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Despertando na Criança da 1ª Série do Ensino Fundamental o Prazer Pela Leitura

Virgínia Caetano do Nascimento [1]

Josiane Fátima Zamignan[2]

 

Resumo

A cultura brasileira, nela compreendido o sistema educacional, foi construída num meio heterogêneo, como é seu próprio povo. Não se trata de pertencer a uma única cultura, mas de ser um resultado de uma grande gama de influências. Neste contexto entende-se que a escola é composta por um misto de confluências, e não um espaço neutro. Toda essa evolução produziu um misto de resultados, pois a educação faz parte da organização de diversas civilizações, e volta-se para diferentes públicos e objetivos de acordo com o que se espera daquela sociedade.

Palavras-chave: Aluno. Criança. Leitura.

 

Abstract

Brazilian culture, it understood the educational system, was built in a heterogeneous medium, as is his own people. This is not to belong to a single culture, but being a result of a wide range of influences. In this context it is understood that the school is composed of a mixture of confluences, and not a neutral space. All this evolution has produced mixed results, because education is part of the organization of several civilizations, and turns to different audiences and objectives in accordance with what is expected of that society.

Keywords: Student. Child. Reading.

 

INTRODUÇÃO

Sem dúvida que para termos profissionais da educação atuantes e comprometidos com um ensino de qualidade e prazeroso é necessário que a sua formação acadêmica seja voltada para isso. O profissional da educação precisa conhecer o contexto histórico e atual em que se insere a educação atual, os sujeitos que a compõe objetos, saberes de cada sujeito, e refletir sobre isso, para apresentar propostas de ensino que atingiram eficientemente um maior número de educandos, preparando-os para serem sujeitos ativos da sociedade que pertencem.

A Universidade, pública ou privada, e mesmo o ensino de forma geral, sofre influências de diversos fatores. Até mesmo por acontecimentos internacionais, pois hoje é comum que os professores, já mestres saiam para fazerem doutorado em outros países e tragam novas experiências e novas ideias; também temos a eficiência dos meios de comunicação que divulgam quase que momentaneamente as novas ideologias reinantes. Ou seja, nós estudantes precisamos aproveitar toda essa gama de informações para desenvolver um trabalho eficiente na escola.

Através desse intercâmbio de informações, que hoje ocorre por meio das comunicações, podemos ter acesso a situações de sucesso nas Universidades, em outros países (ou até mesmo aqui no Brasil), e que poderiam servir de incentivo às nossas Universidades, principalmente nos cursos de Licenciatura em que os acadêmicos estão (ou ao menos deveriam estar) sendo preparados para lidar com a problemática do ensino-aprendizagem.

A formação que temos hoje é a do conformismo e do desânimo. Não é raro vermos o desabafo de professores porque conseguiram “acabar” o conteúdo proposto. Estamos mal, sem perspectivas, desanimados. Cremos que isso se dá a vários fatores (condições sócio-econômicas das pessoas; falta de uma proposta pedagógica adequada, dentre outros), mas não podemos negar que a formação de professores que as Universidades estão desenvolvendo muito deixa a desejar. Se os professores saem da Universidade sem força para lutar por um ensino produtivo, dificilmente conseguirão incentivos sozinhos.

Este trabalho que desenvolvemos busca também observar como está a atuação dos educadores quando, na série inicial apresenta atividades de leitura aos alunos. Parece-nos que há uma falta de compromisso com a efetividade do saber. Basta aplicarmos uma prova, em qualquer série do ensino básico ao superior e constataremos as deficiências da aprendizagem. E mais ainda, uma coisa é certa: em geral as pessoas não gostam de ler. Essa, a meu ver é a mais cabal comprovação de que o ensino de um modo geral vai mal; que não têm funcionado e que precisa de mudanças.

Algumas das características da educação escolar brasileira é fruto de muita luta e principalmente de um processo de experimentação e adaptação, que culminou com a sua gratuidade, obrigatoriedade e lacaidade no ensino.

 Ao longo dos tempos as pessoas e as instituições foram se aprimorando, estabelecendo padrões de comportamentos e saberes, sendo influenciados por toda cultura ocidental.

Os estudos realizados demonstram que a percepção dos adultos acerca da experiência mais adequada para o período pré-escolar e até mesmo escolar inclui a aprendizagem através da brincadeira, portanto, as atitudes de pais e professores não são uma barreira na implementação da brincadeira, mas sem dúvida as escolas devem adequar-se para aplicarem atividades mais prazerosas em sala-de-aula aproveitando a participação de todos os agentes envolvidos no processo educacional.

Existem algumas barreiras a serem enfrentadas, quando nos dispomos a fazer uma educação de qualidade. As principais dificuldades encontradas relacionaram-se à pedagogia e ao ambiente, dentre elas: a grande proporção de crianças por professor, a falta de recursos apropriados para a aprendizagem e ausência de desenvolvimento profissional que enfoque o currículo orientado pela brincadeira. Mas este desafio está disposto a enfrentar.

 

DESENVOLVIMENTO

Fundamentação Teórica e Metodológica

De acordo com os parâmetros nacionais de (1998 p.31-32). A escola deve ser um lugar de possibilidades de construção relação de autonomia. Na escola as crianças estão em um espaço de educação coletiva, pois é onde a criança recebe a garantia de um pleno desenvolvimento.

Através de estudos, pude constatar que a infância passou e passa por várias mudanças dentro da sociedade no decorrer dos anos. Desde a época primitiva a criança exercia um papel produtivo dentro da sociedade, já que a perspectiva de vida era baixa, assim quem tinha quatro ou cinco anos a criança passava trabalhar e ajudar no sustento da família e recebia alimentos proporcionais ao rendimento do seu trabalho.

Naquela época a educação das crianças não era confiada a ninguém em especial, aprendia com a convivência diária com outros membros de seu grupo social no próprio habitat.

No século XVI, a infância ainda era conhecida como um período transitório da vida humana, que deveria ser prontamente superada. Assim confundia-se com os adultos já que não havia acomodações, brinquedos, roupas específicas para elas. Desta forma a criança passou a se configurar como um “Adulto em miniatura.”

Historicamente, a iniciativa da educação infantil existe desde o século XIX, contudo, no Brasil somente nas últimas décadas dos anos 80, deu-se o crescimento no atendimento em creches e pré-escolas atendendo crianças de zero a seis anos.

Na constituição federal de 1988 (artigo 1 inciso XXV, no cap. Dos direitos e garantias individuais e coletivas) Do reconhecimento da educação em creches e pré-escolas como um direito da criança isto representa um marco na história da educação infantil no Brasil.

A escola deve objetivar uma educação de qualidade visando sempre prestar a sociedade um bom atendimento a fim de formar cidadãos consciente e participativo. Pois é isso que a nossa sociedade precisa e que segundo Vygotsky.

“Educar significa propiciar situações de cuidados, brincadeiras e aprendizagens orientadas de forma integrada que possa contribuir para o desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal de ser estar com outros e uma atitude básica de aceitação, respeito confiança e acesso pelas crianças aos conhecimentos mais amplos da realidade social e cultural”.  (1991, pg 34).

Nesta visão Vygostskiana, cabe aos professores e pedagogos, além das demais agentes envolvidos no desenvolvimento da criança o papel desafiador e mediador para levar o aluno a situações de aprendizagem. Nessa fase, devem-se explorar atividades que desenvolvam na criança aspectos físicos, psicológicos e sociais, estimulando a linguagem oral através de histórias, dramatização e brincadeiras, respeitando, sempre, as diferenças individuais de cada um.

Além da influência externa, dos filósofos sofistas, e grandes pensadores como Platão, Kant Descartes, dentre outros, o ensino brasileiro passou por muitas influências decorrentes de seu contexto histórico, social e econômico. É necessária uma análise minuciosa pela qual passou o ensino brasileiro para compreendermos a sua situação atual, e 0o reflexo disso para o ensino-aprendizagem, pois ele é resultado principalmente do contexto histórico do Brasil desde o período Colonial (1549-1822) em que a educação primária era de responsabilidade dos jesuítas, passando pelos períodos: Imperial (1822-1889), republicano (1889-1930), Era Vargas (1930-1945, Governos populistas (1945-1964), Ditadura Militar (1964-1985), Nova República (1985), até os dias atuais em que o ensino tem como marco orientador a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) nº9). 394/96 em que se focaliza além da Organização do Trabalho pedagógico também a gestão escolar.

Toda a evolução pela qual o ensino brasileiro passou foi em busca da melhoria do ensino de forma geral. No ensino fundamental essa evolução se mostrou sobremaneira, pois com o ensino adequado, proporcionando ao aluno novas experiências a escola tende a atingir seu principal objetivo que é o de formar cidadãos ativos.

O aluno sentir-se-á bem na medida em que se desenvolver integralmente através de suas próprias experiências, de manipulação adequada e constante dos materiais que o cercam e também das oportunidades de descobrir-se. E isto será mais fácil de conseguir se estiverem satisfeitas suas necessidades afetivas, sem bloqueios e sem desequilíbrios tônico-emocionais. Nesse sentido pode-se afirmar o cuidado especial que se deve tomar com as crianças em seus primeiros anos de escolaridade. Observando muitos educadores, principalmente os de pré-escola e 1ª série, podem notar como esta preocupação citada anteriormente sobre o desenvolvimento da criança é deixada de lado em prol de um treinamento funcional intensificado. (OLIVEIRA, 1997, p.37-38)

Além das escolas públicas temos que as creches que atendem as crianças a partir dos cinco anos, conforme determina a legislação atual como uma organização, busca contextualizar todas as instâncias e dimensões presentes no ato educativo onde ela “tem de ser encarada como uma comunidade educativa, permitindo mobilizar conjunto dos atores sociais e dos grupos profissionais em torno de um Projeto comum” (NÓVOA, 1992, p. 35)

Em um contexto geral no ambiente de ensino a atenção deve se voltar para as formas como o aluno aprende como ele constrói o conhecimento personalizado.

Em função disso, é preciso promover uma necessária mudança de suas atividades, transformando-se em espaço de experiências de aprendizagens que contemplem as relações interpessoais voltadas ao produzir, compartilhar e socializar o conhecimento.

Esta condição passou a ser fundamental, mas não suficiente. Não basta criar ótimas condições de aprendizagem para o aluno, ele precisa ser capacitado a aperfeiçoar os espaços sociais onde convive, contribuindo para transformá-los em espaços de experiências de aprendizagem coletiva.

A tentativa de despertar na criança do ensino fundamental o prazer pela leitura tenho como norte a literatura infantil, pois os mitos populares serviram de base para toda a doutrina religiosa e filosófica de nosso antepassado, com o passar dos tempos deram origem aos contos, as fábulas e a literatura clássica: a poesia.

Vejamos como se manifesta Pelayo sobre o assunto:

Gênero tão antigo como a imaginação humana, é o relato de casos fabulosos, seja para recrear com sua mera narração, seja tirar deles um ensinamento salutar. A parábola, o apólogo, a fábula e as outras formas do símbolo didático são narrações mais ou menos simples e germes do conto. (Todas) tem em suas origens mais remotas, certo caráter mítico. (Apud: COELHO, 1991, p.11)

Não podemos negar que a origem da leitura infantil provém do mito e este, data de séculos antes de Cristo, quando ainda Platão e Aristóteles e outros filósofos doutrinavam adultos e crianças através dele.

Autores infantis como La Fontaine, Charles Perrault, Esopo,os irmãos Jacob e Wilhelm Grimm, Christian Andersen, reuniram histórias orais e estas vinham sendo contadas de geração a geração e transcritas por eles , passando assim, a serem considerados os autores de tais obras.

Vejamos como a professora Ligia Cademartori (1986), manifesta seu ponto de vista a respeito da origem da literatura infantil:

A literatura infantil tem como parâmetro contos consagrados pelo público mirim de diferentes épocas que, por terem vencido tanto teste de recepção, fornecem aos pôsteres referências a respeito da constituição da tônica literária do texto destinado a criança. No século XVII, o francês Charles Perrault (Cinderela, Chapeuzinho Vermelho) coleta contos e lendas da Idade Média e adapta-os Constituindo os chamados contos de fadas, por tanto tempo paradigma do gênero infantil. (p. 68)

No século XVII, inicia-se na França, mais precisamente na metade do século uma preocupação com o público infantil e juvenil. Destacando-se obras importantes como: as fábulas de Fontaine (1621-1695); Os Contos da Mamãe Gansa de Charles Perrault(1691-1697); Os contos de fada de Mme . D' Aulnoy (1695- 1699) e Os contos Fénelon (François de Salignac de La Mothe) (1699).

Nely Novaes Coelho nos coloca que Félenon, estabelece dentro do conjunto de suas obras uma série de regras e prescrições para a formação intelectual e ética dos alunos:

O espírito que orienta seus princípios educativos [...] é, a intenção de formar o homem espiritual de acordo com a vida temporal, tal como ele deve viver em sua sociedade. Assim, o interesse de suas prescrições, hoje, é principalmente o de nos mostrar que a menina era vista exclusivamente em sua destinação de esposa e mãe. E para prepará – la adequadamente para o desempenho dessas importantes funções, Fénelon prescreve: exercícios físicos, educação artística (Poesia, Música, Pintura) e educação intelectual (Gramáticas Noções de Cálculo, noções de Direito, História Grega e Romana e História da França). (COELHO, 1991, P.100)

No século XVIII, o gênero infantil passa a ser reconhecido pelos filósofos, psicólogos, pedagogos e escritores empenhados a inovação. A idealização da criança e da infância vincula – se á nova posição que a burguesia ocupa na sociedade europeia. Ao conquistar um poder política coerente com sua crescente capacidade econômica, a classe burguesa impõe também seus valores e sua cultura, em cujo centro está a criança e as instituições ligadas a ela.

Mundialmente o século XVIII é visto como o século francês por excelência, sendo inicialmente revolucionado por Racial (1712 – 1778) com a obra “Emílio”, um manual prático de educação. Mas é na Inglaterra que em 1750 John Newberry abre a primeira livraria juvenil e vende fábulas, poemas e contos.

Fora ele quem escreveu o primeiro livro intitulado “The Liliputian Magazine” (1951 – 1752), também foi ele quem editou o primeiro livro infantil ilustrado chamado “Little Pretty Pocker Book”. Portanto, foi na Inglaterra quem primeiro destinou uma publicação impressa para crianças.

Na Inglaterra, destacam-se também dois grandes clássicos da literatura infanto juvenil que foram: “Robison Crusoé” (1919) de Daniel Defõe e “As Viagens de Gulliver (1726) de Jonathan Swft”.

Tais obras foram inicialmente escritas para o público adulto, mas acabaram caindo no gosto do público infanto- juvenil, tornando – se as duas mais importantes da época.

O século XIX foi marcado pelo romantismo e realismo é nesse período que se consolida definitivamente a literatura para crianças bem como também se criam novos procedimentos na área pedagógica e literária, buscando – se principalmente a transmissão de novos valores humanísticos de fé e poder da realização do homem.

Portanto, a Literatura na Educação Infantil, é de fundamental importância para a formação escolar da criança, a qual contribui muito para o incentivo do hábito da leitura.

Desde pequena sem conhecer os sinais gráficos, ela está sempre solicitando às pessoas, que conte histórias ou leia livros de histórias. Mas, para a conquista de um novo leitor, é necessário proporcionar a intimidade da criança com os livros de Literatura nos primeiros anos de vida, à medida que ela irá descobrindo algo novo, maior interesse e curiosidade terão por novas descobertas.

A Literatura Infantil inicia – se muito antes do período da alfabetização, no momento que o educando passa a compreender o significado potencial de mensagens registradas, quando ela ouve as histórias contadas pelos seus familiares. Através da leitura, a criança desenvolve suas capacidades criativas.

A criança quando ouve uma história, recebe informações novas, e desenvolve sua capacidade de imaginação criadora, pois a história permite que ela se utilize da fantasia, da imaginação, do encantamento e do lúdico, os quais predominam na faixa etária em que ela se encontra.

A televisão, nos dias atuais funciona como uma vilã, ela vem cada vez mais sendo o ponto de referência para a educação de nossas crianças. Embora tenha utilidade informativa, a televisão não substitui de forma alguma, o fascínio que a leitura propõe a criança.

Enquanto as histórias aparecem na tela, de maneira impositiva, a leitura oferece o que os olhos não veem cada um imagina as histórias de sua maneira. Mediante isso, considera – se a escola como um lugar privilegiado, onde é possível, ser lançadas as bases para a formação do indivíduo. Porém, em alguns casos a literatura infantil ainda funciona como um dos instrumentos que contribui para multiplicar as normas em vigor, transmitindo assim, um ensinamento conforme a visão adulta do mundo.

As relações que são estabelecidas entre literatura e educação nem sempre são positivas, já que as crianças não querem aprender somente por meio dela. Por outro lado, a escola é um excelente lugar para que se desenvolva o gosto pela leitura e se mantenha um “saudável diálogo entre o livro e seu destinatário”.

Através da leitura de histórias pelo professor a criança deve ser incentivada a manifestar, a participar ativamente, fazendo perguntas, comentários e a interpretação oral da história, com esse processo apresentará interesse para a leitura e produção de texto.

Na escola, a leitura é, antes de tudo, um objeto de ensino. Para que se constitua também em um objeto de aprendizagem é necessário que tenha sentido do ponto de vista do aluno, o que significa, entre outras coisas, que deve cumprir uma função para a realização do propósito que ele conhece e valoriza. Para que a leitura como objeto de ensino não se separe demais da prática social que se quer comunicar, é imprescindível representar ou reapresentar, na escola, os demais usos que ela tem na vida social. (Lerner: 2002; p.97)

Outro fator importante é a seleção dos livros, sendo que os mesmos devem estar de acordo com o nível de interesse, faixas etárias, cognitivo das crianças para que possa ficar atenta ao ouvir e ao mesmo tempo sentirem capazes de escolher livremente sua própria leitura.

Para crianças do Maternal, de dois a três anos é necessário que as histórias sejam pequenas, com linguagem simples e clara de acordo com a maturidade. Devem ter uma narrativa agradável, interessante, que despertem a imaginação com situações variadas e finais engraçados ou inesperados que causam surpresas.

Para crianças de Pré-escola poderá ser mais longas, com fundo moral sensibilizando para o desenvolvimento de atitudes de prática do bem, solidariedade, amizade. Situações-problemas onde possam questionar usar do raciocínio para a resolução.

A história tem que ser envolvente, para que a criança sinta-se um personagem dentro dela, procurando viver intensamente o enredo, tentando resolver seus conflitos que estão mesclados entre a fantasia e a realidade.

“A história é a forma mais comum, simples e direta, adotada por todos os povos, em diversas etapas da civilização para mostrar, por meio de seus mitos e heróis, como encaram o amor, a vida, a morte e repensar sua visão de honestidade das boas atitudes do ser humano” (BARCHA CLAUDIA: 1996; p.266).

Atualmente, embora se reconheça a importância da arte de contar histórias para crianças pequenas, na prática ocorre diferente, pois a problemática que norteia o tratamento dado a literatura infantil por parte de algumas escolas e universidades, vem sendo discutidas há poucas décadas, mais especificamente a partir de meados dos anos 80.

Segundo a professora Kátia Toledo Mendonça em entrevista na internet, os cursos de Pedagogia deixam a desejar quanto ao ensino de literatura infantil.

Nos cursos de Pedagogia, o pouco que se trabalha com a Literatura no máximo um ano – restringe – se a textos escritos para crianças de até nove anos, idade com que normalmente os alunos chegam a quarta séries. As séries seguintes são ignoradas por esses cursos no que diz respeito à literatura.

Isso acaba resultando em professores despreparados, não sabendo como trabalhar a Literatura Infantil em algumas escolas as de Educação Infantil, impossibilitando as crianças de serem participantes ativas das atividades.

Visto que esta é quase sempre esquecida ou trocada pelos aparelhos eletrônicos, com desenhos violentos e alheios a realidade vivida pela criança, não possuindo uma comunicação própria para ela, não respeitando a sua individualidade e muito menos o seu período de desenvolvimento.

 O lúdico e o imaginário estão sendo deixados de lado cada vez mais pelas nossas crianças, por isso tememos que se os professores de educação infantil não buscarem estar se aperfeiçoando cada vez mais, reconhecendo a importância da literatura infantil como forma de despertar na criança o prazer pela leitura na vida da criança, esta acaba caindo no esquecimento.

Por outro lado, muitas de nossas escolas ou carecem de livros de histórias infantis de qualidade ou de professores preparados para a prática da arte de contar histórias.

Ou seja, nossas escolas precisam tanto de material de leitura como de profissionais preparados e que busquem incentivar as crianças a ouvirem e contarem histórias, e isto servir de subsídio para o desenvolvimento da leitura e escrita.

No ato de contar histórias infantis o professor estará despertando na criança o gosto pela história que está escrita, esta vem repleto de fantasias e lúdico despertando desta forma o imaginário da criança contribuindo assim o seu desenvolvimento de criação e descobertas por algo novo.

Quanto mais ela ouve, mais quer ouvir e quando se sentir apta para ler, certamente trocará o ouvir pelo ler. Uma vez motivada ela mesma desejará descobrir tudo o que tem de maravilhoso dentro de um livro infantil.

Porém, para a conquista de um novo leitor, é necessário fazer com que ocorra a intimidade da criança com os livros de literatura desde cedo, conforme a criança irá descobrindo algo novo, maior curiosidade terá de fazer novas descobertas.

“É através de uma história que se pode descobrir outros lugares, outros tempos, outros jeitos de agir e de ser, outra ética, ultra ótica. E ficar sabendo História,  Geografia, Política, Sociologia,sem precisar saber o nome disso tudo e muito menos achar que tem cara de aula...”(ABRAMOVICH: 1997;p.17).

Portanto, a literatura infantil na Educação Infantil, é de fundamental importância para a formação escolar da criança. Desse modo: “o livro da criança que não lê é a história contada”. (ABRAMOVICH, 1997, P.24). Ou seja, quando a criança é estimulada através de histórias narradas, brincadeiras com livros de leitura de gravuras, a mesma desenvolverá o hábito de leitura, isso começa a se firmar já na infância, o que pode ter excelentes resultados no futuro.

Por outro lado Cunha adverte que ao contarmos histórias para crianças devemos ter cuidado para não termos como objetivo único o hábito de leitura, pois segundo ele devemos nos preocupar para que “a mesma tenha leitura como forma de enriquecimento, de lazer assim, a leitura exige um grau maior de consciência e atenção, uma participação afetiva do recebedor leitor tornando o indivíduo crítico, criativo, consciente e produtivo”. (1991, p.47).

Entende-se que a criança quando ouve uma história, deve ter um conjunto de benefícios como: informações, lazer, desenvolvimento do imaginário e da criatividade, fantasia, alegria, admiração, fatores fundamentais ao seu desenvolvimento critico intelectual.

Na arte de contar história para a criança tem – se a oportunidade de compartilhar emoções despertar o prazer ouvir o outro e de conviver em coletividade. Ao ouvir uma história, pode de – se fazer ou refazer, produzir ou reproduzir no sentido de reconstituir imagens na mente do passado, estimular a criatividade.

Independente da época, cultura e classe social, a literatura sempre existiu e se faz presente em nossas vidas. E através das histórias que a criança projeta o seu próprio mundo, e sem dúvida a pessoa só escreve se tiver lido, e só escreverá com prazer se tiver sido treinada para reconhecer o prazer da leitura. Este é o desafio.

Para a efetivação e execução desse trabalho de conclusão de curso, utilizamos a pesquisa qualitativa com características do estudo de caso.

A princípio, observamos a relação entre alunos fora e dentro da sala de aula. Dessa forma, privilegiamos, para efeito de coleta de dados, a vida cotidiana dos alunos dentro da sala de 1ª série do ensino fundamental.

Para registro dos dados, lançamos mão do sociograma, que nos auxiliou anotar e verificar as relações que os alunos promovem entre si conforme Moreno nos explica.

... é um instrumento que serve para medir a importância da organização que aparece nos grupos sociais. Consiste expressamente em pedir ao sujeito que escolha, no grupo ao qual poderiam pertencer, os indivíduos aos quais gostaria de ter como companheiros (1972, p.83).

Através do sociograma podemos anotar e verificar o interesse dos alunos na leitura de textos apresentados.

 Os sujeitos pesquisados foram 23 alunos da 1º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Tiago Aranda Martins, na cidade de SINOP-MT. Utilizando o sociograma e apoiado em teóricos que interessam à pesquisa e que, em seguida, oferece amplo campo de interrogativas, fruto de novas questões de pesquisa que vão surgindo à medida que se recebem as respostas do informante.

A pesquisa realizada se ateve aos objetivos apresentados no Projeto inicial, quais sejam: análise das principais causas que levariam os educandos ao desinteresse ou apatia pela leitura e em consequência pelo desprezo da disciplina Língua Portuguesa; a identificação das principais propostas da escola pedagógica atual para que os futuros professores de Pedagogia desenvolvam ações de forma a incentivar os educandos a gostar da leitura de textos.

Além de alguns objetivos mais específicos como: a investigação de quais os tipos de textos e metodologia em que os professores de 1º ano do Ensino Fundamental da Escola Pública Municipal Tiago Aranda Martins veem utilizando como motivação para o ensino da leitura; as pesquisas de quais reflexos essas atividades apresentam na vida da criança, se as aulas de leitura são prazerosas ou apenas obrigação.

Foi escolhida a Escola Municipal Tiago Aranda Martins no Município de SINOP-MT para iniciar a pesquisa, pois, nela realizamos o Estágio Supervisionado e também temos experiência de atuação enquanto professora, e é interessante analisar o ambiente não apenas como espectadora, mas como atuante do processo.

A pesquisa que utilizei é através de pesquisa bibliográfica e também qualitativa com características do estudo de caso.

Segundo Chizzotti:

“a abordagem qualitativa parte de uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, uma interdependência viva entre o sujeito e o objeto, onde a pesquisa qualitativa valoriza o objetivo e a subjetividade do sujeito, trabalha com um mundo dos significados, das ações e relações humanas, a subjetividade”.(1991)

Refere-se ainda que a pesquisa qualitativa exponha a complexidade da vida humana e evidencia significados ignorados da vida social; analisa os significados que os indivíduos dão às suas ações, no meio onde vive a compreensão do sentido dos atos e das decisões dos atores sociais, ou seja, a relação: o entrevistado, o contexto social e a escola.

Triviños afirma que “(...) o estudo de caso é uma categoria de pesquisa cujo objeto é uma unidade que se analisa aprofundadamente. Esta definição determina suas características que são dadas por duas circunstâncias, principalmente. Por um lado, a natureza e abrangência da unidade (...). E em segundo lugar, também a complexidade do Estudo de Caso está determinada pelos suportes teóricos que servem de orientação em seu trabalho ao investigador”. (1987)

Quando fizemos à pesquisa na Escola Tiago Aranda observamos a atuação dos alunos e da professora em aulas de produção textual. Analisando a Proposta Pedagógica da Escola verificamos que ela está voltada para uma educação contextualizada, respeitando sempre as etapas de desenvolvimento infantil. Busca-se facilitar o processo e organizar situações aprendizagem, problematizando-as, para que a criança assimile e crie seu próprio contexto.

Também verificamos que a Escola considera que a educação é, ao mesmo tempo, processo individual e processo social, facilitado através das inter-relações, pois assim, a criança desenvolve sua própria inteligência adaptativa na elaboração do conhecimento. O papel educativo proposto é o de estimular a capacidade de descobrir, produzir e criar, e não apenas de repetir conteúdos, como caixa de ressonância. Respeitar-se, portanto a velocidade e o tempo de aquisição de cada criança para adquirir ou copiar talentos e habilidades necessários para viver num mundo repleto de perigos contra a vida, próximos, crescentes e iminentes.

Para se trabalhar cuidando e educando de maneira contextualizada e o mais próximo da realidade vivenciada do educando, o trabalho pedagógico foi proposto no Projeto Pedagógico da seguinte forma:

O planejamento é o início de toda e qualquer atividade educativa, pois define objetivos, prioridades e estratégias a serem usadas durante o processo de aprendizagem, ajudando na intervenção e dispondo critérios a serem utilizados ou analisados. Ao planejar tem-se em mente o público alvo, suas competências e suas diferentes necessidades conforme a faixa etária e, no caso Escola, que funciona em uma região pobre do Município de Sinop, da realidade socioeconômicas de famílias carentes.

O planejamento pedagógico, além de flexível, procura contextualizar e considerar os eixos norteadores sugeridos no Referencial Curricular para a Educação Infantil, adequando também à proposta da pedagogia de projetos utilizados no ambiente escolar.

As atividades permeadas pelo lúdico e o prazeroso são determinados no fazer pedagógico, pois é possível elaborar atividades para crianças pequenas, de maneira que elas possam crescer em ambiente estimulador, seguro e educativo.

Quanto ao horário para o planejamento seja semanal ou anual é observado com rigor, pois dele dependera o sucesso da aplicação da atividade.  Planejamento é um apoio estratégico do profissional da educação, pois:

1. Esclarece o sentido do ensino;

2. Promove o processo educativo;

3. Organiza espaço, tempo e material;

4. Permite ordenar ideias e reflexões;

5. Facilita o trabalho de aplicações e avaliações das atividades.

Ainda verificamos que a proposta pedagógica da Escola vê que o conhecimento é visto sob uma perspectiva construtivista e sócia - interacionista, na qual se procura estudar e pesquisar, com as crianças, de forma lúdica e agradável, respeitando as características das várias áreas de conhecimento envolvidas no trabalho.

No que se refere à avaliação da aprendizagem a proposta pedagógica prevê que a avaliação será contínua e dinâmica através de um relatório individual observando os avanços obtidos por cada criança dentro do processo de construção do próprio conhecimento sem á intenção de promoção para a série seguinte.

 A avaliação é parte integrante do processo ensino/aprendizagem e ganhou na atualidade espaço muito amplo nos processos de ensino. Para Perrenoud (1999), a avaliação da aprendizagem, no novo paradigma, é um processo mediador na construção do currículo e se encontra intimamente relacionada à gestão da aprendizagem dos educandos.

Ao utilizar fichas individuais com anotações diárias acerca do desenvolvimento integral da criança o educador objetiva o fornecimento de indicadores para que possa elaborar ou reelaborar atividades que promovam o aprendizado dos objetivos propostos.

Segundo Canen (2001), Gandin (1995) e Luckesi (1996), a avaliação é um julgamento sobre uma realidade concreta ou sobre uma prática, à luz de critérios claros, estabelecidos prévia ou concomitantemente, para tomada de decisão. Desse modo, três elementos se fazem presentes no ato de avaliar: a realidade ou prática julgada, os padrões de referência, que dão origem aos critérios de julgamento, e o juízo de valor.

Assim, a avaliação não é um processo apenas técnico, é um procedimento que inclui opções, escolhas, ideologias, crenças, percepções, posições políticas, vieses e representações, que informam os critérios através dos quais será julgada uma realidade.

O professor desempenha papel fundamental, além de levar em conta os conhecimentos prévios dos alunos, propõe desafios, em que a criança possa confrontar suas hipóteses espontâneas com hipóteses e conceitos científicos, apropriando-se desses gradativamente, aumentando autoestima e conquistando reconhecimento. Significando, ainda, que não se pode limitar oportunidades de descobertas e que é necessário conhecê-las verdadeiramente para proporcionar-lhes experiências desafiadoras.

Do ponto de vista construtivista, o professor não deve realizar as atividades pelos alunos, mas auxiliá-los a encontrar meios próprios de fazer as coisas a seu modo. Enfim, é deixá-las serem crianças.

O ato pedagógico é útil na medida em que valoriza o fazer educativo, contextualizando situações e acontecimentos importantes. São utilizadas dramatizações, música, danças, artes ou outra forma de expressão, para culminância e síntese de cada bloco de estudo realizado.

Os conteúdo a serem trabalhados têm em vista a interação das áreas psicomotora, construção de conhecimento e atitudes e características específicas do universo infantil. As dimensões motoras, cognitivas, afetivo-sociais e formação de hábitos juntam, compõem os conteúdos pedagógicos básicos próprios da faixa etária das crianças.

O modo como são organizados esses conteúdos, gira em torno de um tema, ou projeto, privilegiando sempre o contexto lúdico, reconhecendo as crianças como seres únicos e capazes de interagir com o outro e seu meio social de maneira integrada e gradual.

Nessa perspectiva, as brincadeiras, espontâneas ou dirigidas, o uso de materiais diversos, a música, o jogo, a dança, as diferentes formas de comunicação e linguagem, a expressão da criança e seus movimentos caracterizam as várias maneiras de estimular o desenvolvimento e as conquistas individuais e coletivas.

As atividades pedagógicas da escola são planejadas e organizadas de modo a seguir uma rotina que vai desde a chegada das crianças até o momento da saída, quando seus responsáveis retornam de sua jornada diária de trabalho.

O cotidiano é composto de atividades que envolvem:

1)  Recepção e saída das crianças;

2)  Cuidado de higiene;

3) Alimentação balanceada e adequada às faixas etárias e as necessidades individuais;

4)  Atividades de recreação livre nas salas e pátio.

5) Atividades educativas dirigidas e parcialmente dirigidas, tanto nos espaços internos como externos utilizando materiais e locais apropriados para tal fim.

 Toda e qualquer atividade vivenciada na Escola tem importância relevante, do ponto de vista didático destacamos o aprender brincando, usando objetos, artes, músicas com o intuito de expressão e socialização.

A princípio observamos a relação entre os alunos fora e dentro da sala de aula. Dessa forma privilegiamos, para efeito de coleta de dados, a vida cotidiana dos alunos dentro da Escola, para isso fizemos um estudo de caso de 23 alunos, com observação em três aulas de leitura de obra literária (conto) e produção textual. Pelos alunos.

Observamos que hoje a visão dos professores é muito mais ampla, pois ao longo dos anos a educação infantil passou por várias, transformações, a criança que não era respeitada em suas especificidades hoje é vista como cidadão e seus direitos constituídos. O favorecimento da aprendizagem de qualquer aluno implica para o educador, saber o que é processo de aprendizagem e de como ela se dá.

Igualmente é importante conhecer o saber com processo de desenvolvimento humano.

Somos sabedores que a escola é um lugar de trocas de conhecimentos entre educandos e educadores, destas relações devem surgir ideias, sujeitos críticos, criativos e conhecedores de seu papel de cuidar de sua própria história.

A aprendizagem acontece através de experiências das crianças, pois são elas o principal agente construtor de seu conhecimento. A instituição escolar deve estar voltada, a trabalhar em prol da comunidade e dar oportunidade e estímulos de ação levando em consideração a promoção do cidadão, lembrando que todos os esforços serão validos na busca da mobilidade para se enfrentar os desafios, propondo trabalhos eficazes que promovam a igualdade dos direitos e respeito à dignidade humana.

 

Conclusão

A língua que tem como sua expressão além da fala a palavra escrita é patrimônio da cultura letrada, e todo professor é, em princípio, representante dessa cultura. Daí que cabe a cada um de nós apresentarmos propostas de melhor levar o conhecimento ao nosso aluno, e obviamente de forma prazerosa.

Além da aprendizagem prazerosa em si, aos educadores cabe a tarefa de resolverem o problema da compreensão, pois o educador deve garantir a participação plena de seus alunos na sociedade letrada.

Ao final deste trabalho na escola pública pude verificar que o estímulo ao ato de ler por meio da literatura infantil traz resultados satisfatórios ao ensino-aprendizado de um modo geral e colabora com o desenvolvimento da competência de leitura.

Pude verificar também que as aulas tornam-se mais interessantes, onde é possível relacionar diversos conhecimentos como história, geografia, botânica, etc. com a Literatura. O desafio inicial desse trabalho foi alcançado. As professoras iniciaram as aulas com a leitura de textos agradáveis para os alunos, a partir dos quais parecia possível estudar histórias infantis como fábulas e desenvolver a competência de leitura. Através das narrativas apresentadas os alunos demonstraram interesse em estudar outros temas correlacionados. E sem dúvida, quando o aluno se diverte e se tem objetivo, se aprende mais.

Creio que realmente é necessário desenvolver o prazer da leitura. A leitura de literatura está acima da divisão das disciplinas escolares e pode colaborar para a religação desses conhecimentos, ajudando na construção de sentidos para o aprendizado escolar.

É certo que a obtenção de prazer pode ser um objetivo de leitura e fator preponderante para que uma pessoa leia sempre, mas não é necessário, a nosso ver, colocar a formação do gosto pela leitura como uma meta educacional, mas sim como instrumento para se alcançar outras metas, nos anos iniciais a alfabetização, depois a matemática, a química e outros temas.

Além do que mais importante do que ter capacidade de decifrar códigos, como simples hábito de leitura, o mais importante hoje, em um mundo globalizado e com tantos desafios a enfrentar, é formarmos cidadãos conscientes de seu papel enquanto sujeito de mudanças. O professor precisa partir de o simples ensinar a ler, ou alfabetizar para uma prática pedagógica efetiva que possibilite a formação da competência leitora com senso crítico do mundo atual.

Com relação ao desenvolvimento de estratégias de leitura verificou-se, a partir dos comentários dos alunos, uma progressiva assimilação ou incorporação das mesmas. Por exemplo, já não perguntavam o significado das palavras imediatamente, logo ao se deparar com elas. Primeiro tentavam descobrir seu sentido pelo contexto, ou seguiam lendo até encontrar a explicação. Os alunos demonstraram compreender o texto principalmente a partir das ações dos personagens, que trazem a dinamicidade à narrativa. Quando solicitados a narrar ou explicar partes das histórias os alunos respondiam com ações do herói e das personagens

Outro fator interessante observado foi o fato de os alunos se interessarem em levar livros para leitura livre em casa leva a concluir que a intervenção educativa no sentido de melhorar as condições de estudo é fator decisivo para a formação de leitores. O prazer de ler é o melhor resultado constatado nessa experiência.

Enfim, a minha observação acerca do fato que a literatura, e em geral todas as atividades que envolvem o lúdico, pode e deve ser usada para despertar o prazer da criança pela leitura provou ser possível e proveitoso esse tipo de atividade.

 

Referências

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[1] Graduada em Pedagogia e Pós Graduanda em Alfabetização e Letramento pela Universidade Candido Mendes.

[2] Graduada em Pedagogia pela UNINTER - Centro Universitário de Curitiba-PR e Pós Graduanda em Alfabetização e Letramento pela Universidade Candido Mendes. O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.