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O LÚDICO NOS ANOS INICIAIS E SUAS POSSIBILIDADES NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM


Edneia Cícera de Souza Braga


RESUMO

A ludicidade é uma forma de se trabalhar conteúdos nos anos iniciais do ensino fundamental, como já faz parte do cotidiano das crianças também é uma necessidade dos indivíduos. Este trabalho aborda e ao mesmo tempo defende a ludicidade na educação, principalmente nos anos iniciais do ensino fundamental. Tem o objetivo de entender a importância da ludicidade, nos processos de aprendizagem dos educandos dos anos iniciais. Para isso foi realizada uma pesquisa qualitativa, se utilizando de estudos teóricos, entre eles Froebel, Brougere, Kishimoto, Redin, Vygotsky, Zanluchi, e outros. Entre os muitos resultados desta pesquisa ficou claro que a ludicidade deve fazer parte do trabalho, dos métodos e recursos dos docentes. Se conclui que a ludicidade é fundamental no ambiente escolar e também para que alunos possam desenvolver um melhor convívio afetivo e social, tanto com colegas de sala como com a família e toda a sociedade. A forma lúdica de ensinar é uma possibilidade nas práticas de aprendizagem, onde podem existir a criação e o respeito às regras, a ação de pensar, a conquista da autonomia e da felicidade.


Palavras-chave: Ludicidade. Aprendizagem. Anos Iniciais. Professores


ABSTRACT

Ludicity is a form of working contents in the early years of elementary school, as it is already part of children's daily life is also a necessity of individuals. This work addresses and at the same time advocates playfulness in education, especially in the early years of elementary school. It aims to understand the importance of playfulness in the learning processes of learners of the early years. For this, a qualitative research was carried out, using theoretical studies, among them Froebel, Kishimoto, Brougere, Rocha and others. Among the many results of this research it was clear that playfulness should be part of teachers' work, methods and resources. It is concluded that playfulness is fundamental in the school environment and also so that students can develop a better affective and social conviviality, both with classmates and with the family and the whole society. The playful way of teaching is a possibility in learning practices, where there can be creation and respect for rules, the action of thinking, the achievement of autonomy and happiness.


Keywords: Learning. Early Years. Teachers


INTRODUÇÃO


Este trabalho pretende abordar e também fazer uma defesa da importância do lúdico nos anos iniciais do ensino fundamental. Como a ludicidade é uma necessidade humana, os professores precisam utilizar a mesma como ferramenta de trabalho pois esta possibilita o desenvolvimento tanto cognitivo quanto afetivo e a imaginação, além do lado familiar e social da criança.

Quando entram nos anos iniciais do ensino fundamental, os alunos não deixam para traz a fase de criança, mas necessitam ainda de brincadeiras, ao contrário de muitos que acham que brincadeiras e jogos são ações apenas da educação infantil.

Brincadeiras e jogos deixam a sala de aula muito mais produtiva, os alunos se sentem mais valorizados, aumenta assim o rendimento escolar e melhora não só o aprendizado mas também o convívio com os demais colegas. Segundo afirma Froebel, brincar permite estabelecer relações entre os objetos da cultura e a natureza, juntos num mundo imaginário. Este autor foi o responsável por introduzir brinquedos e brincadeiras no antigo jardim de infância. Froebel conceitua o brincar como uma atividade cheia de naturalidade e liberdade, e auxilia no desenvolvimento tanto físico quanto cognitivo e moral. Os brinquedos devem ser usados como objetos das brincadeiras infantis e a criança necessita também de orientação para seu desenvolvimento.(FROEBEL apud SANTOS, 2001, p.27).

O tema ludicidade se justifica ao entender que o aprendizado produz sentimentos de prazer às crianças, sem que o momento de aprender seja monótono ou entediante. O ato de aprender é parte da vida, é na verdade a parte principal da , brincar, para crianças, é aprender, e aprender é brincar.

Mas quase sempre quando a criança entra para a instituição escolar, o aprender se sobrepõe ao brincar se tornando assim uma obrigação. Se desfaz aquele vínculo que existia na educação infantil que juntava a razão e a emoção, e entre aprendizado e a vida, entre aprendizado e as experiências.

Como consequência disso, começam a ser impostos um tempo e um lugar apropriado para que a criança aprenda algumas coisas, dando uma ideia, um pouco distorcida de que aprender não é agradável. O que é passado para as crianças é que aprender seja difícil, sendo apresentado algumas vezes o aprendizado como resultado e não como um processo.

Causa estranheza que a ideia do brincar precise ser defendida uma vez que é uma fonte fundamental para o aprendizado. Mas os educadores que trabalham com crianças de zero a doze anos sofrem uma certa pressão para ir aumentando a pressão sobre a aprendizagem muitas vezes usando a linguagem escrita e a matemática como sendo mais importantes que as demais linguagens. Não se pode ignorar que o brincar significa para uma criança, a exploração, investigação, descoberta, imaginação e criação.

Com tudo isso o referido trabalho visa levar a um entendimento da importância que a ludicidade possui na qualidade dos processos de aprendizado de alunos nos anos iniciais do ensino fundamental. Tem como objetivos específicos compreender o conceito do lúdico, sua importância, seu papel nas construções do processo didático nos anos iniciais. E por fim analisar os desafios de se incluir a ludicidade nas práticas pedagógicas de docentes dos anos iniciais.

É muito importante ter um fundamento entre tema e prática nas aulas incluindo as brincadeiras lúdicas para as crianças. A ludicidade instiga a criatividade mostrando que brincar é muito bom, assim há diversão ao conhecer coisas novas, sem uso de tecnologias como eram as brincadeiras antigamente. O lado lúdico do aprendizado facilita o desenvolvimento, autonomia e a socialização colaborando assim para a saúde da mente e incentivando a criatividade no processo de socializar, comunicar, expressar e construir conhecimentos. (SANTOS, 2001 p.108).

Com a ludicidade a criança tem uma visível melhora no seu comportamento, e desenvolve conhecimentos, além de exercitar o corpo e aprimorar as habilidades motoras. A pesquisa que foi realizada se baseou em estudos de autores como Froebel, Brougere, Kishimoto, Redin, Vygotsky, Zanluchi, entre outros, que mostram que o lúdico é fundamental para a aprendizagem de crianças. Para compreender como a ludicidade possibilita os processos de ensino este trabalho traz alguns tópicos como o conceito ludicidade, o papel dos professores na valorização e na prática da ludicidade. Também apresenta como é vista a infância na sala de aula e como seria possível aprender com o lúdico. Finalizando aborda quais os desafios de se incluir a ludicidade nos planos de aula e na prática dos anos iniciais do Ensino Fundamental.


DESENVOLVIMENTO

O lúdico permite ao indivíduo viver outros papeis e depois retornar a viver seu próprio papel. Na ludicidade é possível vivenciar fatos verdadeiros e reais de maneira abstrata, pela sua imaginação. Ela própria cria suas histórias simbólicas reproduzindo emoções e desenvolvendo seu lado cognitivo.

O aluno representa enquanto participa de aulas lúdicas ou dinâmicas seja em situações ou com objetos e isso permite que ela aprenda a lidar com seu lado afetivo e emocional. Vai aos poucos construindo sua identidade, autonomia, cria e resolve problemas, assume papéis. Zanluchi (2005). A brincadeira favorece o aprendizado em todas as etapas do desenvolvimento infantil.

Nas aulas lúdicas o aluno prepara-se a vida, pois é com a ludicidade que ela vai tendo contato com o mundo físico e social, bem como vai compreendendo como são e como funcionam as coisas.” Assim, destacamos que quando brinca, a criança parece mais madura, pois entra, mesmo que de forma simbólica, no mundo adulto que cada vez se abre para que ela lide com as diversas situações. ZANLUCHI (2005).

Vygotsky é responsável por estudos sobre o lúdico e a aprendizagem e segundo ele, o homem é um ser social, e seu desenvolvimento cognitivo se processa através de sua troca com o meio (VIGOTSKY, 1998, pg 112). A aprendizagem vem de fora para dentro, ou seja, o aprendizado ocorre primeiro no meio social e depois no indivíduo. Assim, o desenvolvimento da criança acontece, no início através da interação entre ela e as pessoas que convivem com ela. Vygotsky (1998, pag 112) considera o foco principal de seus estudos a zona de desenvolvimento proximal ZDP, que é por ele conceituada como:

 

[...] A distância entre o nível de desenvolvimento real, que se costuma determinar através da solução independente de problemas, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou em colaboração com companheiros mais capazes. (VYGOTSKY, 1998, pg 112).

 

 

Sendo assim, para Vygotsky (1998, pag. 112) o desenvolvimento normal é aquele onde a criança já realiza tarefas sozinha. A zona de desenvolvimento proximal é a ação que ainda está sendo aprendida, é um processo que acontece com auxílio de outra pessoa. E esta será também com o tempo algo que futuramente a criança também vai fazer sozinha. A ludicidade e o brincar ajudam muito nessa fase e por isso podem ser usadas como uma prática pedagógica eficiente. Quando a criança está brincando é onde ela aprende de maneira mais intensa, usando a imaginação, criatividade e suas habilidades.

Quando brinca uma criança traz para a brincadeira representações do seu cotidiano, mesmo que inconscientemente. Ela primeiro observa e depois imita usando o faz-de-conta e imaginando, assim ela aprende conforme o que vive no seu ambiente. Segundo Vygotsky (1987):

Brincar é uma ação humana criadora, na qual imaginação, fantasia e realidade interagem na produção de novas possibilidades de interpretação, de expressão e de ação pelas crianças, assim como de novas formas de construir relações sociais com outros sujeitos, crianças e adultos. VYGOTSKY (1987).

 

Uma criança pode brincar de várias maneiras: pensando, jogando, falando, estudando e se movimentando. Ela se utiliza de várias linguagens, as mesmas que usa na sua rotina diária, em casa, na escola, na rua. Assim vão construindo aos poucos a sua própria identidade. Por isso é necessário estimular atividades e alguns jogos para potencializarem a aprendizagem, já desde o ensino infantil.

Quando uma criança está brincando o aprendizado ocorre, porque a “aprendizagem significa construir conhecimentos”. (QUEIROZ, 2003 pg.22). Brincando a criança liberta sua criatividade e começa a se descobrir. Mas esse aprendizado surge quando existe um professor coordenando e mediando. Quando interage, uma criança cria meios que facilitam a aprendizagem. O ato de brincar é algo criativo e recreativo e tem caraterísticas físicas ou mentais, desenvolvidas espontaneamente”. (QUEIROZ,2003,pg. 38).

Com jogos e brincadeiras alunos dos anos iniciais desenvolvem raciocínio, cooperação, criatividade, imaginação e interação. Com o jogo alunos podem seguir regras, debater, imaginar e modificar o meio em que estão. Pois o jogo é “um tipo de atividade que possui regras, onde se ganha ou se perde”. (QUEIROZ, 2003, pg.158).

Sendo assim, as brincadeiras e os jogos são fundamentais porque brincando crianças desenvolvem seus conhecimentos, respeitam regras de convívio social. Brincar pode aumentar a autoestima proporcionando a bem estar.

A ludicidade e o jogo são o mais puro resultado da fase de crescimento do indivíduo, sendo um alto grau de desenvolvimento pois vem de manifestações internas, [...] promove liberdade, alegria e paz na interação com o mundo. Do lúdico, se originam fontes de tudo que é bom. (FROEBEL, 2001, p. 47).

 

O cotidiano dos alunos sempre gira em torno de algum divertimento ou brincadeira, e esta como atividade lúdica traz muitos avanços no desenvolvimento e na aprendizagem, do lado afetivo, cognitivo, na interação, na autonomia. A intervenção do professor é de fundamental importância neste processo, ele faz a mediação, a observação, a avaliação. E ele quem fornece as ferramentas necessárias para incentivar a criança na ação de brincar, usando uma metodologia diferenciada e criativa. Escolhe os melhores caminhos a serem seguidos conforme a evolução e experiências de seus alunos.

Dando ênfase ao lúdico nas atividades o professor estará dando um norte ao processo de ensino, pois o brinquedo é parte essência da criança. Ela se diverte, explora, cria e constrói seus saberes, em qualquer faixa etária mas principalmente no ensino infantil. Para motivar alunos a interagir e brincar é importante que brincar seja não apenas um passatempo mas a principal atividade.

Nos anos iniciais a ludicidade pode fazer toda a diferença e é mais importante do que nunca. É um meio essencial no processo da aprendizagem e não pode ser vista, somente como algo racional, com fins de aprendizagem, mas, também entender quando um aluno tem que vivenciar o lúdico por fazer parte de sua natureza. Pois assim os educandos fazem uso de corpo e movimento para interagir com outros. Portanto, as práticas pedagógicas precisam valorizar e respeitar o mundo do aluno, seu desenvolvimento e habilidades para que possam assim produzir conhecimentos. Góes (2008). Neste sentido, o autor afirma ainda que:

(...) a atividade lúdica, os jogos, as dinâmicas, precisam ser melhorados, compreendidos e encontrar maior espaço para ser entendido como educação. Na medida em que docentes compreenderem toda sua capacidade potencial de contribuir no desenvolvimento infantil, grandes mudanças irão acontecer na educação e nos sujeitos que estão inseridos nesse processo. GÓES (2008)

Outro fator muito importante é a formação do professor, e o que ele entende por práticas pedagógicas lúdicas, criança, adulto, escola. É ele que desempenha um importante papel na aprendizagem. Este deve inserir as brincadeiras, o lúdico, estimular a imaginação, criatividade de seu aluno. Compreender que são necessárias várias formas diferentes de brincar, usando a imaginação e depois trazendo tudo para sua realidade. “O lúdico servirá de suporte na formação do educador, como objetivo de contribuir na sua reflexão-ação-reflexão, buscando dialogar com teoria e prática, portanto reconstruindo a práxis.” (SANTOS, 2007, p.41)

Com a ludicidade o aluno está sempre imaginando e desenvolvendo suas percepções de mundo e dando significado para aquela brincadeira. Ela faz uso de objetos também para realizar o seu faz-de-conta, ao entrar no mundo da imaginação onde cada item representa a característica de personagens.

A utilização da ludicidade deveria criar momentos de livre exploração, nos quais prevalece a incerteza do ato e não se buscam resultados. Porém, se os mesmos objetos servem como auxiliar da ação docente busca-se resultados na aprendizagem de conceitos e noções, ao desenvolvimento de algumas habilidades. Nesse caso, o objeto conhecido como brinquedo não realiza sua função lúdica, deixa de ser brinquedo para tornar-se material pedagógico. Um mesmo objeto pode adquirir dois sentidos conforme o contexto em que se utiliza: brinquedo ou material pedagógico (KISHIMOTO, 1993, p. 15).

 

Quando um professor planeja uma aula lúdica ele deve observar o aluno ao na ação de explorar, criar, inventar, imaginar e desenvolver várias linguagens que são fundamentais para sua aprendizagem. Esses profissionais precisam estar atentos para escolher atividades pedagógicas que possam despertar prazer de aprender ludicamente.

O docente dos anos iniciais como sendo um mediador da busca do conhecimento, é aquele que planeja e coloca em práticas a ações lúdicas. Insere a ação de brincar como a atividade pedagógica principal conferindo um ensino de qualidade nessa importante fase. Criando um ambiente lúdico e acolhedor, propício para o ensino e aprendizagem e favorecendo o pleno desenvolvimento do aluno.

A ludicidade é muito importante no desenvolvimento de identidade e autonomia. O indivíduo que desde cedo se comunica com gestos e sons, pode mais tarde representar um papel na ação lúdica e isso faz com que ela venha a desenvolver a sua imaginação. Desenvolvem capacidades muito importantes, memória, imitação, e a imaginação. Processam capacidades de socializar, com a interação, experimentando regras e diversos papéis sociais (RCNEI 1998, p.22).

Ao se fazer uso da ludicidade no ensino fundamental, os alunos tem maior interação umas com os outros e podem se comunicar expressando seus sentimentos. Podem socializar e já se preparam para viver na sociedade. Nos processos de ensino e aprendizagem, o lúdico pode ajudar o aluno no seu desenvolvimento, construindo autonomia, entendimento de normas e regras de cooperação. Tendo autonomia começa a exercer a cidadania, e sua liberdade de expressão, sonhando, idealizando e amadurecendo.

E tudo isso ao seu próprio tempo, quando inicia lá na educação infantil, não se pode negar a uma criança o direito de brincar, pois estará sendo negado a ela seus direitos como ser humano, como cidadão. Brincando é que se aprende e interagindo com outros, pois isso é “[...] essencial para estimular todas as habilidades humanas” e “[...] o que a criança faz e com quem determina a importância ou não do brincar.” (REDIN, 2000, p. 60).

a aprendizagem lúdica possui diversas funções: é o suporte do jogo, mediador que permite à criança testar situações da vida real ao seu nível, sem riscos e sob seu controle. Objeto que desperta a curiosidade, exercita a inteligência, permite a invenção, o imaginário e possibilita a criança descobrir pouco a pouco suas próprias capacidades de apreensão: o brinquedo propõe à criança um mundo do tamanho de sua compreensão. (CAMPAGNE, 1989 apud REDIN, 2000, p. 65).

Quando há uma prática pedagógica com ludicidade, o aluno passa a se encontrar no universo em que habita e a sua imaginação e isso tem grande importância para determinar quem ela quer ser diante dos outros. A escola deve ser um lugar que os educandos queiram estar e vivenciar muitas experiências, o lúdico é uma delas. Ainda, conforme Redin (2000, p. 74), compete ao professor ser um profissional capaz de animar o tempo e o espaço de educação:

[...] deve ter o domínio dos conhecimentos acumulados da humanidade, estar a par dos dados da história dos homens basicamente da atualidade, dominar todos os elementos que fazem a “alegria da cultura” e também ter um domínio suficiente dos conhecimentos convencionalmente denominados escolares; sem esquecer a dimensão de atendimento prático.

 

Partindo da maneira com que uma criança enxerga o mundo que a cerca, o professor tem um grande papel ao estimular o lúdico, dando oportunidade ao aprendizado. Ele deve unir o conteúdo a ser trabalhado a uma atividade lúdica acreditando que não é preciso separar brincadeiras de aprendizado. A ludicidade e os conteúdos pedagógicas são parte de uma estratégia para aprender sem perceber.

As jogos e brincadeiras na escola a criança experimenta várias maneiras de aprender e os professores podem usar isso como meio de avaliar os alunos e entender as suas necessidades. Segundo (Kishimoto 2010. p. 01) é um direito de toda criança e assim ela desenvolve seu lado social, intelectual, sua autonomia, expressar seus sentimentos e anseios. Ao fazer parte de um grupo social e de uma família as crianças interagem e se interessam por elas mesmas e pelos outros e assim vão estruturando a sua personalidade.

A ludicidade se origina de interações sociais, contato direto ou indireto, manipulando um objeto. A ação lúdica é o produto da interação social [...]. O aluno produz sua cultura com ludicidade, variada conforme os indivíduos, de um determinado meio social (BROUGÈRE,2002, p. 27-28).

 

Algumas práticas pedagógicas podem promover e estimular o aprendizado, usando alguns eixos de conhecimento conforme o Referencial Nacional para a Educação (BRASIL, 1998). Noções de matemática, lateralidade, espaço, autonomia, várias linguagens, música, movimento corporal, entre outros.

O brinquedo coloca a criança na presença de reproduções: tudo que existe no cotidiano, a natureza e as construções humanas. Pode-se dizer que um dos objetivos do brinquedo é dar a criança um substituto dos objetos reais na proposta de manipulá-los (KISHIMOTO, 2009, pag 24).

 

É na escola que as experiências com brincadeiras acontecem de maneira especial na vida da criança. Podemos observar isso nas creches e pré escolas, como se desenvolvem de maneira positiva e saudável quando brincam e são estimuladas ludicamente.

Conforme Santos, Costa e Martins (2015, p.79), existem algumas práticas pedagógicas que podem potencializar a ludicidade e o aprendizado, como por exemplo, a literatura. Pois pode a longo prazo formar leitores. É fundamental dar acesso a livros de vários tipos fazendo com que os alunos possam manipular, observar e ler histórias. Estas desenvolvem a oralidade e criatividade através da linguagem visual e oral.

Em todas estas atividades, o aluno brinca, se desenvolve, interage, aprende e tudo deve ser supervisionado pelo professor. Este estará observando e avaliando e ainda repensando novas práticas para o futuro tendo como base as necessidades das crianças.

As práticas pedagógicas lúdicas aumentam a capacidade criativa dos alunos por isso são fundamentais no ensino e aprendizagem e no desenvolvimento infantil. A ludicidade e todas as suas variações são essenciais no aprendizado dos anos iniciais, por isso as estratégias e metodologias lúdicas devem estar sempre sendo reinventadas.

A ludicidade prepara para uma vida social, mas é possível aprender a brincar, ela não nasce com o homem, mas é adquirida [...] O aluno entra progressivamente no mundo adulto, onde é o espectador ativo, e depois, o real parceiro. Ela é introduzida no espaço e no tempo particular do jogo. (BROUGÈRE, 2010, p. 104).

Tanto a brincadeira quanto o jogo necessita de acordos entre os envolvidos, o que leva à tomada de decisões (BROUGÈRE, 2010). Nas ações lúdicas simbólicas existem regras a serem seguidas, mas essas regras não são leis e sim regras sociais para a preparação para a vida. São acordos, combinados e negociações que favorecem o convívio. “Portanto a ludicidade é um espaço social, pois não é criada espontaneamente, mas em consequência de uma aprendizagem social e supõe uma significação conferida por todos que dela participam.” (BROUGÈRE, 2010, p. 109).

Alunos que estão participando de um jogo, por exemplo, estão treinando sua criatividade, invenção, curiosidade, e experiências. Também na sociedade, onde a o aluno vive, e como ela já nasce em uma certa sociedade, aí são produzidas suas regras de convivência, leis, normas, lutas, direitos, deveres, respeito, igualdade e dignidade.

 

 

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

A ludicidade é um meio eficaz para que os alunos aprendam e faz todo o sentido quando se trata dos anos iniciais. Promove descobertas, interação, socialização, desenvolvimento cognitivo. As instituições de ensino precisam criar ambientes acolhedores e de qualidade para oferecer aos seus alunos, estimulando a criatividade e imaginação.

O lúdico tem de fazer sentido para o aluno, ter um significado e explorar a sua capacidade criativa e deve ser encarado como uma das principais atividades escolares e fazer parte da rotina.

Os profissionais que trabalham com o ensino fundamental tem uma função especial no uso da ludicidade como forma de aprendizado. É ele que deve promover práticas pedagógicas lúdicas e condizentes com cada faixa etária. Apresentando os conteúdos com um significado, para que o conhecimento aconteça e seja um processo contínuo.

Ao professor compete planejar e incluir a ludicidade e os jogos em atividades escolares cotidianas para tornar as aulas mais atraentes. Essas atividades oferecem autonomia no espaço e no tempo, e ajuda a viver em sociedade. Contribui para a convivência social e cria laços entre as pessoas que participam desta sociedade.

O professor precisa perceber o quanto é importante aprender com o lúdico e este deve ter seu espaço na rotina escolar. Muito além dos conteúdos, as práticas lúdicas são importantes no aprendizado, onde os alunos aprendem mesmo sem perceber. De uma maneira interativa o lúdico deve ser inserido no dia-a-dia dos alunos, tanto a interação umas com os colegas quanto com o professor, que é o mediador de tudo. Sempre respeitando as experiências já vividas e considerando o ambiente em que vivem, pode-se proporcionar aos alunos momentos lúdicos de criatividade e imaginação.

Deve-se aproveitar tudo aquilo que o aluno vivencia no seu dia, por isso é importante se levar em conta suas experiências, seus anseios, seu modo de percepção sobre as coisas. Para que o aluno se desenvolva integralmente, na sua totalidade, a ludicidade deve estar sempre presente. Assim ele se sente mais motivado enquanto o docente observa, avalia e cria novas práticas e metodologias diferenciadas que favoreçam o ensino aprendizagem. Enfim, com a ludicidade se aprende de uma forma especial.


REFERÊNCIAS

 

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GÓES, M. C. A formação do indivíduo nas relações sociais: Contribuições teóricas de Lev Vigotski e Pierre Janet. Educação e Sociedade. Campinas, Unicamp, 2008.

 

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QUEIROZ, T. D..Dicionário Pratico de Pedagogia. 1.ed. São Paulo: Rideel,2003

REDIN, E. O Espaço e o tempo da criança. 3. ed. Porto Alegre: Mediação, 2000.

 

SANTOS, Cristiane Cimelle da Silva; COSTA, Lucinalva Ferreira da; MARTINS, Edson; Ensaios pedagógicos revista eletrônica do curso de pedagogia das faculdades OPET. 2015

 

SANTOS, Marli Pires dos Santos (org.). O Lúdico na Formação do Educador. 7 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007.

 

VYGOTSKY, L. S.. Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1987.

 

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ZANLUCHI, Fernando Barroco. O brincar e o criar: as relações entre atividade lúdica, desenvolvimento da criatividade e Educação. Londrina: O autor, 2005.

 

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