e estimula o engajamento. Assim, o uso consciente da linguagem se torna uma ferramenta fundamental na construção de relações afetivas saudáveis no ambiente escolar.
No que diz respeito à afetividade como facilitadora do aprendizado, é importante destacar que o vínculo emocional positivo contribui diretamente para a motivação intrínseca do aluno. Quando a criança se sente acolhida e valorizada, ela desenvolve maior interesse pelas atividades propostas, participando de forma mais ativa e significativa. Esse envolvimento favorece a construção do conhecimento, pois o aprendizado deixa de ser uma obrigação e passa a ser percebido como uma experiência prazerosa e relevante.
Além disso, a afetividade contribui para o desenvolvimento da autonomia. Em um ambiente seguro e acolhedor, o aluno sente-se encorajado a tomar iniciativas, expressar opiniões e buscar soluções para os problemas apresentados. O erro, nesse contexto, deixa de ser visto como fracasso e passa a ser compreendido como parte do processo de aprendizagem. Essa mudança de perspectiva é essencial para o desenvolvimento do pensamento crítico e da capacidade de superação.
A afetividade também desempenha um papel importante na regulação emocional, que é fundamental para o processo de aprendizagem. Crianças que conseguem identificar e lidar com suas emoções apresentam maior capacidade de concentração, persistência e resolução de problemas. O professor, ao auxiliar o aluno nesse processo, contribui não apenas para o desempenho escolar, mas para a formação de habilidades que serão utilizadas ao longo de toda a vida.
Outro ponto que merece destaque é a valorização da diversidade no contexto afetivo. Cada criança possui uma história, uma cultura e uma forma única de se expressar e aprender. Reconhecer e respeitar essas diferenças é essencial para a construção de um ambiente inclusivo e acolhedor. A afetividade, nesse sentido, se manifesta na capacidade do educador de adaptar suas práticas, promover a equidade e garantir que todos os alunos tenham oportunidades de participação e desenvolvimento.
Por fim, é importante considerar que a afetividade, quando integrada de forma consciente ao processo educativo, contribui para a formação de sujeitos mais críticos, sensíveis e socialmente responsáveis. A escola, ao valorizar as relações humanas e o desenvolvimento emocional, amplia seu papel na sociedade, formando indivíduos capazes de estabelecer vínculos saudáveis, respeitar o próximo e atuar de maneira ética em diferentes contextos.
Dessa maneira, a afetividade consolida-se como um elemento indispensável na educação, não apenas como suporte emocional, mas como um fator determinante para a qualidade do ensino e para o desenvolvimento integral do aluno. Investir em práticas pedagógicas que valorizem o afeto é, portanto, investir em uma educação mais humana, significativa e transformadora.
3. A escola como espaço de desenvolvimento socioemocional
A escola, além de ser um ambiente de construção do conhecimento acadêmico, desempenha um papel fundamental no desenvolvimento socioemocional das crianças. É nesse espaço que muitos alunos vivenciam suas primeiras experiências de convivência coletiva, aprendendo a lidar com diferenças, regras, limites e relações interpessoais. Dessa forma, a instituição escolar torna-se um ambiente privilegiado para a formação de habilidades emocionais e sociais, que são essenciais para o desenvolvimento integral do indivíduo.
Nesse contexto, a promoção de um ambiente escolar acolhedor e inclusivo é indispensável. Quando a escola valoriza o respeito, a empatia e o diálogo, cria condições para que os alunos se sintam seguros e pertencentes. Esse sentimento de pertencimento é fundamental para o engajamento nas atividades escolares, pois crianças que se sentem aceitas e valorizadas tendem a participar mais ativamente do processo de aprendizagem. Além disso, um ambiente positivo contribui para a redução de conflitos e para a construção de relações mais saudáveis entre alunos, professores e toda a comunidade escolar.
Outro aspecto relevante é a inserção de práticas pedagógicas que estimulem o desenvolvimento socioemocional. Atividades que envolvam trabalho em grupo, resolução de problemas, rodas de conversa e momentos de reflexão permitem que os alunos desenvolvam competências como empatia, cooperação, escuta ativa e respeito às diferenças. Essas habilidades são fundamentais não apenas para o ambiente escolar, mas também para a vida em sociedade, preparando os alunos para lidar com desafios de forma equilibrada e responsável.
A escola também deve atuar na prevenção de problemas emocionais e comportamentais, por meio da observação atenta e do acompanhamento contínuo dos alunos. Professores e gestores, ao identificarem sinais de dificuldades emocionais, podem intervir de maneira sensível e adequada, buscando apoio quando necessário. Essa atuação preventiva contribui para evitar que pequenos problemas se tornem obstáculos maiores no processo de aprendizagem e no desenvolvimento da criança.
Além disso, é importante destacar o papel da gestão escolar na promoção de uma cultura institucional baseada na afetividade. A valorização dos profissionais da educação, o incentivo ao trabalho colaborativo e a criação de espaços de escuta e diálogo fortalecem as relações dentro da escola e refletem diretamente na qualidade do ensino. Uma equipe escolar que trabalha de forma integrada e harmoniosa consegue oferecer um ambiente mais seguro e acolhedor para os alunos.
Outro ponto essencial é a integração entre práticas pedagógicas e valores humanos. A escola deve promover não apenas o desenvolvimento intelectual, mas também a formação ética dos alunos, incentivando atitudes de respeito, solidariedade e responsabilidade social. Nesse sentido, a afetividade se apresenta como um elemento central, pois é por meio das relações que esses valores são vivenciados e internalizados.
Por fim, é importante compreender que a escola, ao assumir seu papel no desenvolvimento socioemocional, contribui para a formação de indivíduos mais preparados para enfrentar os desafios da vida contemporânea. Em uma sociedade marcada por mudanças constantes e relações cada vez mais complexas, habilidades como empatia, resiliência e inteligência emocional tornam-se indispensáveis.
Assim, ao consolidar-se como um espaço de acolhimento, respeito e desenvolvimento humano, a escola amplia sua função social e educativa. Investir na dimensão socioemocional é garantir que o processo educativo seja completo, formando não apenas alunos com conhecimentos acadêmicos, mas cidadãos conscientes, equilibrados e capazes de construir uma sociedade mais justa e humana.
3. Considerações finais
Nesse sentido, é importante destacar que a afetividade no processo educativo não ocorre de maneira isolada, mas está diretamente relacionada à construção de uma cultura escolar baseada no respeito, na escuta e na valorização do ser humano. Quando a escola adota práticas que priorizam o bem-estar emocional dos alunos, ela contribui para a formação de um ambiente mais harmonioso, no qual o aprendizado se torna mais significativo e eficiente. A integração entre aspectos cognitivos e emocionais favorece o desenvolvimento integral da criança, permitindo que ela se reconheça como sujeito ativo no processo de aprendizagem.
Além disso, é fundamental compreender que cada criança possui um ritmo próprio de desenvolvimento, influenciado por suas experiências, contexto familiar e características individuais. O olhar sensível do professor, aliado à afetividade, possibilita a identificação dessas particularidades, permitindo a adaptação das estratégias pedagógicas de forma mais inclusiva. Dessa maneira, o ensino deixa de ser padronizado e passa a considerar as necessidades reais dos alunos, promovendo equidade e garantindo que todos tenham oportunidades de aprender e se desenvolver.
Outro aspecto relevante é o impacto da afetividade na construção da autonomia do aluno. Quando a criança se sente acolhida e valorizada, ela desenvolve maior segurança para tomar decisões, expressar opiniões e participar ativamente das atividades propostas. Esse protagonismo fortalece o senso de responsabilidade e contribui para a formação de indivíduos críticos e conscientes. O professor, nesse contexto, atua como facilitador, incentivando a curiosidade, o questionamento e a busca pelo conhecimento, sempre respeitando os limites e potencialidades de cada aluno.
A afetividade também desempenha um papel essencial na prevenção de conflitos e na promoção de uma convivência saudável no ambiente escolar. Relações baseadas no respeito e na empatia reduzem comportamentos agressivos e favorecem o diálogo como principal ferramenta de resolução de problemas. Ao ensinar, por meio de suas atitudes, a importância de ouvir o outro, respeitar diferenças e agir com solidariedade, o professor contribui para a formação de cidadãos mais preparados para viver em sociedade.
Outro ponto que merece destaque é a importância do reconhecimento no processo educativo. Valorizar o esforço do aluno, e não apenas seus resultados, fortalece sua motivação e autoestima. Pequenas conquistas, quando reconhecidas, tornam-se grandes incentivos para que a criança continue se dedicando e acreditando em seu potencial. Esse reconhecimento deve ser constante e sincero, reforçando a ideia de que o aprendizado é um processo contínuo, construído com persistência e dedicação.
Além disso, a parceria entre escola e família deve ser constantemente fortalecida, uma vez que ambas compartilham a responsabilidade pela formação da criança. A comunicação aberta e o diálogo frequente permitem que professores e responsáveis compreendam melhor as necessidades dos alunos, alinhando práticas educativas e oferecendo suporte adequado. Essa colaboração contribui para a construção de um ambiente mais seguro e acolhedor, tanto dentro quanto fora da escola.
É importante ressaltar também que o educador, ao trabalhar com afetividade, precisa cuidar de sua própria saúde emocional. Lidar diariamente com diferentes realidades, desafios e demandas exige equilíbrio, paciência e preparo emocional. Investir no bem-estar do professor é fundamental para que ele consiga desempenhar seu papel com qualidade, oferecendo aos alunos o suporte afetivo necessário para seu desenvolvimento.
Por fim, a afetividade na educação deve ser entendida como um compromisso contínuo, que envolve sensibilidade, dedicação e responsabilidade. Não se trata apenas de uma prática pedagógica, mas de uma postura ética diante do processo educativo. Ao reconhecer o aluno como um ser humano completo, com emoções, histórias e necessidades próprias, o professor contribui para a construção de uma educação mais humana e transformadora.
Dessa forma, educar com afeto significa ir além dos conteúdos escolares e investir na formação de indivíduos capazes de pensar, sentir e agir de maneira consciente e responsável. É um processo que exige envolvimento, empatia e compromisso, mas que traz como resultado a construção de uma sociedade mais justa, equilibrada e solidária. Assim, a afetividade consolida-se como um dos pilares fundamentais da educação, sendo indispensável para o desenvolvimento pleno da criança e para a construção de um futuro mais humano.
Referências
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[1] Professor de Educação Básica I na rede municipal de Araras. e-mail:

